"Outra coisa, o espiritismo se declara como
ciencia, mais podemos ver quais são os métodos cientificos,e fica claro
que nao se aplica ao espiritosmo, por isso é chamado de pseudo-ciência, e
como fica os erros cientificos encontrados no livro dos espiritas ?
Esta tudo errado de acordo com a ciencia comprovada."
O 'Livro dos Espíritas' não existe. Existe 'O Livro dos Espíritos'. Não chamamos a atenção para o lapso por pedantismo, mas porque há muita gente que nunca leu uma linha de O Livro dos Espíritos nem de nenhuma obra espírita, que apenas lê os argumentos contra o Espiritismo, e resolve tomar partido contra. Estão no seu direito, porque a liberdade de opinião é sagrada, mesmo para as opiniões não fundamentadas, edificadas sobre preconceitos e espírito sectário.
Se o leitor se debruçasse sobre a Doutrina Espírita saberia que esta é um corpo de conhecimentos, como qualquer doutrina. Só que não apareceu pela inteligência de um homem, nem como alegada revelação divina trazida por um homem. O Espiritismo nasceu do método científico, da observação, do raciocínio indutivo e dedutivo. Os conhecimentos que lhe constituem o corpo foram ditados pelos Espíritos Superiores através de médiuns espalhados por todo o mundo, e reunidos por Allan Kardec, o Codificador.
O Espiritismo é uma religião no sentido filosófico (crê em Deus e na imortalidade da alma), mas não no sentido formal, pois prescinde de tudo o que caracteriza as religiões, por exemplo a presunção de infalibidade; a fé cega; a crença no Sobrenatural, em milagres e prodígios; os líderes que determinam aquilo em que se pode e não pode acreditar; os livros considerados sagrados e inquestionáveis; os dogmas inamovíveis; os rituais e sacramentos; a profissionalização; o sacerdócio; as vestes, cânticos,velas, procissões, altares, andores e cerimónias especiais; as bebidas alcoólicas; as pirâmides, cristais e outros artefactos; a adivinhação; o exclusivismo; o salvacionismo; a crença em criaturas místicas tais como anjos e diabos, etc., etc., etc.. O Espiritismo é CULTURA.
O Espiritismo tem como ideal a moral cristã. É uma filosofia espiritualista porque, crendo na imortalidade da alma e em Deus, propõe uma respostas às questões essenciais sobre quem somos, de onde vimos, para onde vamos, o que é Deus, porque há sofrimento, etc., etc., etc.. E é uma ciência no sentido em que seguiu o método científico acima descrito para chegar às suas conclusões. Não é nem pretende ser uma ciência académica.
Mais: o Espiritismo tem o compromisso de corrigir na Doutrina tudo o que a Ciência demonstre estar errado, em vez de fazer como fazem as religiões, que moldam a realidade à medida dos seus textos «sagrados», ainda que estes estejam em contradição com a Ciência. Até hoje, e que saibamos, a Ciência não desmentiu a existência de Deus, a imortalidade da alma, a comunicabilidade dos Espíritos, a reencarnação e a pluralidade dos mundos habitados.
Negar só por negar, muitos cientistas o fazem, pois os cientistas são seres humanos e padecem dos mesmos preconceitos, manias e vaidades que o comum dos mortais. Contudo, os cientistas que estudaram estes que são os 5 pilares do Espiritismo, só os têm comprovado!
O Espiritismo concilia Ciência e Religião, pois o que é verdadeiro para uma não pode ser falso para a outra e vice-versa. O nosso Deus não é antropomórfico, caprichoso e feito à imagem e semelhança do Homem. Não vemos qualquer contradição entre Religião (no sentido mais elevado do termo) e Ciência. para nós a Ciência é a nobre actividade de desvendar os segredos do Universo, ou da Criação, para quem é crente.
O Espiritismo não pretende ser a única ou a melhor filosofia. pelo contrário, achamos que bem tolo seria quem se achasse dono da Verdade. A Verdade está muito acima do que o homem terreno pode sequer conceber - achamos nós.
Como o leitor não teve a lembrança de se apresentar, em termos de filosofia ou religião que perfilha, vamos partir do princípio de que é religioso. E perguntamos, por exemplo, se a Ciência já comprovou a transmutação do vinho em sangue na Eucaristia, ou os milagres, ou os exorcismos. Claro que não. E não se pede às religiões tais provas, nem elas se preocupam com tal coisa, e estão em seu pleno direito.
O Espiritismo, no seu conjunto e a despeito dos factos que a Ciência vai comprovando, é uma crença, uma opinião, como Allan Kardec explica em Pequena Resposta aos Detractores do Espiritismo e com a qual encerramos esta séria, com o nosso agradecimento ao leitor que nos escreveu:
O direito de exame e de crítica é um direito imprescritível, ao qual o
Espiritismo não tem a pretensão de se subtrair, como não tem a de satisfazer
todo o mundo. Cada um, pois, está livre para aprová-lo ou rejeitá-lo; mas ainda
seria necessário discuti-lo com conhecimento de causa; ora, a crítica não tem
senão, muito freqüentemente, provado a sua ignorância de seus princípios mais
elementares, fazendo-lhe dizer precisamente ao contrário do que ele diz,
atribuindo-lhe o que nega, confundindo-o com as imitações grosseiras e burlescas
do charlatanismo, dando, enfim, como a regra de todos, as excentricidades de
alguns indivíduos. Muito freqüentemente, também, a malevolência quis torná-lo
responsável por atos repreensíveis ou ridículos, onde seu nome foi misturado
incidentemente, e disso faz uma arma contra ele.
Antes de imputar a uma doutrina a incitação a um ato repreensível qualquer, a
razão e a eqüidade querem que se examine se essa doutrina contém as máximas
próprias para justificarem esse ato.
Para conhecer a parte de responsabilidade que incumbe ao Espiritismo numa
dada circunstância, há um meio muito simples, que é o de inquirir de boa fé,
não entre os adversários, mas na própria fonte, o que ele aprova e o que ele
condena. A coisa é tanto mais fácil que nada tem de secreto; seus ensinos são
públicos, e cada um pode controlá-los.
Se, pois, os livros da Doutrina Espírita condenam de maneira explícita e
formal um ato justamente reprovado; se não encerram, ao contrário, senão
instruções de natureza a levar ao bem, é que o indivíduo culpado da má ação nele
não hauriu suas inspirações, tivesse mesmo esses livros em seu poder.
O Espiritismo não é mais solidário com aqueles que se comprazem em dizer-se
espíritas, do que a medicina não o é com os charlatães que a exploram, nem a sã
religião com os abusos, ou mesmo crimes, cometidos em seu nome. Não reconhece
por seus adeptos senão aqueles que colocam em prática os seus ensinos, quer
dizer, que trabalham para o seu próprio adiantamento moral, esforçando-se por
vencer as suas más inclinações, serem menos egoístas e menos orgulhosos, mais
dóceis, mais humildes, mais pacientes, mais benevolentes, mais caridosos para
com o próximo, mais moderados em todas as coisas, porque são os sinais
característicos do verdadeiro espírita.
O objeto desta curta notícia não é o de refutar todas as falsas alegações
dirigidas contra o Espiritismo, nem de desenvolvê-lo ou provar-lhe todos os
princípios, e ainda menos procurar converter, às suas idéias, aqueles que
professam opiniões contrárias, mas de dizer, em algumas palavras, o que é e o
que não é, o que admite e o que reprova.
Suas crenças, suas tendências e seu objetivo se resumem nas proposições
seguintes:
1º O elemento espiritual e o elemento material são os dois
princípios, as duas forças vivas da Natureza se completando uma pela outra, e
reagindo incessantemente uma sobre a outra, ambas indispensáveis ao
funcionamento do mecanismo do Universo.
Da ação recíproca desses dois princípios nascem fenômenos que, cada um deles,
isoladamente é incapaz de se explicar.
A ciência, propriamente dita, tem por missão especial o estudo das leis da
matéria.
O Espiritismo tem por objeto o estudo do elemento espiritual em suas
relações com o elemento material, e encontra, na união desses dois princípios, a
razão de uma multidão de fatos até então inexplicados.
O Espiritismo caminha de acordo com a ciência no terreno da matéria: admite
todas as verdades que ela constata; mas onde se detêm as investigações desta,
prossegue as suas no terreno da espiritualidade.
2º Sendo o elemento espiritual um estado ativo da Natureza, os fenômenos que
se ligam a ele estão submetido a leis, e, por isso mesmo, tão naturais quanto
aqueles que têm sua fonte na matéria neutra.
Certos fenômenos foram reputados sobrenaturais pela ignorância das
leis que os regem. Em conseqüência desse princípio, o Espiritismo não admite o
caráter maravilhoso atribuído a certos fatos, de tudo constatando a realidade ou
a possibilidade. Para ele não há milagre, enquanto derrogação das leis
naturais; de onde se segue que os espíritas não fazem, milagres, e que a
qualificação de taumaturgos, que alguns lhe dão, é imprópria.
O conhecimento das leis que regem o princípio espiritual, se liga, de maneira
direta, à questão do passado e do futuro do homem. Sua vida é limitada à
existência atual? Entrando neste mundo, saiu do nada, e em que se torna
deixando-o? Já viveu e viverá ainda? Como viverá e em que condições? Em
uma palavra, de onde vem e para onde vai? Por que está sobre a Terra e por que
nela sofre? Tais são as perguntas que cada um se coloca, porque são para todos
de um interesse capital, e que nenhuma doutrina não lhe deu ainda solução
racional. A que o Espiritismo lhe dá, se apóia sobre fatos, satisfazendo às
exigências da lógica e da justiça mais rigorosa, é uma das principais causas da
rapidez de sua propagação.
O Espiritismo não é nem uma concepção pessoal, nem o resultado de um sistema
preconcebido. É a resultante de milhares de observações feitas em todos os
pontos do globo, e que convergiram para o centro que as coligiu e coordenou.
Todos esses princípios constituintes, sem exceção, são deduzidos da experiência.
A experiência sempre precedeu a teoria.
O Espiritismo encontrou, assim, desde o início, raízes por toda a parte; a
história não oferece nenhum exemplo de uma doutrina filosófica ou religiosa que
haja, em dez anos, reunido um tão grande número de adeptos; entretanto não
empregou, para se fazer conhecer, nenhum dos meios vulgarmente em uso;
propaga-se por si mesmo, pelas simpatias que encontrou.
Um fato não menos constante é que, em nenhum país, a Doutrina não nasceu na
camada baixa da sociedade; por toda a parte, ela se propagou de alto a baixo da
escala social; é nas classes esclarecidas que está ainda quase exclusivamente
difundida, e as pessoas iletradas nela estão em ínfima minoria.
Está ainda averiguado que a propagação do Espiritismo seguiu, desde a origem,
uma marcha constantemente ascendente, apesar de tudo o que se fez para
entravá-la e desnaturar-lhe o caráter, tendo em vista desacreditá-lo na opinião
pública. Há mesmo a se anotar que, tudo o que se fez com esse objetivo,
favoreceu-lhe a difusão; o ruído que se fez a seu propósito levou-o ao
conhecimento de pessoas que dele jamais ouviram falar; quanto mais o difamaram
ou ridicularizaram, mais as invectivas foram violentas, mais estimulou a
curiosidade; e como não pode senão ganhar ao exame, disso resultou que os seus
adversários dele se fizeram, sem o querer, os ardentes propagadores; se as
diatribes não lhe trouxeram nenhum prejuízo, foi porque estudando-o em sua fonte
verdadeira, o encontraram diferente do que havia sido representado.
Nas lutas que teve de sustentar, as pessoas imparciais se deram conta de sua
moderação; jamais usou de represálias contra os seus adversários, nem restituiu
injúria por injúria.
O Espiritismo é uma doutrina filosófica que tem conseqüências religiosas,
como toda doutrina espiritualista; por isso mesmo toca forçosamente às bases
fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma e a vida futura; mas não é, uma
religião constituída, tendo em vista que não tem nem culto, nem rito, nem
templo, e que, entre os seus adeptos, nenhum tomou ou recebeu o título de
sacerdote ou de sumo-sacerdote. Essas qualificações são pura invenção da
crítica.
É-se espírita somente porque se simpatiza com os princípios da doutrina, e
que com ela se conforma a sua conduta. É uma opinião como uma outra, que cada um
deve ter o direito de professar, como se tem o de ser judeu, católico,
protestante, fourieísta, sansimonista, voltairiano, cartesiano, deísta e mesmo
materialista.
O Espiritismo proclama a liberdade de consciência como um direito natural:
reclama-a para os seus, como para todo o mundo. Respeita todas as convicções
sinceras, e pede para si a reciprocidade.
Da liberdade de consciência decorre o direito de livre exame em
matéria de fé. O Espiritismo combate o princípio da fé cega, como impondo ao
homem a abdicação de seu próprio julgamento; diz que toda fé imposta é sem
fundamento. Por isso inscreveu, entre as suas máximas: "Não há fé inabalável
senão aquela que pode encarar a razão face a face em todas as épocas da
Humanidade."
Conseqüente com os seus princípios, o Espiritismo não se impõe a ninguém;
quer ser aceito livremente e por convicção. Expõe suas doutrinas e recebe
aqueles que vêm a ele voluntariamente.
Não procura desviar ninguém de suas convicções religiosas; não se dirige
àqueles que têm uma fé, e a quem essa fé basta, mas àqueles que, não estando
satisfeitos com aquilo que se lhe deu, procuram alguma coisa melhor.