Spiga

Suave Anoitecer



No suave anoitecer
Cantam doce melodia
Os melros, para dizer
Que assim se despede o dia

Despontam no horizonte
Por sobre o azul do mar
Acima da nossa fronte
Outros mundos a brilhar

Tudo à volta se aquietou
É a hora das perguntas
Porque será que aqui estou?
Quantas maravilhas juntas...

Nos mundos que vão rolando
Na imensidão escura
Há outros seres perguntando
Como eu, também à procura

Pede a Deus que te auxilie
Cada dia a ser melhor
Pode ser que Ele te envie
P'ra perto desse esplendor


Desenho: Maurício (Esp.)
Texto: Samuel (Esp.)

14.Setº.2014


in MINHAS PSICOGRAFIAS

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A grave crise do cristianismo se deve às doutrinas “vencidas”


José Reis Chaves

A grave crise do cristianismo se deve às doutrinas “vencidas”
 
 
 
Há séculos o cristianismo está em crise. À proporção que evolui a humanidade, crescem as dificuldades para a aceitação de algumas de suas doutrinas, o que causou as suas divisões.

E uma das questões que mais têm que evoluir é exatamente as doutrinárias religiosas, principalmente as relativas aos conceitos de Deus. Daí que eles sempre variaram e variam com o desaparecimento de uns e o surgimento de outros novos, mais lógicos e perfeitos. Por que, então, o cristianismo ficar na mesmice orgulhosa de sempre de que tudo o que os teólogos e as autoridades de sua alta hierarquia criaram no passado longínquo são verdades intocáveis, devendo os cristãos aceitá-las, cegamente, por todas as eternidades?

Já houve algum progresso. A Igreja manteve durante séculos como verdadeira a frase: “Fora da Igreja não há salvação”. Mas hoje, ela considera tal frase como “vencida”. O ensino de que as crianças que morressem sem batismo iam para o limbo foi também descartado. E, igualmente, a excomunhão dos espíritas e dos maçons caducou. Aliás, ninguém é mais excomungado pela Igreja por ser de outra religião ou por não crer em alguma doutrina dogmática. Porém o que foi feito até agora é muito pouco. São muitas as doutrinas polêmicas, as quais só vingaram porque foram impostas no passado pela força e com um ensino repetitivo à moda de lavagem cerebral.

As autoridades e os líderes da Igreja vêm insistindo atualmente em novos métodos de evangelização para incentivar mais a prática religiosa e, principalmente, a frequência maior dos fiéis às igrejas. Mas a crise grave do cristianismo, repetimos, é doutrinária. É o descrédito ou a pouca fé com relação a doutrinas complexas, confusas, misteriosas e que nada têm a ver com o verdadeiro ensino do excelso Mestre. É isso que provoca as divisões com polêmicas calorosas. De um lado, os defensores de doutrinas oficiais das igrejas, principalmente as da católica, e do outro, os que as rejeitam. E muitos não as contestam por ignorância, outros por estarem comprometidos com as igrejas.



O grande filósofo Descartes defendeu um pensamento muito oportuno ao que estamos dizendo. Segundo ele, ao menos uma vez na vida, para chegarmos à verdade nós temos que nos desligar de todas as ideias que aprendemos e começar a aprender tudo de novo. E é quando se trata de questões religiosas, principalmente as sobre Deus, que esse pensamento cartesiano é ainda mais verdadeiro. É que eram errôneas as ideias dos teólogos do passado a respeito de Deus. E isso se deveu ao atraso cultural das pessoas dos tempos passados, inclusive dos próprios teólogos. Em parte, é também por isso que fizeram muitas interpretações erradas da Bíblia, do que resultou, entre outros erros, o da antropomorfização ou humanização de Deus.

E é exatamente a antropomorfização de Deus a mais grave questão doutrinária do cristianismo. Como Deus é um ser infinito, entre Ele e nós há uma diferença infinitamente maior do que a que existe entre nós e um animal. E, no entanto, por ser Jesus um homem já perfeito, transformaram-No em outro Deus!

Recomendo o livro “Cirurgias Espirituais” (AME Editora, da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais, Belo Horizonte , 2014), feitas pelo famoso médium José Arigó, em Congonhas (MG), a partir da década de 1950 até 1971, quando desencarnou, de autoria da advogada Leida Lúcia de Oliveira, de Campinas (SP). Arigó foi até visitado por um grupo de cientistas da Nasa.
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Revista 'O Consolador' - 380

O Consolador
Revista Semanal de Divulgação Espírita 

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'Todos serão salvos, pois Deus até se preocupa mais com os maus'

 José Reis Chaves
 
Todos serão salvos, pois Deus até se preocupa mais com os maus
 
O projeto divino é infinito, ou seja, sem fim. E somente sabemos a respeito dele que tudo o que Deus cria é baseado no amor e na verdade, e que todo ele dará certo.

Pelo nosso nível de conhecimento atual, o homem é o ser mais importante criado por Deus. Alguém diria que seria o anjo. Mas o que é o anjo? Na crença judaico-cristã tradicional, ele é outra categoria de espíritos superiores enviados do mundo espiritual para nós. Mas, de um modo geral, nas outras culturas espiritualistas e, principalmente, na Bíblia e no espiritismo, o anjo é um espírito superior enviado, sim, mas humano. E ele é superior porque evoluiu, não existindo, pois, outra categoria especial de espíritos não humanos bons e maus. E até se diz anjo bom e anjo mau (ainda atrasado). Assim, o anjo bom Gabriel veio trazer para Maria de Nazaré a mensagem de que ela seria a Mãe do Messias. E Gabriel, um espírito humano, significa em hebraico “espírito iluminado”.





Mas vamos ao assunto principal desta matéria. “Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se extraviar, não deixará ele nos montes as 99, indo procurar a que se extraviou? E, se porventura a encontra, em verdade vos digo que maior prazer sentirá por causa dela do que pelas 99, que não se extraviaram.” (Mateus 18: 12 e 13). E, em Lucas (15: 4), nessa parábola, Jesus diz que o pastor busca a ovelha perdida “até a encontrar”. Isso quer dizer que Deus e Jesus não desistem jamais de conseguir, um dia, a salvação de todos os espíritos. E, nos céus, entre Deus, Jesus, Nossa Senhora e os espíritos já angélicos e os que ainda não chegaram a ser anjos, mas todos já salvos, há mais alegria quando uma alma se converte do que aquela alegria comum já existente entre eles.


Outro exemplo está na parábola do filho pródigo (Lucas 15: 11 a 32). Pródigo quer dizer “esbanjador”. Ele conseguiu receber adiantadamente de seu pai a sua herança e, depois de gastá-la toda em farras, caiu em sérias dificuldades para a sua sobrevivência, tendo passado fome e até desejado comer a ração dos porcos de que cuidava. Mas, de repente, “ele entrou em si” e resolveu voltar para seu pai. Nessa parábola, o pai, bondoso e tolerante com seu filho, recebe-o com todo o carinho, com um banquete e uma grande festa, a ponto de causar ciúme e revolta no filho mais velho. Com essa parábola, Jesus quis demonstrar-nos que o pai bondoso do filho pródigo agiu como age Deus com relação aos seus maus filhos. Aliás, Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10: 34). “E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu” (João 6: 39). “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8: 31). “Os sãos não precisam de médicos, e sim os doentes; não vim chamar os justos, e sim os pecadores.” (Marcos 2: 17).

É por isso que a reencarnação é também uma realidade. Sim, pois sem as novas chances de salvação proporcionadas por ela, a misericórdia infinita de Deus seria uma farsa! Mas como vimos, pela Bíblia, um dia, todos chegarão à salvação!


Recomendo o livro infantil (Coleção Educacional Emocional) “O Voo de Raxi”, do médico e médium psicógrafo Andrei Moreira, presidente da Associação Médico-Espírita de MG (Amemg), com a assistência da psicóloga e adaptadora Bianca Ganuza, da Universidade Estadual Paulista e da ilustradora e terapeuta ocupacional Patrícia Tavares formada pela UFMG, AME Editora – Editorinha – Belo Horizonte (MG), 2014.

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Palavras à Deriva




A linguagem falada e escrita é um substituto provisório da linguagem do pensamento, prevalecente no Mundo Espiritual.

Imperfeita e insuficiente, à palavra dita ou impressa falta a intenção exacta do emissor.

Sem o impulso do coração de quem a profere, a palavra é um veleiro sem vento.

Ao receberes qualquer mensagem, cuida de averiguar o rumo que lhe imprimiram. Decisões infelizes são tomadas com base no próprio juízo, quantas vezes precipitado, sobre as palavras alheias. Naufragam amizades, crenças e bons propósitos, devido a equívocos facilmente evitáveis.

Humberto

ENLSB, 7.9.2014

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Revista 'O Consolador' - 379

O Consolador
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"A Morte de Dimas" - curta-metragem

"Como ocorre a morte? Este é um curta metragem espírita baseado no livro " Obreiros da Vida Eterna", de André Luiz, editora FEB, que narra o processo de desencarnação de Dimas."



 

Esclarecemos os nossos leitores menos familiarizados com o Espiritismo, que os romances mediúnicos, como este, fazem descrições necessariamente aproximadas, em linguagem que nós, os encarnados (os "vivos") consigamos entender, por comparação com a realidade que nos é familiar. 

Na Codificação (as obras básicas da doutrina Espírita), os Bons Espíritos esclarecem que não há linguagem humana para descrever com exactidão as coisas do Mundo Espiritual. Ainda assim, leituras e filmes como este, são edificantes e úteis.

Em nossa opinião, trata-se de um excelente trabalho, esta versão cinematográfica da obra do Espírito André Luiz.

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'Se religião nos leva à desarmonia, é melhor então ficarmos sem ela'

José Reis Chaves


Se religião nos leva à desarmonia, é melhor então ficarmos sem ela 

É de santo Agostinho a definição de religião. Segundo ele, essa palavra deriva-se do verbo latino “religare” (religar). Então, religião é o que nos liga de novo a Deus, do qual nos afastamos, usando mal o nosso livre arbítrio. Não é, pois, por causa da doutrina do chamado “pecado original”, que respeito, mas porque nós mesmos pecamos desde que nós, pela evolução, nos tornamos espíritos humanos, ou seja, o Homo sapiens, homem inteligente, dotado de livre arbítrio e responsável, pois, pelo que faz ou deixa de fazer.

De um modo geral, direta ou indiretamente, as religiões, principalmente o cristianismo, pregam o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Esse é o grande e o primeiro mandamento. O segundo, semelhante a esse, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mateus 22: 37 a 40).

Amar a Deus parece ser muito fácil, pois quem diria não O amar? Mas não é, pois o amor a Deus depende do nosso amor ao nosso semelhante, que tem que ser igual a nós mesmos. “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisso conhecereis todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.” (João 13: 34 e 35). É isso, realmente, que caracteriza o verdadeiro cristão. Não são, pois, as crenças e os rituais que fazem do indivíduo um cristão.

E vejamos outro exemplo esclarecedor do ensino do excelso Mestre: “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta. Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão. Em verdade te digo que não sairás dali enquanto não pagares o último centavo” (Mateus 5: 23 a 26).

Nesse texto evangélico do Sermão da Montanha, ou das Bem-aventuranças, está a essência da Bíblia, do cristianismo, enfim, da mensagem que o Mestre dos mestres veio trazer de Deus para nós. E ela não é para o bem de Deus, para Ele ficar mais feliz e em melhor situação, mas para o bem e felicidade de nós próprios.





Ela nos ensina, ainda, que estarmos bem com o nosso próximo é melhor do que estarmos fazendo ofertas a Deus, que não precisa delas e de nada de nós. Ensina-nos também a grande verdade da lei de causa e efeito, ou seja, da semeadura livre e da colheita obrigatória do que foi semeado. E ainda podemos concluir dela mais a grande verdade não ensinada pelos líderes religiosos: a de que só pagamos o que devemos, e nada mais. Pago o último centavo de nossa dívida, estaremos, pois, quites. E isso derruba por completo, e de modo claro e inquestionável, as chamadas “penas eternas” oriundas das interpretações bíblicas erradas dos teólogos e exegetas do passado.

E o pior é que eles, teimosamente, continuam nos seus erros. Daí as grandes desarmonias entre cristãos, muitos dos quais, com razão, até estão se tornando pessoas sem religião!

Embora eu não concorde com algumas ideias do autor, recomendo o livro “Jesus é Maior que a Religião”, de Jefferson Bethke, da Ed. Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro (RJ). www.thomasnelson.com.br.

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Revista 'O Consolador' - 378


O Consolador
Revista Semanal de Divulgação Espírita 

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'IGUALDADE E DESIGUALDADE SOCIAL DO PONTO DE VISTA REENCARNACIONISTA'

Acompanhamos pela Internet, através das redes sociais, os legítimos clamores populares em face do atual cenário político brasileiro. Observa-se pujante manifesto de reproche da massa, considerando os caminhos obscuros que representam para o futuro da Pátria do Evangelho o presumível hasteamento da bandeira afogueada do ideário extremista. O inconsciente coletivo está provido de fatos históricos contemporâneos em cuja ribalta a “universal” flâmula rubra do absolutismo materialista foi desfraldada sobre os entulhos cadavéricos de milhões de cidadãos chineses , soviéticos, cubanos, norte-coreanos, trucidados nos últimos 50 anos.

Nos dois últimos séculos a violência ideológica engendrou o cenário vastíssimo de lutas inglórias. Todas as ciências sociais têm sido solicitadas para os grandes debates sobre o capitalismo e o comunismo. O Espiritismo se apresenta na discussão a fim de encorajar a luta pela paz, a fim de que não se perca os bons frutos dos que trabalharam e padeceram no esforço penoso da harmonia de todos. Com as comprovações da sobrevivência, o Espiritismo vem reabilitar o Evangelho, esparzindo, igualmente, os perenes preceitos do Mestre de Nazaré na intimidade do coração humano.

Sob o pilar da reencarnação, a Doutrina dos Espíritos elucida a incoerência das teorias do igualitarismo [comunismo], coopera no reparo do adequado caminho da evolução social. Emoldurando o socialismo nos apelos cristãos, não se deslumbra com as reformas exteriores, para rematar que a excepcional renovação considerável é a do homem interior, célula viva do organismo social de todos os tempos, pugnando pela ativação dos movimentos educativos da criatura, à luz eterna do Evangelho do Cristo.

O Espiritismo anuncia o regime da responsabilidade, em que cada Espírito deve enriquecer a catalogação dos seus próprios valores. “Não se engana com as utopias da igualdade absoluta [comunismo], em vista dos conhecimentos da lei do esforço e do trabalho individual, e não se transforma em instrumento de opressão dos magnatas da economia e do poder [capitalismo], por consciente dos imperativos da solidariedade humana”. 1

Não adota o princípio das revoluções por questões menores, porque exclusivamente a evolução é o seu anfiteatro de atividade e de experiência, afastado de todas as guerras pela compreensão dos laços fraternos que reúnem a comunidade universal, “ensina a fraternidade legítima dos homens e das pátrias, das famílias e dos grupos, alargando as concepções da justiça econômica e corrigindo o espírito exaltado das ideologias extremistas”. 2

Indagado sobre a desigualdade verificada entre as classes sociais, o Espírito Emmanuel esclareceu que “a desigualdade social é o mais elevado testemunho da verdade da reencarnação, mediante a qual cada espírito tem sua posição definida de regeneração e resgate. Nesse caso, consideramos que a pobreza, a miséria, a guerra, a ignorância, como outras calamidades coletivas, são enfermidades do organismo social, devido à situação de prova da quase generalidade dos seus membros. Cessada a causa patogênica com a iluminação espiritual de todos em Jesus Cristo; a moléstia coletiva estará eliminada dos ambientes humanos”.3

Refletindo sobre o ideário comunista, o mentor de Chico Xavier elucida o seguinte: “a concepção igualitária absoluta [comunismo] é um erro grave em qualquer departamento da vida. A tirania política poderá tentar uma imposição nesse sentido, mas não passará das espetaculosas uniformizações simbólicas para efeitos exteriores, porquanto o verdadeiro valor de um homem está no seu íntimo, onde cada espírito tem sua posição definida pelo próprio esforço”. 4

Allan Kardec pronuncia que “a desigualdade das riquezas é um dos problemas que em vão se procuram resolver, quando se considera apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é a seguinte: Por que todos os homens não são igualmente ricos? Por uma razão muito simples: é que não são igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar”.5 Para o Codificador “a pobreza é para uns a prova da paciência e da resignação; a riqueza é para outros a prova da caridade e da abnegação. Razão pela qual o pobre não tem, portanto, motivo para acusar a Providência, nem para invejar os ricos, e estes não o têm para se vangloriarem do que possuem. Se, por outro lado, estes abusam da fortuna, não será através de decretos, nem de leis suntuárias, que se poderá remediar o mal”. 6

Deus nos outorga a todos uma oportunidade idêntica ante a dinâmica do tempo. Todos temos os direito de conquistar a sabedoria e o amor pelo cumprimento do dever e do entusiasmo individual. Impregnamos o próprio mapa de méritos nas lutas do dia a dia. Sobre as questões proletárias, obviamente elas podem ser resolvidas sem violências, sobretudo quando forem categoricamente aceitos e aplicados os princípios abençoados do Evangelho. “Os regulamentos apaixonados, as greves, os decretos unilaterais, as ideologias revolucionárias, são cataplasmas inexpressivas, complicando a chaga da coletividade. Todos os homens são proletários da evolução e nenhum esforço de boa realização na Terra é indigno do espírito encarnado. Cada máquina exige uma direção especial, e o mecanismo do mundo requer o infinito de aptidões e de conhecimentos”. 7

A harmonia da sociedade não virá por decretos, nem de parlamentos que caracterizam sua ação por uma força excessivamente passageira. É desnecessário desviarmos o tempo com debates inócuos a fim de identificarmos o desengano das teses de Karl Marx. Reafirmamos que seus seguidores (sequer creem em Deus) “sonham com a igualdade irrestrita das criaturas, sem compreender que, recebendo os mesmos direitos de trabalho e de aquisição perante Deus [acreditem ou não!], os homens, por suas próprias ações, são profundamente desiguais entre si, em inteligências, virtude, compreensão e moralidade”. 8

Com magna acuidade o notável Leon Denis proferiu: “O Espiritismo é, ninguém se engane, um dos maiores acontecimentos da história do mundo. Assim hoje, em face das doutrinas religiosas enfraquecidas, petrificadas pelo interesse material, impotentes para esclarecer o Espírito humano, ergueu-se uma filosofia racional, trazendo em si o germe de uma transformação social, um meio de regenerar a Humanidade, de libertá-la dos elementos de decomposição que a esterilizam e enodoam”. 9

Jorge Hessen

Referências bibliográficas:

1 Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1977
2 Idem
3 Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, questão 55
4 Idem, questão 56
5 Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVI, item 8, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1990
6 Idem
7 Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, questão 57
8 Idem, questão 234
9 Denis, Leon. Depois da Morte, capitulo 24, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1998


- Artigo de Jorge Hessen, publicado originalmente no site  A LUZ NA MENTE, e aqui reproduzido com autorização do autor.

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