Spiga

"Medicina e Espiritismo", Hoje na TVI


Hoje, quarta-feira. dia 11 de Novembro de 2009, o tema do programa "Tardes da Júlia", da TVI, apresentado por Júlia Pinheiro, será "Medicina e Espiritismo".

Conquista

P.919- Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atracção do mal?
“Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.”


Esta pergunta, como todas as outras que constam n`O Livro dos Espíritos, é de uma sapiência impressionante. A resposta, curta, revela o carácter dos Bons Espíritos: o dizer muito por poucas palavras.

Nós, humanos, somos sem duvida engraçados, (claro que estou na linha da frente). Complicamos. Ai se complicamos! Estamos sempre à espera de milagres.
Procuramos ainda uma fórmula que venha por cobro às nossas más tendências.
Dizemos: a carne é fraca.
E o Espírito, o que é então? Será forte?
Será que o mal vem ter connosco, ou nós que sintonizamos com ele?

É importante conhecermo-nos bem!
Na maioria das vezes julgamos consegui-lo, até que um obstáculo nos aparece e lá percebemos que afinal pensávamos ter tudo controlado. Tombamos!

Torna-se fastidioso estar aqui a enumerar o mal em que podemos incorrer, por isso, centremo-nos no que temos que fazer para o ultrapassar.

O Espiritismo tem em nós um grande efeito: a responsabilidade. Somos responsáveis pelo que pensamos, ou fazemos, quer em nós próprios, quer nos outros.
Vivemos o dia-a-dia aturdidos nos imensos afazeres, embrenhados no consumismo desenfreado. Mil e uma setas são disparadas contra nós. Setas, de ódio, indiferença, inveja, ciúme, vaidade, etc. Numa altura em que a sociedade está rica de materialidade e pobre de espiritualidade, fácil se torna sintonizemos com todas essas ondas mentais que nos rodeiam. O resultado? – Pensamos e agimos também no mal.

Qual a proposta então?
Aceitemo-nos tal como somos, e procuremos ver o próximo como aquilo que ele é: um irmão.
Procuremos então esquecer o mal que nos fazem, e procurar não reagir a essas tentativas, mas agir!
Ler uma pequena página de um livro que nos acalme, colocar uma música também calma, e tentar sintonizar com a Espiritualidade Superior. Nesse clima tranquilo, busquemos os feitos do dia, [A quem prejudicámos? Com que intenção o fizemos? O que poderíamos ter feito para o evitar? Qual o teor dos nossos pensamentos? Estou em paz comigo?]. Estas poderão ser algumas reflexões. Procuremos abraçar, mentalmente, todos aqueles que, por diversos motivos, prejudicámos, e também aqueles que nos prejudicaram. Coloquemo-nos no lugar do outro; como seria a nossa reacção se nos fizessem o que lhes fizemos?
Pensemos nisto.

Percebemos então, que de modo algum existem fórmulas mágicas para escaparmos ao mal, mas sim todo um esforço individual para, passo a passo, nos irmos conquistando, superando.

É um esforço diário, individual, e que exige uma grande dose de perseverança.
Todo este esforço cria em nós um equilíbrio energético, saudável, permitindo um melhor preparo para as diversas situações que se nos deparam. Aos poucos vamos deixando a inclinação para o mal dando lugar à conquista do bem.

O Espírita tem, portanto, grandes responsabilidades em todo este processo, uma vez que tem a consciência espiritual do seu estado e sabe, que nada está ao acaso; todo e qualquer obstáculo apresenta-se como o melhor meio para provar de que é capaz fazer melhor. Sabe que tem um passado que se projecta hoje, no presente. Do mesmo modo sabe que amanhã, numa outra reencarnação, será o resultado do que fizer hoje.

Abraço

Alamar - "A vaidade que alguns condenam"



Exageros e absurdos de um espiritismo mal concebido

A vaidade que alguns condenam


Nos movimentos religiosos é muito comum a diversidade de interpretações. Cada um vê as coisas conforme os seu conceitos pessoais, a sua capacidade de raciocinar e o seu nível de equilíbrio, inclusive emocional. O pior é que muitos formatam conceituações e querem que todos os outros sigam os seus modelos. O movimento espírita não foge disto.

Eu já falei sobre este assunto, em artigos anteriores, mas hoje quero tratar dele mais especificamente.

É muito comum a gente escutar, na grande maioria dos centros espíritas, algum palestrante, expositor, conselheiro ou escritor pronunciar esta frase:

- “Nós precisamos combater o orgulho, o egoísmo e a vaidade”.

É impressionante o quanto esta afirmativa é repetida, em nosso movimento.

Isto é dito de uma forma como se essas três coisas, que devemos combater, fossem as coisas mais terríveis do mundo, como se essas práticas fossem crimes graves praticados por nós, no dia-a-dia.

Está correto, sim, que na instituição espírita devemos orientar as pessoas (incluindo-nos no meio) quanto a reforma íntima e moral, à luz da nossa doutrina, falando das falhas que geralmente cometemos, dos nossos erros, nossa invigilância, nossos deslizes, vícios, paixões... etc.

Mas, por que falamos tanto no combate ao orgulho, ao egoísmo e a vaidade e não falamos, com a mesma intensidade, no combate à inveja, às manias de fofocas, intrigas, maus pensamentos, julgamentos precipitados, conclusões com base no achismo, decisões precipitadas para prejudicar os outros, mau humor constante de alguns, pessimismo, masoquismo, disputa por cargos a qualquer custo, patrulhamentos das vidas das pessoas, críticas infundadas, disposição de criticar sempre, mas elogiar nunca... e tantos males praticados por nós, muitos deles piores que esses tão repetidamente falados?

Mas não é nem este o questionamento que quero fazer, aqui; o que quero dizer é com respeito a outro aspecto:

Por que tem que misturar vaidade com orgulho e egoísmo?

É como se fosse a nossa “justiça” que coloca na mesma penitenciária uma pessoa que apenas roubou 250 gramas de margarina, num supermercado, para matar uma fome, com outros detentos que praticaram sequestros seguidos de morte e outros bandidos perigosos e assassinos. Tem sentido?

O orgulho é uma praga, sim, o egoísmo também, mas por que teríamos que condenar a vaidade como se fosse um mal praticado por nós?

Que tal a gente raciocinar um pouquinho, para entendermos bem onde é que o Alamar quer chegar?

Vamos lá:

Você conhece alguém, que tem problema de vista, que vá a uma óptica comprar uma armação de óculos, sem colocar algumas no rosto e se olhar num espelho? A pessoa sempre escolhe a que lhe fica melhor.

Conhece alguém que vá a uma loja comprar um sapato, ou um ténis, e diz para o vendedor: Me dê qualquer um, que atenda ao meu número, já que eu não costumo escolher escolher modelo nenhum? Sempre escolhe e opta pelo que lhe fica melhor.

Conhece alguém que vá a uma loja de roupas e pega qualquer roupa, sem olhar bem as diversas opções e decida por aquela peça que FICA BEM em seu corpo?

O que significa essas coisas, se não a manifestação da nossa vaidade, em procurar, naturalmente aquilo que fica melhor na gente, que, ao nosso ver, fica mais elegante, mais bem vestido e nos apresenta melhor?

Por quais motivos teríamos que condenar isto?

Quando você encontrar uma daquelas senhoras, “trabalhadoras da casa”, que vivem repetidamente condenando a vaidade, pergunte para elas:

Por que a senhora corta o seu cabelo de tempo em tempo? Por que motivo não os deixa crescer?

Por que, quando no salão, recomenda a cabeleireira para que corte conforme um determinado modelo, escolhido por você?

Por que passa o pente ou a escova nesse cabelo, todos os dias?

Por que utiliza algum baton nos lábios, para ir ao centro espírita?

Por quais motivos veste-se com um bom vestido, arruma o cabelo, usa algum colar, pulseira, calça um bom sapato e conduz a melhor bolsa que tem, quando vai a um casamento, festa de colação de grau ou uma festa qualquer?

Uai, isto não é o exercício da sua vaidade?

Por que você providencia trocar os móveis da sua sala, quando eles estão surrados, desbotados, feios, manchados e mal apresentados?

Isto não é uma preocupação em cuidar bem do nosso visual e do visual das nossas coisas aos olhos dos outros?

Qual o mal que há nisto?

E o dirigente espírita, aquele também rigoroso quanto a isto, que usa bigode, mas cuida de apará-lo, de vez em quando?

Por que ele faz a barba? Por que penteia o cabelo? Por que escolhe uma determinada gravata para comprar? Por que, quando vai a uma festa, procura vestir a melhor roupa que tem em casa e não vai com aquela calça surrada do dia-a-dia?

Por que compra desodorante perfumado em um supermercado e não utiliza limão no sovaco?

Por que quando quebra um dente da frente, corre imediatamente para o dentista, para providenciar logo a restauração, porque não se sente bem em se apresentar, para as pessoas, sem aquele visível dente ou com ele quebrado?

Por que na compra de um carro escolhe uma cor e um modelo?

Gente. Todas essas coisas fazem parte da nossa vaidade!

Por acaso, o espelho que temos em casa é coisa do “demónio”?

Devem ser condenadas as fábricas de batons, de perfumes, de desodorantes, de esmaltes de unhas, de cremes para a pele, de meias finas, as bijutarias, os salões de belezas, as cirurgias plásticas estéticas e até as academias de ginástica?


Que todos me desculpem, mas tem muita gente aí praticando verdadeiras palhaçadas nas suas relações com os outros, na casa espírita. Há muito tempo que isto acontece.

É daí que vem aquela orientação besta que convida as pessoas a frequentarem o centro espírita vestidas com as chamadas roupas “sóbrias”.

Ora, que vão caçar o que fazer.

O Adolf Hitler só usava roupas em cores sóbrias, no entanto foi aquilo que todos nos sabemos. Inclusive falava e escrevia impecavelmente perfeito, do ponto de vista gramatical, e ainda era vegetariano.

O que é relevante ao ser, a forma ou o conteúdo?

O Brasil viveu a época do movimento hippie, quando pessoas usavam roupas de saco de serapilheira, chinelos feitos de sola, barbas por fazer, cabelos por fazer, quando conduziam alguma sacola ou bolsa, geralmente eram também feitas em sola crua.

Pra que aquilo?

Era para dar impressão AOS OUTROS, de que elas eram humildes. Apenas para dar impressão aos outros, nada mais.

Certa vez, chegando em Vitória da Conquista, de férias que eu estava da Escola de Aeronáutica, encontrei um amigo de infância que estava com todas as suas roupas feitas a partir de sacos de açúcar, adquiridos em mercearias. Nem bainha tinha nas calças do infeliz.

Já que eu andava muito bem vestido, ele partiu com críticas para cima de mim, da forma mais antipática que se pode imaginar, recusou-se a querer conviver comigo, durante aquele curto período de férias, como os outros amigos de época, foi orgulhoso e besta ao extremo.

Mas se dizia humilde, por conta daquela CASCA que resolveu adoptar.

Meu amigo e minha amiga, a vaidade não faz mal a ninguém e, muito pelo contrário, é uma forma que a gente tem de cuidar da gente, de dar um bom trato ao nosso corpo, que é a máquina abençoada que Deus nos deu por algum tempo, e não há nenhum pecado nisto.


O excesso é que faz mal!!!!

Do mesmo jeito que a comida não faz mal, mas o excesso de comida faz; tomar café não faz mal, mas ficar tomando café de hora em hora, como alguns fazem, termina por prejudicar; sentar não faz mal, mas a vida sedentária faz; vaidade não faz mal, mas o excesso faz.

Uma pessoa que fica escrava da vaidade, fica chata por causa da sua vaidade, fica nojenta, petulante, metida e só sabe fazer coisas que atendam aos interesses da sua vaidade e do querer aparecer, aí é outra coisa.

Isto sim, deve ser observado e combatido.

Lembro-me da minha mãe, uma mulher incomum, mulher constantemente bem humorada, só vivia na brincadeira com todo mundo, cheia de qualificativos que normalmente não se viam e nem se vê em mulheres comuns: pilotava avião, lutava judo, falava 8 idiomas, jornalista que foi a primeira mulher repórter do Brasil, a mais ágil dactilógrafa que já vi em toda a minha vida, tirava homem pra dançar, jamais se admitiu submissa ao machismo, jornalista bem informada que discutia qualquer assunto com qualquer um... enfim, uma mulher diferente, mas que tinha um problema sério: era escrava da vaidade e chegava a ser chata, por causa disto. Não abria a porta e nem me permitia que abrisse a porta do apartamento, quando chegasse alguém, antes de ir ao banheiro recorrer-se ao baton e a um ajeitamento no cabelo, se possível passar alguma coisa na cara. Sofreu, por causa disto.

Pois é.

Com este artigo, quero sugerir às pessoas que não se deixem levar por certas orientações de espíritas que são mais masoquistas do que praticantes do Espiritismo.

Cuide de você, sim.

Que a mulherada trate enfrentar o espelho, em casa, dar uma zoiada nas banhas, pra ver se não precisa dar um cuidadozinho pra derreter alguns quilinhos. Um laquê no cabelo, de vez em quando, e um pó cashmere bouquet na cara, não faz mal a ninguém. Puxar o marido pra sair pra dançar, desenferrujando os dois, faz um bem enorme. Se ele quiser ficar sentado na mesa do clube, peidando e dizendo que está cansado, problema dele, tire os amigos pra dançar e se esbalde no salão, até perder quilo e meio de banha. Já terá valido a pena.

Falar nisso, eu tenho uma amiga leitora, que já chegou a uma certa idade, foi na minha onda, resolveu insistir com o marido que a levasse para dançar, se empolgou tanto no pagode, rebolou tanto que a dentadura terminou caindo no salão. Hoje, não quer mais dançar e diz que ficou morrendo de vergonha.

Ora, cumadi, isto não é problema não, use corega que segura, e volte lá para sacudir o esqueleto, que isto faz bem.

Os homens também, não devem se intimidar por essa orientação maluca de que não devem se cuidar; devem sim. Tem que parar com essa bobagem de achar que é viado, o homem que se cuida bem. Muito pelo contrário, os que mais adoptam esses conceitos estúpidos são os que mais tem problemas de ordem sexual desajustada.

O importante é a gente viver a nossa vida, bem vivida, aqui na Terra, divertindo-se ao máximo, cuidando bem da gente mesmo, amando a gente mesmo já que poucas são as pessoas que se cuidam do amor próprio.

Aí fica essa orientação, também carregada de bondade de araque, que diz que a gente deve cuidar dos outros.

Mentira, as coisas não devem ser assim não.

A Doutrina Espírita, em conformidade com o Evangelho do Cristo, orienta-nos muito bem acerca dessa disposição que a gente deve ter em fazer pelo nosso próximo e em amar esse próximo, sobretudo aos mais necessitados. Mas em momento algum ela ensina que devemos amar SÓ ao nosso próximo, nos abandonando à própria sorte.

Ninguém consegue dar o que não tem, isto não é filosofia não, é ciência, é lei natural da vida.

O próprio Jesus, o nosso maior Modelo e Guia, quando nos ensinou o “amai ao vosso próximo...” deixou bem claro o COMO A SI MESMO.

Será que ele estava errado?

Posso garantir e todo mundo pode constatar isto, lendo e estudando bem as nossas Obras Básicas, com critério e sem amarras religiosas: O Espiritismo não ensina ninguém a ser masoquista, não recomenda o mau gosto, não faz apologia ao sofrimento nem estimula ninguém a não se divertir, concebendo as coisas materiais todas como pecaminosas e abomináveis à Deus.

Então, que repensemos esses conceitos malucos, que passemos esta questão por um crivo de racionalidade e depois você me diga se eu tenho ou não tenho razão.

Abração,

Alamar Régis Carvalho

alamar@redevisao.net

www.redevisao.net

vote em Allan Kardec

Olá

no site "WHO POPULAR" está a votação Chico Xavier e Divaldo Pereira Franco, mas, noutra categoria não concorrente está aquele que escreveu pela primeira vez a palavra "espiritismo": ALLAN KARDEC

Kardec está na categoria: Scientists & Academicians


votem aqui:

Kardec merece o seu voto

bem hajam

Esperança


Há dias conversando com pessoa amiga, confidenciava-me que a vida estava perdida. Não havia solução. Problemas no lar, que se arrastavam há muito; o trabalho estava envolto na crise que teimava em desaparecer. Até então nunca havia ido ao médico, e até isso parecia estar contra ela, pois ultimamente já tinha marcado umas quantas consultas.
Por vezes, quando perdemos a fé, e também a esperança, tudo se nos afigura como sombra. Nada parece dar certo. Nessa altura baixamos os braços, preferindo meter a cabeça debaixo da terra, tal qual a avestruz.
O Espiritismo, sendo uma doutrina consoladora, traz-nos a moral de Jesus. É qual fonte onde nos saciamos com água fresca. Aí aprendemos que afinal, tais problemas da vida, não são mais simples erros do Criador, mas sim contingências da vida dando-nos oportunidade ao buril.
Os espíritos são unânimes a ponto de dizerem: “Crê e trabalha”. Simples palavras cheias, no entanto, de uma profundidade enorme que nos impelem a levantar os braços, na certeza de que tudo quanto nos acontece é por permissão da Divindade, e por conseguinte o melhor para nós.
Eis o Espiritismo, doutrina pacificadora, mostrando-se como uma luz no nosso caminho. Essa luz traz-nos a vontade, o esforço de mudança. Mudança essa, interior, que nos garante a renovação, entendendo, então, os ditames do Alto.
Não mais as dúvidas, não mais o desânimo, ou o queixume. Cede-se, finalmente, lugar à resignação, mas não aquela que apenas conforma, e sim a que nos faz crescer.
Elevemos, pois, o nosso olhar e caminhemos; lutemos e possamos servir; aprendemos e adiantemo-nos.
Tal como o Sol vem aclarar as sombras, espargindo-se nas mais diversas formas de vida, também o Espiritismo vem abanar as consciências, mostrando que a tempestade por qual passa teu coração, e que te atormenta até não mais poderes, é tão somente a benevolência de Deus em acção, permitindo-te o desabrochar para novas oportunidades rumo ao que temos de mais certo: a felicidade!

“Mas não é fácil”, retorquiu ela.
- Claro que não é fácil! Alguém disse que o era?

Perante qualquer cenário que se nos afigure, a proposta do Espiritismo é simples: ou evoluímos pela dor, ou pela via do amor. A escolha é nossa.
Deus, que nos conhece bem, sabe quanto valemos, e por isso mesmo não nos abandona, dando-nos sempre a responsabilidade dos actos, e também a força necessária para passarmos à etapa seguinte.
Desânimo? - Nunca!

Abraço

Rivalidade na Escola

"
Poucas serão as escolas em que o mestre não anime entre os alunos o espírito de emulação;
aos mais atrasados apontam-se os que avançaram como marcos a atingir e ultrapassar; e aos que ocuparam os primeiros lugares servem os do fim da classe de constantes esporas que os não deixam demorar-se no caminho, cada um se vigia a si e aos outros e a si próprio apenas na medida em que se estabelece um desnível com o companheiro que tem de superar ou de evitar.

A mesquinhez de uma vida em que os outros não aparecem como colaboradores, mas como inimigos, não pode deixar de produzir toda a surda inveja, toda a vaidade, todo o despeito que se marcam em linhas principais na psicologia dos estudantes submetidos a tal regime; nenhum amor ao que se estuda, nenhum sentimento de constante enriquecer, nenhuma visão mais ampla do mundo; esforço de vencer, temor de ser vencido; é já todo o temperamento de «struggle» que se afina na escola e lançará amanhã sobre a terra mais uma turma dos que tudo se desculpam.

Quem não sabe combater ou não tem interesse pela luta ficará para trás, entre os piores; e é certamente esta predominância dada ao espírito de batalha um dos grandes malefícios dos sistemas escolares assentes sobre a rivalidade entre os alunos; não se trata de ajudar, nem de ser ajudado, de aproveitar em comum, para benefício de todos, o que o mundo ambiente nos oferece; urge chegar primeiro e defender as suas posições; cada um trabalhará isolado, não amigo dos homens, mas receoso dos lobos; o saber e o ser não se fabricam, para eles, no acordo e na harmonia; disputam-se na luta.

Urge quanto antes alargar a reforma radical que as escolas novas fizeram triunfar na experiência; que só haja dois estímulos para o trabalho nas aulas: a comparação de cada dia com o dia anterior e com o dia futuro e o desejo de aumentar o valor, as possibilidades do grupo; por eles se terá a confiança indispensável na capacidade de realizar e a marcha irresistível da seta para o alvo; por eles também o sentido social, o hábito da cooperação, a tolerância e o amor que gera a convivência em vez de um isolamento de caverna e de uma agressividade permanente; a vitória de uma ideia de paz sobre uma ideia de guerra.


Agostinho da Silva, in 'Considerações'


Texto e foto retirados do blog do Professor Ramiro Marques.


Não terá directamente a ver com Espiritismo, mas tem a ver com pedagogia espírita, com pedagogia cristã, com pedagogia de valores nobres.

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Os Artigos Espíritas do Lucas mudaram de instalações, podem aceder ao novo espaço em http://artigosespiritaslucas.blogspot.com/

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