Spiga

O hospital

– Sente-se melhor? – perguntou Ivone enquanto lhe afagava a testa.



Despertando do sono, Júlio processou aquela questão o melhor que podia – Melhor? Melhor de quê?! – pensou enquanto tentava situar-se – Onde raio estou eu? Quem é esta? – continuando sem responder levantou ligeiramente a cabeça da almofada e olhou à sua volta.



Encontrava-se no que parecia ser um hospital, confuso olhou para a senhora que o interpelava e questionou-a – O que me aconteceu?



– Calma – respondeu-lhe amavelmente a simpática enfermeira e com a ajuda de um aparelho levantou lentamente as costas da cama articulada colocando-o praticamente sentado – Beba um pouco desta água – levou-lhe gentilmente um copo com água à boca e Júlio deu dois pequenos goles, de seguida ela pousou o copo numa mesinha que estava ao lado, fechou os olhos e esticou os braços sobre a zona abdominal do paciente, assim permaneceu alguns segundos, até que com uma das mãos e sempre sem lhe tocar iniciou alguns movimentos circulares no sentido dos ponteiros do relógio, depois subiu os braços um pouco mais e ficou com as mãos imóveis sobre a sua zona torácica – Mas que raio me estará ela a fazer? – pensou Júlio ao mesmo tempo que se apercebia estar a ficar bastante mais tranquilo, sentia uma paz incrível a invadi-lo, por fim observou a enfermeira a empunhar as mãos por cima da sua cabeça e a dizer-lhe – Relaxe, já se consegue recordar?



Júlio embora confuso sentiu uma espécie de energia a envolver-lhe o cérebro e nesse momento algumas recordações assolaram-lhe a mente aos poucos!



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Ia de carro e tinha acabado de discutir com a sua mulher, estava furioso, não tolerava a ideia de dar de mão beijada metade da herança que lhe cabia por direito a um irmão bastardo aparecido como por magia, já não bastava a decisão do tribunal e aquela parva ainda lhe dizia para ele não estar assim, que o tal irmão era uma pessoa que precisava mais do que eles e não sei o quê – tretas, o dinheiro é meu!! – e pisou um pouco mais no acelerador.



Conhecia bem a estrada, não havia trânsito e estava com pressa para chegar ao escritório do seu advogado, tinha de existir uma forma de dar a volta a isto, o outro bastardo filho da mãe não lhe iria ficar com o dinheiro – isso é que era bom, grande palhaço! – pensou enquanto olhou de relance para o telemóvel, não tinha o Bluetooth ligado – preciso ligar ao doutor para ele esperar por mim – acedeu às definições do aparelho e numa altura em que desviou da estrada o seu olhar por mais tempo do que devia, as rodas direitas saíram do alcatrão, num reflexo largou o telemóvel, agarrou no volante com as duas mãos e guinou à esquerda, mas a velocidade era excessiva, perdeu o controle do veiculo e enfeixou-se violentamente numa árvore.


Deve ter perdido a consciência e só se lembra de acordar no hospital, tinha muitas dores e havia uma grande azafama à sua volta – Mantenha os olhos abertos, vai ficar bem, está a ouvir-me? – disseram-lhe, mas não conseguiu responder e perdeu a consciência novamente.


Não sabe quanto tempo esteve internado e possivelmente o acidente afetou-lhe algo na cabeça pois não se recorda do dia em que teve alta hospitalar, mas felizmente já se encontra em sua casa, ou por outra achava ele que era felizmente, na verdade estava a iniciar o período mais perturbador da sua vida.
A esposa estava tão chateada com a discussão que tiveram que nem lhe dirigia a palavra, nem uma só palavra e isto dia após dia, só chorava pelos cantos e nem um chá lhe preparava!


Desesperou-se, gritou até lhe faltar a voz, ia para a janela gritar a quem passava e nada, ninguém lhe ligava absolutamente nenhuma!


Para piorar a situação percebe que metade do seu dinheiro foi mesmo entregue ao irmão sem o consultarem ou informarem sequer.


Passou a estar em revolta, não sabe quanto tempo esteve naquela situação, mas o ódio cresceu no seu interior e era cada vez maior, estava louco mas não iria ficar louco sozinho, chegou ao ponto de seguir a sua mulher um dia inteiro gritando-lhe aos ouvidos consecutivamente – ODEIO-TE, ODEIO-TE, HEI-DE ENLOUQUECER-TE SUA ESTÚPIDA! – a sua fúria não tinha fim e ela estava a ser forte, embora se mostrasse incomodada e vertesse umas lágrimas de quando em vez, continuava impassível sem lhe falar!


Passado um tempo (e tempo foi coisa que deixou de conseguir definir), observou a sua mulher a orar, ela tinha esse hábito quando era mais nova, depois desligou-se e pelos vistos agora teve necessidade de se voltar novamente para Deus, virou-lhe as costas, não lhe estava a apetecer aturar crendices e superstições, no entanto recordou-se da sua avó.


Quando era miúdo a avó fazia questão que ele rezasse sempre antes de dormir e ensinava-lhe que ao precisar de ajuda deveria voltar os seus pensamentos para Deus.


Estava extenuado e aquela recordação de calma em miúdo provocou-lhe instintivamente necessidade de orar também, assim fez, fechou os olhos e virou o seu pensamento para Deus, um Deus em que ele nem acreditava, mas a nostalgia tem destas coisas e assim permaneceu durante longos minutos.


Possivelmente adormeceu pois não detetou os visitantes a chegar, mas deu por si agarrado e sem conseguir reagir foi levado de casa contra sua vontade, embora imóvel e sem conseguir dizer palavra, debatia-se interiormente e pensava – Ao ponto que isto chegou! Estou a ser raptado na minha própria casa, foi ela de certeza, ela deve ter preparado tudo isto para se ver livre de mim! – quis gritar por ajuda, mas estaria por certo debaixo do efeito de algum químico, não conseguia emitir um som ou sequer mexer um músculo!


Chegaram a uma casa simples, ainda sem conseguir visualizar nenhum dos raptores e bastante confuso, foi colocado no centro de uma sala onde se encontravam várias pessoas sentadas à sua volta – Quem seria esta gente? O que lhe iriam fazer? – decidiu afastar-se do centro da sala e tentou falar, o efeito da medicação já deveria ter passado pois conseguiu e gritou com toda a força que conseguiu – COMO É QUE ELA VOS CONHECEU? QUE QUEREM DE MIM? PAGOU-VOS COM O MEU DINHEIRO? ODEIO-A, ODEIO-VOS, VÃO PAGAR POR ISTO TODOS VOCÊS!


– Calma amigo, está no meio de amigos, não grite – era a primeira vez em muito tempo que alguém lhe dirigia a palavra, ainda baralhado olhou para o seu interlocutor e dispara – Amigos? Mas eu nem vos conheço! E que raio de amigos é que me trariam para aqui contra à minha vontade? Foi a Maria que vos contratou? – A pessoa que estava na sua frente sorriu e respondeu pacientemente – Somos amigos de todos e a nós ninguém nos contrata, ajudamos quem for necessário. Quem é a Maria? Quer-nos dizer?


Júlio não sabia o que pensar, nem o que fazer, não confiava nesta gente, não os conhecia, mas eram os primeiros com quem conseguia falar depois de muito tempo – Ora quem é a Maria?! Deves saber, ela faz o que quer com o meu dinheiro, até deu metade ao meu irmão... mas o dinheiro é meu ouviste? E porque raio ninguém me fala desde que saí do hospital? Hum? Foi ela que arquitetou tudo para ver se me enlouquecia, não é?


– Amigo, o dinheiro não é o mais importante, deixe lá o dinheiro, o importante agora é tratar-se, sabe que veio até esta casa porque está aqui uma equipa médica que o quer ajudar?! Ora repare aqui do meu lado direito, não os vê?


Júlio reparou nesse momento que estavam ali dois senhores de bata branca, aparentavam ser médicos de facto e estavam a sorrir para ele – Sim, claro que os vejo, não tenho problemas de vista, mas isto é confuso? Estou a precisar de tratamento porquê? E porque ninguém me falou durante este tempo todo?


O interlocutor com voz simpática disse-lhe – Não se preocupe com isso agora, vá com eles e tudo lhe será explicado, fique com Deus amigo – de seguida um dos médicos aproximou-se gentilmente e enquanto lhe aplicava o que parecia ser uma injeção no seu braço direito, disse-lhe sorrindo – bem vindo à pátria espiritual, relaxe pois vai dormir um pouco – ouviu aquilo, ficou confuso mas sentiu-se adormecer como que anestesiado.


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Olhou para a enfermeira alarmado, sim, agora lembrava-se! Engoliu em seco e com um olhar medroso e voz tremula perguntou – Morri? É isso?


Ivone sorriu-lhe meiga e afagou-lhe a testa outra vez – Na verdade ninguém morre, continuamos vivos mas noutro estado! – Lentamente começou a baixar-lhe a cama articulada novamente e continuou a falar tranquila – Está a readquirir a sua memória rapidamente, isso é bom! Por agora mantenha-se calmo e recupere as forças, teremos muito tempo para falar e tirar todas as dúvidas.


Continua...



História originalmente publicada no blogue Laudas Avulso no link http://www.laudas-avulso.com/2014/10/o-hospital.html


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Muito obrigado a todos

Se estivermos à espera de ser perfeitos para fazer alguma coisa, nunca fazemos nada. Mas, para fazer mal, mais vale não fazer. Após alguns anos de colaboração ininterrupta e entusiástica no Blog de Espiritismo, sou obrigado a despedir-me, pelo menos temporariamente, devido a falta de disponibilidade.

Muito obrigado a todos.

A. A.

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David e Golias


Pequeno pastor David
Em tempos de aflição
Tão valente quanto humilde
Foi salvador da nação

Com uma pedra na funda
E pontaria impecável
Causou mazela profunda
No inimigo implacável

Deus não nos pede proezas
De tão grande precisão
Nem rituais, nem riquezas
Preceito ou religião

Mostra o teu heroísmo
Na luta, todos os dias
Contra o orgulho e o egoísmo
São esses o teu Golias

Texto de desenho: Fernando (Esp.)

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'Deus não é sádico, portanto, ele não se deleita com sacrifícios'


José Reis Chaves

Deus não é sádico, portanto, ele não se deleita com sacrifícios 
 
  Nos tempos em que a Bíblia foi escrita e do início do cristianismo, o conceito de Deus era infantil e até mitológico. Deus nos criou em espíritos semelhantes a Ele. E os teólogos judeus e cristãos daqueles tempos criaram-No semelhante a nós, mas em corpo, e com todas as nossas mazelas.
Isso é lamentável, pois prejudica a religião e dá asas à descrença e ao materialismo. Mas mais lamentável ainda é que muitos teólogos e exegetas da atualidade ainda sustentam essas questões “vencidas” e mitológicas sobre Deus daqueles longínquos tempos bíblicos e do cristianismo infante, como se elas fossem totalmente certas e, portanto, intocáveis!

A Bíblia está repleta de manifestações de espíritos, chamados de “anjos”, mas anjos significam “enviados”, ou seja, espíritos já iluminados, muito evoluídos. E é por isso que eles nos são enviados com mensagens de verdades do mundo espiritual. Por exemplo, Maria recebeu o Anjo Gabriel, anunciando-lhe que ela seria mãe do Enviado.

O Espírito de Javé, tido como Deus, era ciumento, vingativo, com todas as imperfeições humanas e, além disso, gostava de sacrifícios. Já o Deus verdadeiro ensinado por Jesus é bem diferente de Javé, pois não gosta de sacrifícios, é Deus de amor e é Pai de todos nós. E como o amor de Deus é infinito, a esse seu amor não pode faltar o de mãe. E, então, podemos dizer que o Deus de Jesus, além de nosso Pai, é também nossa Mãe, como, aliás, ensinou o papa João Paulo I, que ficou no papado só por 33 dias. E assim também já ensinavam as religiões orientais, desde tempos remotos da Antiguidade.

Dissemos que o Deus ensinado por Jesus não gosta de sacrifícios, o que é comprovado por estas afirmações do Enviado de Deus: “Misericórdia quero e não sacrifícios” (Mateus 12: 7); e “(...) E amá-lo com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios” (são Marcos 12: 33).




O Nazareno foi enviado por Deus ao nosso mundo com a missão de nos trazer a mensagem de amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Mas, para isso, Jesus não precisava morrer na cruz, pois não é bem esse seu assassinato cruel na cruz que agrada a Deus, mas a vivência do evangelho. De fato, o pecado de seu assassinato até aumentou o número de pecados no mundo! E como pode um pecado anular outros pecados? E será que Deus se deleita tanto assim com sofrimento e sangue? Espírito mau, atrasado, sim, gosta muito de sangue! Mas Deus apreciar isso é totalmente contrário às ideias que fazemos Dele.

Provavelmente, amigos leitores, vocês estejam estranhando esse assunto. Mas foi exatamente isso que imaginaram os teólogos de outrora, inclusive alguns autores da própria Bíblia. Eles pensavam mais ou menos assim. A humanidade, pecando, fez com que Deus ficasse muito ofendido, zangado e triste conosco. E só depois que Ele enviou seu Filho muito especial ao nosso mundo para que tomasse uma grande surra e sofresse as mais cruéis torturas e, por fim, morresse numa cruz, Deus, então, como que aliviado e indenizado, voltou a sorrir para nós.

Essa errada e nefanda ideia atribuída a Deus é o absurdo dos absurdos, pois ela nos dá a impressão de que Ele fosse um ser pra lá de sádico. E, no entanto, é assim mesmo que ainda pensa muita gente!

Recomendo o divertido livrinho “Nosso Lar”, de Luis Hu Rivas, da Federação Espírita Brasileira (FEB). www.feblivraria.com.br.

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- Publicado no jornal O TEMPO, e reproduzido com autorização do autor: www.otempo.com.br Sites:  www.josereischaves.com.br  e www.facebook.com/jreischaves

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Revista 'O Consolador' - 382

O Consolador
Revista Semanal de Divulgação Espírita 


Bancário aposentado e residente em Bauru (SP), o confrade César Moron fala sobre os nove anos da
Associação Chico Xavier








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Os diabos não são bem espíritos, e os demônios somos todos nós

José Reis Chaves

Os diabos não são bem espíritos, e os demônios somos todos nós 
 
  Um dos mais graves problemas do cristianismo é a confusão que os teólogos primitivos fizeram com os espíritos, anjos, diabos, demônios, satã, satanás, Espírito Santo, lúcifer etc., cuja existência nós não negamos, mas apenas discordamos das interpretações erradas que lhes foram atribuídas, pois os teólogos fizeram uma confusão dos diabos com eles, misturando-os com questões mitológicas, das quais, inclusive, os autores sagrados receberam influência, colocando-as na própria Bíblia. Veja-se, por exemplo, o capítulo 12 do Apocalipse.

Essa salada teológica enfraquece a crença nas verdades cristãs, e é um prato cheio para os materialistas fazerem suas chacotas contra o espiritualismo, com o objetivo de desacreditá-lo e reforçar suas ideias ateias. Por isso, a exemplo da doutrina espírita, os demais seguidores do Mestre dos mestres deveriam estudar e esclarecer esses assuntos em defesa do cristianismo. Os padres e pastores formados em curso superior de teologia e Bíblia sabem o significado verdadeiro dos termos que estamos abordando, mas agem como se nada soubessem sobre essas questões!




Lúcifer (“eosforo” em grego) passou para o latim como o substantivo “luce” (luz) e o verbo “ferre” (transportar), que, literalmente, significam porta-luz, aurora, estrela da manhã. Não se trata bem de um espírito, mas de uma metáfora da inteligência. Também Paris é chamada de “Cidade Luz”, ou seja, cidade da inteligência, da cultura. Lúcifer é símbolo da inteligência de anjos (espíritos), a qual comandou a rebelião deles contra Deus. Lúcifer simboliza também a nossa inteligência voltada para o mal, contra o amor, contra Deus, isto é, a favor do chamado “pecado”. Mas disso podemos concluir que no céu nem tudo é um mar de rosas, nem tudo é paz, o que reforça a ideia atual entre os teólogos de que o céu não é um lugar geográfico como se pensava antigamente. E, na verdade, essa palavra “céu” na Bíblia é no plural: “céus”, que quer dizer universo, cosmos. E Jesus disse que o reino dos céus está dentro de nós mesmos, isto é, onde estiver o espírito, encarnado ou desencarnado e em qualquer parte do universo, daí céus. Assim é que o Pai Nosso em latim da Vulgata Latina (primeira tradução da Bíblia para o latim, por são Jerônimo, lá pelo ano de 400), diz “Pater noster qui es in coelis” (céus).

E diabo (opositor) e satã ou satanás (adversário), na prática, substituíram a palavra “lúcifer”. São opositores ou adversários de Deus, do bem, do Eu Superior (espírito) que nós somos, opositor e adversário que são o nosso ego ou eu menor, corporal, que se opõe ao espírito. Indevidamente, diabo e satanás passaram a significar também espíritos maus.

Assim também aconteceu com a palavra demônio (“daimon” em grego, plural “dimones”), que, originariamente, na Bíblia e outras obras gregas antigas, significa alma ou espírito humano desencarnado, e não necessariamente um espírito mau. De fato, se demônio é alma, há almas boas também e até santas. Porque Jesus só tirava demônios maus das pessoas, pois, demônios bons não atormentam ninguém, então as pessoas passaram a entender que todo demônio é mau.
Esse erro é um dos mais graves do cristianismo, pois devemos entender as palavras bíblicas de acordo com o significado delas na época em que os textos bíblicos foram escritos!

Recomendo o livro “Amar Faz Bem”, de Jenna Lucado, Vida Melhor Editora S.A./Thomas Nelson, Brasil, Rio de Janeiro, 2014, www.thomasnelson.com.br.


- Publicado no jornal O TEMPO, e reproduzido com autorização do autor: www.otempo.com.br Sites:  www.josereischaves.com.br  e www.facebook.com/jreischaves

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Cuidar da "máquina"


Ola!!! Estou passando por momentos difíceis... Sei que muito é consequência de meus atos... Me sinto desanimado e estou tentando me motivar de varias formas... Não sei se assimilo a problemas patológicos ou espirituais!!! Gostaria de um conselho!! Sempre me preocupo com os outros e as pessoas se sentem desconfiadas do meu lado, por mais que eu tente ser verdadeiro... Como reagir, antes que chegue ao fundo do poço? Sou um pouco incrédulo, mas estou disposto a procurar ajuda espiritual, que me ajude a encontrar a paz social e interior!!!!

Olá caro amigo,

A Medicina deve vir SEMPRE primeiro, quando estamos a passar por algum problema do âmbito psicológico ou físico. 

No caso de a Medicina não lhe encontrar nada, será de considerar a possibilidade de alguma interferência espiritual - o que não tem nada de anormal ou de assustador. Temos um corpo, e esse corpo, periodicamente, dá-nos problemas. Muitas vezes por deficiente manutenção por parte do proprietário - má alimentação, maus hábitos de sono, abuso de substâncias como o álcool ou o tabaco, em suma, quando damos ao corpo usos diferentes daqueles para os quais ele foi projectado. O mesmo se passa com qualquer outra "máquina". Se eu pegar no meu pequeno automóvel utilitário, e for praticar todo-terreno com ele, decerto que o vou avariar.

O mesmo se passa com a nossa mente, que não é uma unidade independente do corpo, antes lhe está intimamente associada. Os mesmos (ou outros) maus hábitos, podem provocar complicações mentais que a Psiquiatria e a Psicologia, graças a Deus, resolvem, com grande eficácia, nos nossos dias de abençoados progressos médicos.

Além de termos corpo e mente, somos Espíritos. E o Espírito também foi programado para um uso consciencioso. A maior parte das pessoas (nós incluídos), invertem as prioridades: começam por cuidar mais do corpo, porque é o que se vê e se sente, depois da mente (obedecendo - e muito bem - à velha máxima do "mente sã em corpo são"), e só depois é que se lembram de que, antes de tudo, vem o Espírito imortal.

Num domingo de manhã, como aquele em que estamos a escrever-lhe, podemos facilmente encontrar na vizinhança quem esteja zelosamente a lavar e a polir o carro. Enquanto isso, muitos vão fumando cigarro atrás de cigarro. Ou seja: dispensam mais cuidados à máquina inerte do que à máquina que Deus lhes deu para toda a vida: o próprio corpo. A juntar a essa negligência, vem a indisciplina mental e espiritual.

A falta de cuidado com pensamentos, palavras, obras e omissões, o desrespeitar da Lei Maior (amar o próximo como a nós mesmos, e a Deus acima de todas as coisas), e todo um mundo de possíveis equívocos comportamentais, acabam por se acumular e gerar desequilíbrios espirituais que depois podem reflectir-se no campo físico e mental.

Ninguém vem a este mundo para sofrer, embora todos tenhamos débitos de vidas anteriores. Só muito raramente encarnam no nosso planeta seres que já não têm defeitos para polir, na vida em sociedade. Mas não devemos render-nos ao fatalismo, deixar-nos sofrer porque "deve ser karma".

"Orar e vigiar", não são palavras vãs. Significam estar em contacto com o Alto, pedindo a inspiração divina, através da prece, singela, que sai do coração; e estar atento ao próprio comportamento, procurando melhorar, prevenir e fomentar hábitos mentais e comporatmentais sadios. O corpo pede manutenção. O Espírito também.

Não hesite, portanto, em procurar uma associação espírita, onde poderá, gratuitamente se sem compromissos, apresentar o seu caso em privado, pedir ajuda espiritual, assistir a palestras, frequentar cursos, conviver, e melhorar-se, aprendendo a cuidar melhor da "máquina" que Deus lhe deu.

Veja, sff, esta lista, no site Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal - ADEP.

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Revista 'O Consolador' - 381

O Consolador
Revista Semanal de Divulgação Espírita 







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ACEA comemora 2 anos amanhã



Auditório da ACEA 

No próximo sábado, dia 20 de Setembro de 2014, às 16,00 horas, será comemorado o II Aniversário da Associação de Cultura Espírita de Alcobaça, tendo como convidados Jorge Gomes e Xavier de Almeida, duas figuras emblemáticas na doutrina espírita em Portugal, deixando-nos os seus pontos de vista e partilhando experiências de duas gerações diferentes no meio espírita.

O evento terá lugar na sede da Associação de Cultura Espírita de Alcobaça, na rua da Escola, no lugar de Capuchos - Alcobaça.

As entradas são livres e gratuitas.



 João Xavier de Almeida

A ACEA, entre outras actividades, oferece palestras públicas, todos os sábados, às 16.00 horas, o Curso Básico de Espiritismo, Evangelização Infanto-Juvenil, um blog todo catita (cortesia do fundador deste blog) e já tem página no Facebook.


COMO CHEGAR:

1. Quem vier pela estrada Benedita/Alcobaça, deve virar à direita em Capuchos (a seguir a Évora de Alcobaça), ficando de frente para o Parque de Merendas; aí, encontrarão placas de sinalização, devendo seguir pela Rua da Escola, no sentido de Chiqueda/Casal da Costa; ao fim de cerca de 500 metros, na Rua da Escola, encontrarão um cruzamento à esquerda e uma cabine da EDP (local aonde deverão estacionar os veículos) e, se prestarem atenção, há uma casa amarela 20 metros antes à direita e um portão verde (da Quinta) por onde deverão passar e onde encontrarão quem os conduza ao ACEA.

2. Para quem venha de Alcobaça, o trajecto deve ser o mesmo, isto é, dirigir-se a Capuchos, virar à esquerda para o Parque de Merendas e seguir as indicações anteriores.

3. Para quem venha de Leiria pela Estrada Nacional (Leiria/Alcobaça), o ponto de referência deverá ser Chiqueda e, depois, seguir a estrada Chiqueda/Capuchos; prestar atenção ao cruzamento que aparece à direita depois de uma subida íngreme e estacionar o veículo junto à cabine da EDP; 20 metros à frente e à esquerda há uma casa amarela e um portão verde (da Quinta) por onde deverão passar e aonde encontrarão quem os conduza ao ACEA. 
Rua da Escola, no lugar de Capuchos - Alcobaça

E-mail acealcobaca@hotmail.com, telefone 262 585 258, telemóvel 966 460 878.

Coordenadas GPS: Latitude - 39º 31' 50,5'' N Longitude - 8º 57' 58,1''

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Suave Anoitecer



No suave anoitecer
Cantam doce melodia
Os melros, para dizer
Que assim se despede o dia

Despontam no horizonte
Por sobre o azul do mar
Acima da nossa fronte
Outros mundos a brilhar

Tudo à volta se aquietou
É a hora das perguntas
Porque será que aqui estou?
Quantas maravilhas juntas...

Nos mundos que vão rolando
Na imensidão escura
Há outros seres perguntando
Como eu, também à procura

Pede a Deus que te auxilie
Cada dia a ser melhor
Pode ser que Ele te envie
P'ra perto desse esplendor


Desenho: Maurício (Esp.)
Texto: Samuel (Esp.)

14.Setº.2014


in MINHAS PSICOGRAFIAS

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