
A estória é conhecida, embora os seus protagonistas já tenham caído no esquecimento - pelo menos na parte que me toca:
Um cidadão ocidental andava de viagem pela Índia e foi visitar um velho sábio, que ansiava conhecer. Chegado a casa da ilustre figura, pareceu-lhe haver um desequilíbrio entre a prestígio da pessoa e a humildade da habitação e os parcos haveres de que se rodeava. Timidamente, perguntou-lhe porque vivia assim, com tão pouco.
O sábio indiano devolveu-lhe a pergunta, fazendo notar ao visitante que este também se fazia acompanhar de muito pouca bagagem.
O visitante retorquiu: "Mas eu estou de passagem".
E o sábio indiano: " E eu também".
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Esta maneira de encarar a vida, com plena consciência de se estar de passagem, é característica das pessoas espiritualizadas. Por oposição, quem vive exclusivamente para a matéria, tende a esquecer-se da brevidade da vida, a conduzir os seus esforços e a colocar os seus interesses acima de tudo no acumular de fortuna.
As pessoas com muito dinheiro e pouca espiritualidade tendem a fechar-se em grandes casarões, atrás de grossas muralhas. Talvez isso lhes dê alguma ilusão de imortalidade. As pessoas espiritualizadas, sejam ricas, pobres ou assim-assim, têm uma perspectiva mais equilibrada da posse de bens materiais.
Lembrei-me disto quando li hoje a notícia do jornal Público sobre dois jovens portugueses que projectaram uma casa-cápsula que custará mil euros. Talvez seja uma proposta um tanto exótica, mas não será mais razoável passar-se uma vida inteira a trabalhar para pagar o direito básico a ter um tecto sobre a cabeça.
P.S. - Ver também MIMA é pré-fabricada e é uma casa portuguesa, com certeza
Custa o mesmo que “um Audi familiar”, está pronta em dois meses, e já quase meio mundo quer esta casa “made in Portugal”.

2 comentários:
24.2.12
Eu só queria que a minha mulher tivesse essa epifania.
24.2.12
:-)
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