A ignorância de que vos falo não é a ignorância que se atira à cara de alguém com desdém. É o desconhecimento que se lamenta.
Pelos jornais de hoje:
- Um português de Beja assassinou a família toda, segundo dizem como reacção ao prognóstico médico de três meses de vida.
- Em Tete, Moçambique, uma menina foi assassinada, alegadamente devido a crendices locais que prometem o enriquecimento por artes mágicas.
- Em Seul, Coreia do Sul, um suposto pastor evangélico (sem ofensa para os dignos pastores evangélicos, realmente dignos desse nome), assassinou os três filhos, conforme relatos com a finalidade de "expulsar os maus espíritos responsáveis pelo resfriado das crianças". Alegou ter agido "segundo as Escrituras".
O abismo do Nada, prometido pelo materialismo, é ignorância. A crença em "artes mágicas" e outras superstições, é ignorância. A interpretação estreita, literal, inflexível, descontextualizada, de quaisquer "Escrituras", é ignorância. A nulidade moral que não hesita nos meios para atingir o fim da riqueza, é ignorância.
Tanta ignorância. Científica, factual, moral, filosófica, religiosa.


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