"EUA
Licenciado e autor bilingue aos 14 anos de idade
Um adolescente de 14 anos, filho de pai israelita e mãe chinesa, deverá este ano obter a sua licenciatura em Matemática na prestigiada Universidade da Califórnia (UCLA), tendo igualmente acabado de publicar a versão inglesa do seu livro intitulado “We Can Do”, que ensina os estudantes a terem sucesso académico"
Licenciado e autor bilingue aos 14 anos de idade
Um adolescente de 14 anos, filho de pai israelita e mãe chinesa, deverá este ano obter a sua licenciatura em Matemática na prestigiada Universidade da Califórnia (UCLA), tendo igualmente acabado de publicar a versão inglesa do seu livro intitulado “We Can Do”, que ensina os estudantes a terem sucesso académico"
Moshe Kai Cavalin é uma criança normal. Não foi "amestrado", ao contrário do que se possa pensar. Se bastasse "amestrar" uma criança para fazer dela um génio, não faltariam infelizmente os génios, pois há pais desinformados que ^roubam a infância aos filhos querendo transformá-los à força.
Não. Moshe nasceu assim. E como ele nasceram muitos. para os materialistas, é uma organização "privilegiada" do cérebro. para nós, espíritas, são aquisições cognitivas de vidas anteriores que florescem de novo. Têm-se registado casos de crianças que começaram espontaneamente a falar Línguas, sem que as tivessem aprendido... nesta vida. Por muito dotado que seja o cérebro, é preciso haver o conhecimento.
Deixamo-vos com um texto do autor espírita Gabriel Dellane.
Gabriel Delanne (Paris, França, 23 de Março de 1857 - 15 de Fevereiro de 1926), foi um espírita francês e importante defensor da cientificidade do Espiritismo durante a transição do século XIX para o século XX, particularmente após o falecimento de Allan Kardec.
A HEREDITARIEDADE E AS CRIANÇAS-PRODÍGIO
1 - As crianças prodígio
Algumas palavras sobre a hereditariedade.
Em minha obra "A Evolução Anímica", tratei sumariamente da questão da hereditariedade em suas relações com a teoria da reencarnação.
Bastar-me-á, aqui, lembrar ligeiramente que a posição do problema não mudou nestes últimos anos. Vimos, precedentemente, que o Espírito, depois de sua desencarnação, pode, durante as sessões de materialização, reconstituir, por meio da matéria e da energia fornecidas pelo médium, o corpo fisico que possuía em sua vida anterior. Há nele o poder de organizar a matéria, segundo o tipo particular que foi o seu. É muito provável que opere da mesma maneira, vindo encarnar-se na Terra, mas então, se nenhuma influência estranha agisse sobre ele, deveria renascer com um tipo físico semelhante ao que possuía anteriormente.
Ora, Isto não acontece, porque, como é de observação corrente, os filhos assemelham-se mais ou menos aos pais, e os progenitores podem, até, transmitir aos descendentes particularidades especiais do seu organismo.
Assim é que os músculos fortes do ferreiro, as mãos calosas do camponês ou do trabalhador, as mãos pequenas, nas famílias onde não se fazem trabalhos físicos, o desenvolvimento das mais diferentes aptidões pelo uso, o cunho que imprime ao exterior de um homem a profissão que ele exerce, são fatos muito familiares, e, posto que não repousem em nenhuma observação precisa, a idéia de sua transmissão tem sido sempre observada.
Ribot assim classifica as diferentes formas de hereditariedade.
"1 - A hereditariedade direta, que consiste na transmissão, às crianças, das qualidades paternas e maternas. Esta forma de hereditariedade oferece dois aspectos:
a) Ou a criança herda igualmente do pai e da mãe, tanto no fisico como no moral, caso muito raro, em sentido absoluto, porque seria o ideal da lei realizado;
b) Ou a criança, saindo ao mesmo tempo ao pai e à mãe, assemelha-se mais a um deles. E aqui ainda é preciso distinguir dois casos:
O primeiro é aquele em que a hereditariedade se dá entre sexos do mesmo nome; do pai ao filho, da mãe à filha;
O segundo caso, que parece mais freqüente, é o da hereditariedade entre sexos de nomes contrários, do pai à filha, da mãe ao filho.
2 - A hereditariedade de retorno ou atavismo consiste na reprodução, entre os descendentes, das qualidades físicas e morais dos seus antepassados. Ela é freqüente do avô ao neto, da avó à neta.
3 - A hereditariedade colateral ou indireta, muito mais rara que as precedentes, como seu nome indica, é a em linha indireta, do sobrinho ao tio, da sobrinha à tia.
4 - Enfim, para completar, é preciso citar a hereditariedade telegônica, muito rara, sob o ponto de vista fisiológico, e de que não há, talvez, no moral, um só exemplo probante. Consiste na reprodução, nas crianças nascidas de um segundo casamento, de algumas qualidades próprias ao primeiro cônjuge."
Tais são as diversas fórmulas nas quais se classificam os fatos da hereditariedade.
Para nós, espiritistas, no fenômeno da hereditariedade há duas coisas a distinguir: primeiramente, o caráter especifico do ser que nasce, e, em segundo lugar, suas faculdades intelectuais.
É inteiramente certo que os progenitores, pertencentes a uma espécie determinada, dão nascimento a um ser da mesma espécie. É uma lei geral e absoluta, mas em cada espécie, no ponto de vista morfológico, verifica-se a existência de raças, e nestas, grandes diferenças entre os produtos de um mesmo par, segundo a preponderância de um sexo sobre outro. Em suma, deve-se admitir que o tipo estrutural é funcional nos animais e nos homens.
É ele devido à ação do perispírito sobre a matéria, mas os caracteres secundários, como a cor dos olhos e dos cabelos, a forma e a dimensão de certas partes do rosto ou do corpo, e mesmo dos órgãos internos, são o resultado de hereditariedade física. Tem-se visto, por vezes, que o pai pode transmitir ao filho o cérebro, e a mãe o estômago, um o coração, o outro o figado, etc.
Por que mecanismos se opera esta transmissão, é profundo mistério, e todas as teorias examinadas há meio século, para o explicar, têm sido totalmente impotentes para solucionar o problema.
Sabe-se hoje que o ser que vai nascer não existe nos órgãos sexuais, como uma redução microscópica, que não teria mais que aumentar, desenvolvendo todas as suas partes. O ponto de partida é uma simples célula que, fecundada, passa por uma série de formas sucessivas e diferentes, antes de chegar a termo de sua evolução, que tem por fim representar o ser completo dessa espécie.
Quais são as causas que necessitam esta evolução e por que agentes podem produzir-se?
A grande maioria das teorias imaginadas, em vista de uma explicação dos fenômenos da vida e, por conseqüência, da hereditariedade, repousam na suposição de que, entre as moléculas químicas e os órgãos da célula visivel ao microscópio, existiria, ainda, uma categoria de unidades, partículas protoplásmicas iniciais que, por seu caráter e seu modo de agrupamento, determinariam as diversas propriedades da matéria viva.
É pela definição das propriedades e das disposições dessas particulas infinitesimais, que os autores se esforçaram por explicar o caso complexo da hereditariedade.
As teorias, por engenhosas que sejam, não nos fornecem, ainda, uma explicação realmente cientifica dos fenômenos da hereditariedade. Foi o que não tiveram receio de declarar os autores do livro "Teorias da Evolução".
Com efeito, dizem eles, que é que, na composição do protoplasma, determina seu caráter de vida? Somos aí reduzidos inteiramente às hipóteses. Elas não são diretamente verificáveis e só podem ser julgadas por nós, neste ponto de vista: tal concepção dá uma explicação verossímil dos diferentes fenômenos vitais - ontogênese, hereditariedade, variação, etc.? Tais hipóteses são necessárias, porque não nos podemos resignar a não ter nenhuma idéia sobre essas questões, que nos apaixonam mais que quaisquer outras.
Em suma, a hereditariedade morfológica é a lei, posto que apresente tão numerosas exceções para os caracteres secundários, que não há quase nunca identidade entre os progenitores e seus descendentes.
No ponto de vista intelectual, dá-se inteiramente o mesmo, porque existe considerável número de exemplos de grandes sábios, que saíram dos meios mais ignorantes. Foi assim, por exemplo, que Roger Bacon, Berkeley, Berzelius, Blumenbach, Brewster, Comte, Copérnico, Claude Bernard, Descartes, Galien, Galvani, Hegel, Hume, Kant, Kepler, Locke, Malebranche, Priestley, Réaumur, Rumford, Spinoza, Xisto Quinto, Young e outros, nasceram em meios pouco cultivados, e nada podia fazer prever as notáveis faculdades que os distinguiriam em grau tão eminente.
Reciprocamente, existe um número considerável de grandes homens cujos descendentes foram abaixo de medíocres. Péricles procriou dois tolos, Paraios e Xantipos. O sábío Aristipe deu o nascimento a um furioso como Clínias; do grande historiador Tucídides, nasceu o inepto Milésias.
Sócrates e Temistocles só tiveram filhos indignos. Entre os romanos vê-se o mesmo. Cícero e seu filho, Germânico e Calígula, Vespasiano e Domiciano; o grande Marco Aurélio teve por filho um furioso - Cômodo. Na História moderna, o filho de Henrique IV, de Luís XIV, de Cromwell, de Pedro, o Grande, como os de La Fontaine, de Crébillon, de Goethe e de Napoleâo, dispensam outros exemplos.
Melhor ainda: as crianças-prodígio provam-nos, com evidência irresistivel, que a inteligência é independente do organismo que a serve, e isto porque as mais altas formas da atividade intelectual se mostram entre aqueles cuja idade não atingiu a maturidade plena. É esta uma das melhores objeções que se podem opor à teoria materialista.
As formas mais elevadas da Arte e da Ciência se apresentam nas crianças de tenra idade. Citemos numerosos exemplos, para que não fique qualquer dúvida a respeito.
2 - OS MÚSICOS
Encontram-se exemplos de prodigiosa precocidade em todas as épocas e em todos os países.
No século XVII, Haendel, com dez anos, compunha motetes, que se cantavam na igreja de Halle.
O caso de Mozart é bem conhecido. É notório que na idade de 4 anos executava uma sonata, e sua faculdade musical desenvolveu-se tão rapidamente que aos 11 anos compôs duas pequenas óperas. Sabe-se com que feliz êxito continuou sua carreira.
Aquele a quem chamavam o deus da Música, Beethoven, já se distinguia aos 10 anos por seu notável talento de executante.
E noutro gênero, a precocidade do grande violinista Paganini foi tal, que, aos 9 anos, já o aplaudiam num concerto, em Gênova.
Aos 6 anos, Meyerbeer possuía bastante talento para dar concertos muito apreciados.
Liszt maravilhoso virtuose desde a mais tenra infância, escreve, aos 14 anos apenas, uma ópera em um ato, "D. Sancho" ou o "Castelo de Amor".
Rubinstein, trazido da Rússia para Paris, aos 11 anos, excitou a admiração universal, pela beleza de seu toque ao piano.
Sarasate, aos 11 anos, mostrava já as qualidades de pureza de som e de estilo, que fizeram dele o maior violinista de nossa época.
Saint-Saens, virtuose precoce, aos 11 anos dava seu primeiro concerto de piano, e tinha apenas 16 quando fez executar sua primeira sinfonia.
Em nossos dias, certas crianças se revelaram com disposições verdadeiramente notáveis para a música.
Tive o prazer de ver, no Congresso de Psicologia de 1900, o jovem Pepito Ariola, que, aos 3 anos e meio, tocava e improvisava ao piano árias variadas.
O Prof. Richet publicou sobre o caso um estudo no qual disse que ele tocou diante do rei e da rainha de Espanha seis composições de sua invenção, sem conhecer as notas, nem saber ler ou escrever.
Imaginou ele um dedilhado especial, substituiu a oitava por arpejos segura e habilmente executados.
É muitas vezes bem difícil, acrescenta Richet, dizer, quando se ouve um improvisador, de quem é a invenção, e se se trata da reprodução, pela memória, de árias e trechos já ouvidos. É certo, entretanto, que Pepito improvisa com perfeição e apresenta, muitas vezes, melodias extremamente interessantes, que parecem mais ou menos novas aos assistentes. Há uma introdução, um meio, um fim, e, ao mesmo tempo, uma variedade, uma riqueza de sonoridade, que talvez espantassem, num músico de profissão; numa criança, porém, de três anos e meio, torna-se o fato absolutamente assombroso.
Mais recentemente, ainda, o jovem Ferreros desde os quatro anos e meio dirige, com segurança e mestria notáveis, a orquestra do Folies-Bergêres.
Toda a grande imprensa parisiense, ordinariamente tão céptica, fez-lhe o elogio: Dizia "Le Journal":
"Miguel Angelo ainda não acabara de usar seus primeiros calções e seu mestre Ghirlandajo despedia-o do atelier, porque ele não tinha mais nada a aprender. Aos 2 anos, Henri de Heinecken falava três línguas. Aos 4, Batista Raisin mostrava, no violíno, rara virtuosidade. Aos 6 anos, Mozart compunha seu primeiro concerto.
Hoje é Willy Ferreros quem espanta Paris pela segurança, pela arte e pela fantasia com que dirige a orquestra na Revue des Folies-Bergeres.
Já não há crianças."
Poderia alongar a lista dessas crianças prodigiosas que mostram, desde o verdor dos anos, apreciável talento, talento esse que não puderam adquirir nesta vida, com a educação, e que devem, necessariamente, trazer consigo, como herança de uma ou mais vidas anteriores consagradas ao desenvolvimento daquela arte.
Vou mostrar, sempre com exemplos, que as outras faculdades do espírito se afirmam em certos indivíduos com um poder tão evidente como entre os músicos.
Trata-se da Pintura, e vamos verificar que as manifestações desta arte, tão difíceis de adquirir pela prática, se apresentam em certos indivíduos verdadeiramente predispostos.
3 - Os pintores
Giotto é ainda um exemplo das disposições inatas, que são trazidas do berço. Ainda criança, simples pastor, traçava já, por instinto, esboços tão cheios de naturalidade, que Cimabué o tomou a seu cuidado.
Um dos mais belos gênios da Itália, Miguel Angelo, na idade de 8 anos, já conhecia suficientemente a técnica do seu oficio, e tanto, que seu mestre Ghirlandajo afirmou que nada mais havia a ensinar-lhe.
Desde criança Rembrandt manifestou tal gosto pelo desenho, que Lombroso declara ter sabido ele desenhar como um grande mestre, antes de haver aprendido a ler.
O primeiro quadro do pintor Marcel Lavallard foi recebido no Salon, quando ele tinha 12 anos.
A 12 de agosto de 1873, com 10 anos e 11 meses, morria o jovem Van de Kefkhore, de Bruges, e deixava 350 quadros, sendo que alguns, diz Adolphe Siret, membro da Academia de Ciências, Letras e Belas-Artes da Bélgica, poderiam ter sido assinados por nomes como Diaz, Salvator Rosa, Carot e outros.
Outro critico, o pintor Richter, grande colorista francês, teve ocasião, acidentalmente, de ver uns vinte painéis do jovem-prodígio; felicitou, então, o seu proprietário por possuir esboços de Théodore Rousseau, em tão grande quantidade. Houve enorme trabalho por desenganá-lo, e, quando ele reconheceu a verdade, não pôde esconder uma lágrima, por ver desvanecidas tantas esperanças.
4 - Os sábios, os literatos e os poetas
Hermógenes, desde os 15 anos, ensinava Retórica ao sábio Marco Aurélio.
Pascal foi incontestavelmente o mais belo gênio do século XVII. Ao mesmo tempo geômetra, físico e filósofo, é igualmente literato de fino lavor. Desde os verdes anos, mostra gosto pelos estudos e especialmente pela Geometria. Aos treze anos, descobrira as 32 primeiras proposições de Euclides e publicava um tratado sobre as seções cônicas. Firma-se-lhe mais tarde o gênio pelas pesquisas sobre o peso do ar, e a invenção do carrinho de mão. É sobretudo como filósofo que seu Espirito se eleva aos mais altos cumes do pensamento.
Pierre Lamoignon, com a mesma idade, compunha versos gregos e latinos, tidos como muito notáveis, e não era menos adiantado na cultura do Direito que na das Letras.
Gauss de Brunswick, astrônomo e matemático, resolvia problemas de Aritmética quando tinha, apenas, 3 anos; sabe-se com que êxito ele continuou sua carreira de Matemática.
Ericson, morto em 1869, mostrava tal gênio para as ciências mecânicas, que aos 12 anos foi nomeado, pelo Governo, inspetor do grande canal maritimo da Suécia. Dirigia 600 operários.
Victor Hugo apresentava, desde os 13 anos, sua magnifica faculdade de versificação, como prova o prêmio que obteve em Tolosa. Chamavam-lhe a criança sublime.
William Sidis, de Massachusetts, sabia ler e escrever aos 2 anos; aos 4 falava quatro línguas, e aos 12 resolvia problemas de Geometria; foi admitido no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, quando a idade para admissão era de 21 anos, e fez na Universidade de Harving, com admiração dos professores de altas matemáticas, que o ouviam, uma conferência sobre a quarta dimensão do espaço.
Young, que imaginou a teoria das ondulações da luz, possuia, de tenra idade, grande desenvolvimento intelectual, porque era capaz de ler correntemente, e aos 8 anos conhecia seis línguas a fundo.
Outra criança, William Hamilton, estudava hebraico aos 3 anos; aos 7 possuía conhecimentos mais extensos que a maior parte dos candidatos à agregação. "Vejo-o ainda, dizia um de seus pais, responder a uma pergunta árdua de Matemática, depois, afastar-se aos pulos, arrastando seu carrinho."
Aos 13 anos, conhecia 12 línguas. Aos 8, espantava os que o rodeavam, ao ponto de declarar a seu respeito um astrônomo irlandês: "Eu não digo que ele será, mas que é já o primeiro matemático de seu tempo."
Scaliger qualificava de gênio monstruoso o escocês Jaques Críston que, com 15 anos, discutia em latim, grego, hebraico e árabe, qualquer assunto.
Pico della Mirandola demonstrou a maior precocidade por seus profundos conhecimentos do latim, do grego, e, mais tarde, do hebraico e do árabe. Aos 10 anos era o espírito mais cultivado de sua época.
Baratier Jean-Philippe, nascido em 1721, em Schwabach, no margraviato de Anspach, e morto em 1740, sabia, aos 7 anos, o alemão, o francês, o latim, o hebraico. Dois anos depois, compôs um dicionário com os mais difíceis vocábulos; aos 13 anos verteu do hebraico para o francês "O Itinerário" de Benjamim Tudele, e no ano seguinte foi recebido como professor na Universidade de Hale. Publicou na mesma ocasião várias dissertações sábias na Biblioteca Germânica. Morreu esgotado de trabalho, em 1740.
Henri de Hennecke, nascido em Lubeck, em 1721, falou quase ao nascer; aos 2 anos sabia três línguas. Aprendeu a escrever em alguns dias e logo se exercitou em fazer discursos. Aos 2 anos e meio prestou um exame de Geografia e História moderna. Vivia, apenas do leite de sua ama. Quiseram-no desmamar; definhou e morreu em Lubeck, a 17 de junho de 1725, aos 5 anos, afirmando suas esperanças em outra vida. A lâmina tinha gasto a bainha.
Entre os lingüistas, que cedo se distinguiram, convém citar um contemporâneo, Trombetti, que ultrapassa de muito todos os seus predecessores. Bem jovem, aprendeu o francês e o alemão; lia Voltaire e Goethe. Soube o árabe, lendo, tão-só, a vida de Abd-el-Kader.
Um persa, de passagem em Bolonha, ensinou-lhe sua língua em algumas semanas. Aos 12 anos, aprendeu, simultaneamente, o latim, o grego e o hebraico. Depois, estudou quase todas as línguas vivas ou mortas. Seus amigos asseguram que ele conhece, hoje, 300 dialetos orientais.
5 - Os calculadores
A faculdade de calcular, com extrema rapidez, nos apareceu já, com singularidade surpreendente, nos cavalos de Elberfeld, assim como em Rolf e Lola. Vamos ver que o mesmo acontece com a Humanidade.
Henri Mondeux, nascido em 1826, perto de Tours, de um camponês desprovido de qualquer instrução, revelou-se cedo uma prodigiosa máquina de cálculo. Aos 14 anos, foi apresentado à Academia de Ciências de Paris; não tinha, aliás, outras faculdades.
Em 1837, um pastor muito moço, "Vita Mangiamel", quase uma criança, atraía os sábios de todos os países por sua incomparável faculdade de cálculo.
A um matemático que lhe perguntou qual o número que, elevado ao cubo e adicionado da soma de cinco vezes o seu quadrado, é igual a 42 vezes ele próprio mais 40, o jovem respondeu em menos de um minuto: - é o número 5.
Jaques Inaudi, simples pastor, executava os cálculos mais complicados, com facilidade e rapidez desconcertantes. Foi examinado na Academia de Ciências, em 1892, e deu, com uma pressa assombrosa, a solução dos mais difíceis problemas.
Podem-se ainda assinalar as faculdades de cálculo do jovem Franckall e do incrível Diamandi.
O Novo Mundo oferece-nos, também, exemplos variados de precocidade em todos os gêneros. Assim é que, nas artes meecânicas, Georges Steuler obteve, aos 13 anos, o diploma de engenheiro.
Henri Dugan percorreu os Estados Unidos, antes dos 10 anos, e fez, para a casa que representava, os melhores negócios.
Se acreditarmos na imprensa americana, muitas vezes sujeita a caução, uma criança de 5 anos, Willie Gewin, teria recebido o diploma de doutora pela Universidade de Nova Orleães, e uma criança de 11 anos fundou recentemente um jornal, de que se extrairiam vinte mil exemplares.
O imortal autor de "Jerusalém Libertada" versificava, admiravelmente, aos 7 anos.
O pequeno Joan Maude, de 5 anos, filho do autor inglês Maude, publicou em Londres sua primeira obra: "Atrás das trevas da noite".
Estes exemplos, numerosos e variados, de precocidade intelectual, são inconciliáveis com a teoria que vê na inteligência um produto do organismo. Ainda mesmo que a hereditariedade gozasse um papel na gênese dessas prodigiosas faculdades, ficaria incompreensível que um cérebro, apenas formado, fosse capaz de causar as mais altas e mais poderosas formas da inteligência, porque só encontradas, nesse grau, em certos individuos, e quando chegados ao pleno desenvolvimento do cérebro.
A hipótese espírita da preexistência do homem é a única que dá uma explicação lógica das crianças-prodígio.
Perguntar-se-á como a alma de um Baratier pôde manifestar, quase no berço, conhecimentos que exigem, não só uma formidável memória, como dons de assimilação e raciocínio indispensáveis à compreensão e ao uso de línguas, tão difíceis de assimilar, como o grego e o hebraico.
É muito provável que o Espírito desses jovens-prodígio não estivesse ainda completamente encarnado, ou que, durante períodos de exteriorização, recuperasse a memória do passado, e, em lugar de aprender, não fizesse mais que recordar.
Certos espíritas quererão, sem dúvida, explicar esses casos espantosos, supondo que as crianças eram simples médiuns. Tal interpretação me parece defeituosa, porque, em boa lógica, é inútil multiplicar as causas sem necessidade. Desde que sabemos, nós os espiritistas, que a alma existiu anteriormente à vida atual, não há nenhuma necessidade de fazer intervir a presença de entidades estranhas. Aliás, a mediunidade não é uma faculdade constante; não obedece à vontade do médium, enquanto as crianças de que falamos podiam, a qualquer momento, e em qualquer circunstância, dar imediatamente as provas de suas surpreendentes aptidões.
Sem dúvida nenhuma, as crianças-prodígio são exceções; entretanto, se bem que em grau menor, encontram-se, entre certos alunos de nossas escolas, as mais variadas disposições para as artes e as ciências; ainda quando eles saem de meios pouco cultivados, desenvolvem-se com tal rapidez, que ultrapassam os demais condiscípulos.
Não é uma intuição, propriamente dita, o que lhes dá o poder de assimilar as noções novas, mas uma espécie de reminiscência, que lhes permite apropriarem-se de matérias novas, as quais, em realidade, não fazem mais que despertar na subconsciência.
Vou agora examinar certos fenômenos, em que as reminiscências parecem verdadeiras lembranças de vidas anteriores.
Gabriel Delanne
Chamamos também a atenção para este artigo de Jorge Hessen, recentemente aqui publicado.
Gabriel Delanne (Paris, França, 23 de Março de 1857 - 15 de Fevereiro de 1926), foi um espírita francês e importante defensor da cientificidade do Espiritismo durante a transição do século XIX para o século XX, particularmente após o falecimento de Allan Kardec.
A HEREDITARIEDADE E AS CRIANÇAS-PRODÍGIO
1 - As crianças prodígio
Algumas palavras sobre a hereditariedade.
Em minha obra "A Evolução Anímica", tratei sumariamente da questão da hereditariedade em suas relações com a teoria da reencarnação.
Bastar-me-á, aqui, lembrar ligeiramente que a posição do problema não mudou nestes últimos anos. Vimos, precedentemente, que o Espírito, depois de sua desencarnação, pode, durante as sessões de materialização, reconstituir, por meio da matéria e da energia fornecidas pelo médium, o corpo fisico que possuía em sua vida anterior. Há nele o poder de organizar a matéria, segundo o tipo particular que foi o seu. É muito provável que opere da mesma maneira, vindo encarnar-se na Terra, mas então, se nenhuma influência estranha agisse sobre ele, deveria renascer com um tipo físico semelhante ao que possuía anteriormente.
Ora, Isto não acontece, porque, como é de observação corrente, os filhos assemelham-se mais ou menos aos pais, e os progenitores podem, até, transmitir aos descendentes particularidades especiais do seu organismo.
Assim é que os músculos fortes do ferreiro, as mãos calosas do camponês ou do trabalhador, as mãos pequenas, nas famílias onde não se fazem trabalhos físicos, o desenvolvimento das mais diferentes aptidões pelo uso, o cunho que imprime ao exterior de um homem a profissão que ele exerce, são fatos muito familiares, e, posto que não repousem em nenhuma observação precisa, a idéia de sua transmissão tem sido sempre observada.
Ribot assim classifica as diferentes formas de hereditariedade.
"1 - A hereditariedade direta, que consiste na transmissão, às crianças, das qualidades paternas e maternas. Esta forma de hereditariedade oferece dois aspectos:
a) Ou a criança herda igualmente do pai e da mãe, tanto no fisico como no moral, caso muito raro, em sentido absoluto, porque seria o ideal da lei realizado;
b) Ou a criança, saindo ao mesmo tempo ao pai e à mãe, assemelha-se mais a um deles. E aqui ainda é preciso distinguir dois casos:
O primeiro é aquele em que a hereditariedade se dá entre sexos do mesmo nome; do pai ao filho, da mãe à filha;
O segundo caso, que parece mais freqüente, é o da hereditariedade entre sexos de nomes contrários, do pai à filha, da mãe ao filho.
2 - A hereditariedade de retorno ou atavismo consiste na reprodução, entre os descendentes, das qualidades físicas e morais dos seus antepassados. Ela é freqüente do avô ao neto, da avó à neta.
3 - A hereditariedade colateral ou indireta, muito mais rara que as precedentes, como seu nome indica, é a em linha indireta, do sobrinho ao tio, da sobrinha à tia.
4 - Enfim, para completar, é preciso citar a hereditariedade telegônica, muito rara, sob o ponto de vista fisiológico, e de que não há, talvez, no moral, um só exemplo probante. Consiste na reprodução, nas crianças nascidas de um segundo casamento, de algumas qualidades próprias ao primeiro cônjuge."
Tais são as diversas fórmulas nas quais se classificam os fatos da hereditariedade.
Para nós, espiritistas, no fenômeno da hereditariedade há duas coisas a distinguir: primeiramente, o caráter especifico do ser que nasce, e, em segundo lugar, suas faculdades intelectuais.
É inteiramente certo que os progenitores, pertencentes a uma espécie determinada, dão nascimento a um ser da mesma espécie. É uma lei geral e absoluta, mas em cada espécie, no ponto de vista morfológico, verifica-se a existência de raças, e nestas, grandes diferenças entre os produtos de um mesmo par, segundo a preponderância de um sexo sobre outro. Em suma, deve-se admitir que o tipo estrutural é funcional nos animais e nos homens.
É ele devido à ação do perispírito sobre a matéria, mas os caracteres secundários, como a cor dos olhos e dos cabelos, a forma e a dimensão de certas partes do rosto ou do corpo, e mesmo dos órgãos internos, são o resultado de hereditariedade física. Tem-se visto, por vezes, que o pai pode transmitir ao filho o cérebro, e a mãe o estômago, um o coração, o outro o figado, etc.
Por que mecanismos se opera esta transmissão, é profundo mistério, e todas as teorias examinadas há meio século, para o explicar, têm sido totalmente impotentes para solucionar o problema.
Sabe-se hoje que o ser que vai nascer não existe nos órgãos sexuais, como uma redução microscópica, que não teria mais que aumentar, desenvolvendo todas as suas partes. O ponto de partida é uma simples célula que, fecundada, passa por uma série de formas sucessivas e diferentes, antes de chegar a termo de sua evolução, que tem por fim representar o ser completo dessa espécie.
Quais são as causas que necessitam esta evolução e por que agentes podem produzir-se?
A grande maioria das teorias imaginadas, em vista de uma explicação dos fenômenos da vida e, por conseqüência, da hereditariedade, repousam na suposição de que, entre as moléculas químicas e os órgãos da célula visivel ao microscópio, existiria, ainda, uma categoria de unidades, partículas protoplásmicas iniciais que, por seu caráter e seu modo de agrupamento, determinariam as diversas propriedades da matéria viva.
É pela definição das propriedades e das disposições dessas particulas infinitesimais, que os autores se esforçaram por explicar o caso complexo da hereditariedade.
As teorias, por engenhosas que sejam, não nos fornecem, ainda, uma explicação realmente cientifica dos fenômenos da hereditariedade. Foi o que não tiveram receio de declarar os autores do livro "Teorias da Evolução".
Com efeito, dizem eles, que é que, na composição do protoplasma, determina seu caráter de vida? Somos aí reduzidos inteiramente às hipóteses. Elas não são diretamente verificáveis e só podem ser julgadas por nós, neste ponto de vista: tal concepção dá uma explicação verossímil dos diferentes fenômenos vitais - ontogênese, hereditariedade, variação, etc.? Tais hipóteses são necessárias, porque não nos podemos resignar a não ter nenhuma idéia sobre essas questões, que nos apaixonam mais que quaisquer outras.
Em suma, a hereditariedade morfológica é a lei, posto que apresente tão numerosas exceções para os caracteres secundários, que não há quase nunca identidade entre os progenitores e seus descendentes.
No ponto de vista intelectual, dá-se inteiramente o mesmo, porque existe considerável número de exemplos de grandes sábios, que saíram dos meios mais ignorantes. Foi assim, por exemplo, que Roger Bacon, Berkeley, Berzelius, Blumenbach, Brewster, Comte, Copérnico, Claude Bernard, Descartes, Galien, Galvani, Hegel, Hume, Kant, Kepler, Locke, Malebranche, Priestley, Réaumur, Rumford, Spinoza, Xisto Quinto, Young e outros, nasceram em meios pouco cultivados, e nada podia fazer prever as notáveis faculdades que os distinguiriam em grau tão eminente.
Reciprocamente, existe um número considerável de grandes homens cujos descendentes foram abaixo de medíocres. Péricles procriou dois tolos, Paraios e Xantipos. O sábío Aristipe deu o nascimento a um furioso como Clínias; do grande historiador Tucídides, nasceu o inepto Milésias.
Sócrates e Temistocles só tiveram filhos indignos. Entre os romanos vê-se o mesmo. Cícero e seu filho, Germânico e Calígula, Vespasiano e Domiciano; o grande Marco Aurélio teve por filho um furioso - Cômodo. Na História moderna, o filho de Henrique IV, de Luís XIV, de Cromwell, de Pedro, o Grande, como os de La Fontaine, de Crébillon, de Goethe e de Napoleâo, dispensam outros exemplos.
Melhor ainda: as crianças-prodígio provam-nos, com evidência irresistivel, que a inteligência é independente do organismo que a serve, e isto porque as mais altas formas da atividade intelectual se mostram entre aqueles cuja idade não atingiu a maturidade plena. É esta uma das melhores objeções que se podem opor à teoria materialista.
As formas mais elevadas da Arte e da Ciência se apresentam nas crianças de tenra idade. Citemos numerosos exemplos, para que não fique qualquer dúvida a respeito.
2 - OS MÚSICOS
Encontram-se exemplos de prodigiosa precocidade em todas as épocas e em todos os países.
No século XVII, Haendel, com dez anos, compunha motetes, que se cantavam na igreja de Halle.
O caso de Mozart é bem conhecido. É notório que na idade de 4 anos executava uma sonata, e sua faculdade musical desenvolveu-se tão rapidamente que aos 11 anos compôs duas pequenas óperas. Sabe-se com que feliz êxito continuou sua carreira.
Aquele a quem chamavam o deus da Música, Beethoven, já se distinguia aos 10 anos por seu notável talento de executante.
E noutro gênero, a precocidade do grande violinista Paganini foi tal, que, aos 9 anos, já o aplaudiam num concerto, em Gênova.
Aos 6 anos, Meyerbeer possuía bastante talento para dar concertos muito apreciados.
Liszt maravilhoso virtuose desde a mais tenra infância, escreve, aos 14 anos apenas, uma ópera em um ato, "D. Sancho" ou o "Castelo de Amor".
Rubinstein, trazido da Rússia para Paris, aos 11 anos, excitou a admiração universal, pela beleza de seu toque ao piano.
Sarasate, aos 11 anos, mostrava já as qualidades de pureza de som e de estilo, que fizeram dele o maior violinista de nossa época.
Saint-Saens, virtuose precoce, aos 11 anos dava seu primeiro concerto de piano, e tinha apenas 16 quando fez executar sua primeira sinfonia.
Em nossos dias, certas crianças se revelaram com disposições verdadeiramente notáveis para a música.
Tive o prazer de ver, no Congresso de Psicologia de 1900, o jovem Pepito Ariola, que, aos 3 anos e meio, tocava e improvisava ao piano árias variadas.
O Prof. Richet publicou sobre o caso um estudo no qual disse que ele tocou diante do rei e da rainha de Espanha seis composições de sua invenção, sem conhecer as notas, nem saber ler ou escrever.
Imaginou ele um dedilhado especial, substituiu a oitava por arpejos segura e habilmente executados.
É muitas vezes bem difícil, acrescenta Richet, dizer, quando se ouve um improvisador, de quem é a invenção, e se se trata da reprodução, pela memória, de árias e trechos já ouvidos. É certo, entretanto, que Pepito improvisa com perfeição e apresenta, muitas vezes, melodias extremamente interessantes, que parecem mais ou menos novas aos assistentes. Há uma introdução, um meio, um fim, e, ao mesmo tempo, uma variedade, uma riqueza de sonoridade, que talvez espantassem, num músico de profissão; numa criança, porém, de três anos e meio, torna-se o fato absolutamente assombroso.
Mais recentemente, ainda, o jovem Ferreros desde os quatro anos e meio dirige, com segurança e mestria notáveis, a orquestra do Folies-Bergêres.
Toda a grande imprensa parisiense, ordinariamente tão céptica, fez-lhe o elogio: Dizia "Le Journal":
"Miguel Angelo ainda não acabara de usar seus primeiros calções e seu mestre Ghirlandajo despedia-o do atelier, porque ele não tinha mais nada a aprender. Aos 2 anos, Henri de Heinecken falava três línguas. Aos 4, Batista Raisin mostrava, no violíno, rara virtuosidade. Aos 6 anos, Mozart compunha seu primeiro concerto.
Hoje é Willy Ferreros quem espanta Paris pela segurança, pela arte e pela fantasia com que dirige a orquestra na Revue des Folies-Bergeres.
Já não há crianças."
Poderia alongar a lista dessas crianças prodigiosas que mostram, desde o verdor dos anos, apreciável talento, talento esse que não puderam adquirir nesta vida, com a educação, e que devem, necessariamente, trazer consigo, como herança de uma ou mais vidas anteriores consagradas ao desenvolvimento daquela arte.
Vou mostrar, sempre com exemplos, que as outras faculdades do espírito se afirmam em certos indivíduos com um poder tão evidente como entre os músicos.
Trata-se da Pintura, e vamos verificar que as manifestações desta arte, tão difíceis de adquirir pela prática, se apresentam em certos indivíduos verdadeiramente predispostos.
3 - Os pintores
Giotto é ainda um exemplo das disposições inatas, que são trazidas do berço. Ainda criança, simples pastor, traçava já, por instinto, esboços tão cheios de naturalidade, que Cimabué o tomou a seu cuidado.
Um dos mais belos gênios da Itália, Miguel Angelo, na idade de 8 anos, já conhecia suficientemente a técnica do seu oficio, e tanto, que seu mestre Ghirlandajo afirmou que nada mais havia a ensinar-lhe.
Desde criança Rembrandt manifestou tal gosto pelo desenho, que Lombroso declara ter sabido ele desenhar como um grande mestre, antes de haver aprendido a ler.
O primeiro quadro do pintor Marcel Lavallard foi recebido no Salon, quando ele tinha 12 anos.
A 12 de agosto de 1873, com 10 anos e 11 meses, morria o jovem Van de Kefkhore, de Bruges, e deixava 350 quadros, sendo que alguns, diz Adolphe Siret, membro da Academia de Ciências, Letras e Belas-Artes da Bélgica, poderiam ter sido assinados por nomes como Diaz, Salvator Rosa, Carot e outros.
Outro critico, o pintor Richter, grande colorista francês, teve ocasião, acidentalmente, de ver uns vinte painéis do jovem-prodígio; felicitou, então, o seu proprietário por possuir esboços de Théodore Rousseau, em tão grande quantidade. Houve enorme trabalho por desenganá-lo, e, quando ele reconheceu a verdade, não pôde esconder uma lágrima, por ver desvanecidas tantas esperanças.
4 - Os sábios, os literatos e os poetas
Hermógenes, desde os 15 anos, ensinava Retórica ao sábio Marco Aurélio.
Pascal foi incontestavelmente o mais belo gênio do século XVII. Ao mesmo tempo geômetra, físico e filósofo, é igualmente literato de fino lavor. Desde os verdes anos, mostra gosto pelos estudos e especialmente pela Geometria. Aos treze anos, descobrira as 32 primeiras proposições de Euclides e publicava um tratado sobre as seções cônicas. Firma-se-lhe mais tarde o gênio pelas pesquisas sobre o peso do ar, e a invenção do carrinho de mão. É sobretudo como filósofo que seu Espirito se eleva aos mais altos cumes do pensamento.
Pierre Lamoignon, com a mesma idade, compunha versos gregos e latinos, tidos como muito notáveis, e não era menos adiantado na cultura do Direito que na das Letras.
Gauss de Brunswick, astrônomo e matemático, resolvia problemas de Aritmética quando tinha, apenas, 3 anos; sabe-se com que êxito ele continuou sua carreira de Matemática.
Ericson, morto em 1869, mostrava tal gênio para as ciências mecânicas, que aos 12 anos foi nomeado, pelo Governo, inspetor do grande canal maritimo da Suécia. Dirigia 600 operários.
Victor Hugo apresentava, desde os 13 anos, sua magnifica faculdade de versificação, como prova o prêmio que obteve em Tolosa. Chamavam-lhe a criança sublime.
William Sidis, de Massachusetts, sabia ler e escrever aos 2 anos; aos 4 falava quatro línguas, e aos 12 resolvia problemas de Geometria; foi admitido no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, quando a idade para admissão era de 21 anos, e fez na Universidade de Harving, com admiração dos professores de altas matemáticas, que o ouviam, uma conferência sobre a quarta dimensão do espaço.
Young, que imaginou a teoria das ondulações da luz, possuia, de tenra idade, grande desenvolvimento intelectual, porque era capaz de ler correntemente, e aos 8 anos conhecia seis línguas a fundo.
Outra criança, William Hamilton, estudava hebraico aos 3 anos; aos 7 possuía conhecimentos mais extensos que a maior parte dos candidatos à agregação. "Vejo-o ainda, dizia um de seus pais, responder a uma pergunta árdua de Matemática, depois, afastar-se aos pulos, arrastando seu carrinho."
Aos 13 anos, conhecia 12 línguas. Aos 8, espantava os que o rodeavam, ao ponto de declarar a seu respeito um astrônomo irlandês: "Eu não digo que ele será, mas que é já o primeiro matemático de seu tempo."
Scaliger qualificava de gênio monstruoso o escocês Jaques Críston que, com 15 anos, discutia em latim, grego, hebraico e árabe, qualquer assunto.
Pico della Mirandola demonstrou a maior precocidade por seus profundos conhecimentos do latim, do grego, e, mais tarde, do hebraico e do árabe. Aos 10 anos era o espírito mais cultivado de sua época.
Baratier Jean-Philippe, nascido em 1721, em Schwabach, no margraviato de Anspach, e morto em 1740, sabia, aos 7 anos, o alemão, o francês, o latim, o hebraico. Dois anos depois, compôs um dicionário com os mais difíceis vocábulos; aos 13 anos verteu do hebraico para o francês "O Itinerário" de Benjamim Tudele, e no ano seguinte foi recebido como professor na Universidade de Hale. Publicou na mesma ocasião várias dissertações sábias na Biblioteca Germânica. Morreu esgotado de trabalho, em 1740.
Henri de Hennecke, nascido em Lubeck, em 1721, falou quase ao nascer; aos 2 anos sabia três línguas. Aprendeu a escrever em alguns dias e logo se exercitou em fazer discursos. Aos 2 anos e meio prestou um exame de Geografia e História moderna. Vivia, apenas do leite de sua ama. Quiseram-no desmamar; definhou e morreu em Lubeck, a 17 de junho de 1725, aos 5 anos, afirmando suas esperanças em outra vida. A lâmina tinha gasto a bainha.
Entre os lingüistas, que cedo se distinguiram, convém citar um contemporâneo, Trombetti, que ultrapassa de muito todos os seus predecessores. Bem jovem, aprendeu o francês e o alemão; lia Voltaire e Goethe. Soube o árabe, lendo, tão-só, a vida de Abd-el-Kader.
Um persa, de passagem em Bolonha, ensinou-lhe sua língua em algumas semanas. Aos 12 anos, aprendeu, simultaneamente, o latim, o grego e o hebraico. Depois, estudou quase todas as línguas vivas ou mortas. Seus amigos asseguram que ele conhece, hoje, 300 dialetos orientais.
5 - Os calculadores
A faculdade de calcular, com extrema rapidez, nos apareceu já, com singularidade surpreendente, nos cavalos de Elberfeld, assim como em Rolf e Lola. Vamos ver que o mesmo acontece com a Humanidade.
Henri Mondeux, nascido em 1826, perto de Tours, de um camponês desprovido de qualquer instrução, revelou-se cedo uma prodigiosa máquina de cálculo. Aos 14 anos, foi apresentado à Academia de Ciências de Paris; não tinha, aliás, outras faculdades.
Em 1837, um pastor muito moço, "Vita Mangiamel", quase uma criança, atraía os sábios de todos os países por sua incomparável faculdade de cálculo.
A um matemático que lhe perguntou qual o número que, elevado ao cubo e adicionado da soma de cinco vezes o seu quadrado, é igual a 42 vezes ele próprio mais 40, o jovem respondeu em menos de um minuto: - é o número 5.
Jaques Inaudi, simples pastor, executava os cálculos mais complicados, com facilidade e rapidez desconcertantes. Foi examinado na Academia de Ciências, em 1892, e deu, com uma pressa assombrosa, a solução dos mais difíceis problemas.
Podem-se ainda assinalar as faculdades de cálculo do jovem Franckall e do incrível Diamandi.
O Novo Mundo oferece-nos, também, exemplos variados de precocidade em todos os gêneros. Assim é que, nas artes meecânicas, Georges Steuler obteve, aos 13 anos, o diploma de engenheiro.
Henri Dugan percorreu os Estados Unidos, antes dos 10 anos, e fez, para a casa que representava, os melhores negócios.
Se acreditarmos na imprensa americana, muitas vezes sujeita a caução, uma criança de 5 anos, Willie Gewin, teria recebido o diploma de doutora pela Universidade de Nova Orleães, e uma criança de 11 anos fundou recentemente um jornal, de que se extrairiam vinte mil exemplares.
O imortal autor de "Jerusalém Libertada" versificava, admiravelmente, aos 7 anos.
O pequeno Joan Maude, de 5 anos, filho do autor inglês Maude, publicou em Londres sua primeira obra: "Atrás das trevas da noite".
Estes exemplos, numerosos e variados, de precocidade intelectual, são inconciliáveis com a teoria que vê na inteligência um produto do organismo. Ainda mesmo que a hereditariedade gozasse um papel na gênese dessas prodigiosas faculdades, ficaria incompreensível que um cérebro, apenas formado, fosse capaz de causar as mais altas e mais poderosas formas da inteligência, porque só encontradas, nesse grau, em certos individuos, e quando chegados ao pleno desenvolvimento do cérebro.
A hipótese espírita da preexistência do homem é a única que dá uma explicação lógica das crianças-prodígio.
Perguntar-se-á como a alma de um Baratier pôde manifestar, quase no berço, conhecimentos que exigem, não só uma formidável memória, como dons de assimilação e raciocínio indispensáveis à compreensão e ao uso de línguas, tão difíceis de assimilar, como o grego e o hebraico.
É muito provável que o Espírito desses jovens-prodígio não estivesse ainda completamente encarnado, ou que, durante períodos de exteriorização, recuperasse a memória do passado, e, em lugar de aprender, não fizesse mais que recordar.
Certos espíritas quererão, sem dúvida, explicar esses casos espantosos, supondo que as crianças eram simples médiuns. Tal interpretação me parece defeituosa, porque, em boa lógica, é inútil multiplicar as causas sem necessidade. Desde que sabemos, nós os espiritistas, que a alma existiu anteriormente à vida atual, não há nenhuma necessidade de fazer intervir a presença de entidades estranhas. Aliás, a mediunidade não é uma faculdade constante; não obedece à vontade do médium, enquanto as crianças de que falamos podiam, a qualquer momento, e em qualquer circunstância, dar imediatamente as provas de suas surpreendentes aptidões.
Sem dúvida nenhuma, as crianças-prodígio são exceções; entretanto, se bem que em grau menor, encontram-se, entre certos alunos de nossas escolas, as mais variadas disposições para as artes e as ciências; ainda quando eles saem de meios pouco cultivados, desenvolvem-se com tal rapidez, que ultrapassam os demais condiscípulos.
Não é uma intuição, propriamente dita, o que lhes dá o poder de assimilar as noções novas, mas uma espécie de reminiscência, que lhes permite apropriarem-se de matérias novas, as quais, em realidade, não fazem mais que despertar na subconsciência.
Vou agora examinar certos fenômenos, em que as reminiscências parecem verdadeiras lembranças de vidas anteriores.
Gabriel Delanne
Chamamos também a atenção para este artigo de Jorge Hessen, recentemente aqui publicado.

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