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Parábola do Bom Samaritano (revisitada)

Passe a publicidade, o Público é o meu jornal na categoria dos jornais 'chatos', aqueles que têm Política, Economia, e essas coisas aborrecidas mas necessárias. Mas verdade se diga que sou como os garotos que só comem os cereais para poderem brincar com o dinossauro de plástico que lá vem dentro. Os meus dinossauros, salvo seja, são o Miguel Esteves Cardoso, o Kalaf Ângelo, o Pedro Lomba e mais uns quantos, e mais a secção de Ambiente e a de Ciência, e mais a secção de Citações, e o Museu de Brinquedos e os Blogues em Papel. As páginas de Economia, sem tradutor habilitado, mal consigo decifrar. As de Política, à falta de equipamento de protecção sanitária, costumo também apenas sobrevoar. Não é culpa da Política, nem da Economia (nem do Público). É culpa dos protagonistas dessas duas áreas, que fazem delas um campo dos mais mesquinhos e baixos interesses pessoais.

Está explicado o motivo pelo qual saltei uma bombástica notícia, que atribui a Manuela Ferreira Leite a ideia de estabelecer um limite de idade para os tratamentos de hemodiálise pagos. A saber, os 70 anos. Confesso que li as gordas mas nem raciocinei. Intuitivamente terei achado que estava a ler mal, que não podia ser. Mas foi!
Mais espantado fiquei quando o Público de hoje fazia eco de reacções de aprovação à proposta eugénica. Esta, por exemplo:

«É duro? É. É feio? É. Mas é a realidade. A partir de certa idade, torna-se irracional, um desperdício de dinheiro, estar a procurar prolongar indefinidamente a vida. Aquilo que essas pessoas produzem ou podem vir a produzir já não compensa o esforço. Se elas tiverem dinheiro para continuarem a tratar-se, poderão fazê-lo. Mas a sociedade, o Estado, é que não pode estar a pagar isso».

É muito mais que duro e feio. É obsceno.

Não querendo de forma alguma misturar Espiritismo e Política, lembro que este assunto é do âmbito da Ética, da Moral, dos Direitos Humanos.

Ainda me lembro do falecido Francisco Sá Carneiro, franzino de corpo, maior que a vida, perante uma plateia entusiasmada com as promessas de liberdade, de bem-estar, de fraternidade e de justiça que o 25 de Abril trouxe. Falava da "marca marxista" do programa do partido que fundou, e ao qual Ferreira Leite pertence.

E valho-me aqui da Wikipédia, que está à mão e todos podeis confirmar num clique:

«A social-democracia é uma ideologia que surgiu em fins do século XIX e início do século XX por partidários do marxismo que acreditavam que a transição para uma sociedade socialista poderia ocorrer sem revoluções, mas por meio de uma evolução democrática. A ideologia social-democrata prega uma gradual reforma legislativa do sistema capitalista a fim de torná-lo mais igualitário».

Também lá consta que o partido não se chamou logo social-democrata porque dias antes nascia o Partido Cristão Social Democrata. E nesses dias de 74, Cristianismo e Marxismo andavam de mãos dadas.

Jesus-Cristo não é responsável pelas atrocidades que há dois mil anos se cometem em seu nome, como Karl Marx não terá decerto desejado ser inspiração para Estaline, Mao, Hitler, ou outros responsáveis por regimes ditatoriais que mataram milhões de seres humanos por delito de opinião ou até por bem menos que isso.


Como poderei explicar que esta proposta de negar cuidados médicos a maiores de 70 anos é abjecta? Com a mesma dificuldade com que poderei tentar explicar porque é que é abjecto matar alguém. Há coisas tão delicadamente transparentes que são quase impossíveis de dissecar.


Esta proposta vem de/ é apoiada por, pessoas que se afirmam «pela vida», que deploram a eutanásia, a IVG e o suicídio. Mas, pelos vistos, valores mais altos que a vida se alevantam. O nascituro é um futuro contribuinte. É um investimento. O candidato à eutanásia ou ao suicídio serão porventura contribuintes. O maior de 70 anos, pelos vistos, é um fardo, um improdutivo de que Sociedade se livrará com alegria. É outra vez a estória do filho que leva o pai idoso para morrer sozinho na montanha, esquecendo quem lhe prodigalizou todo o amor e por ele se sacrificou incondicionalmente durante toda a vida.

Será que a parábola do Bom Samaritano, que resume toda a mensagem e toda a moral cristã, pode ser renegada por pessoas de Bem? Talvez a devamos re-escrever, e a lei Divina passe a ser:

«Amarás a Deus, mas principalmente ao Dinheiro, de todo o teu coração, tuas forças e teu entendimento; e amarás o próximo como a ti mesmo, desde que seja menor de 70 anos e por isso ainda desconte.»

Ainda bem que Manuela Ferreira Leite tem proventos financeiros, e que não é uma desvalida, como muitos que trabalharam duramente desde tenra idade, mas que agora, velhinhos, sobrevivem de uma reforma de miséria, que nos deve envergonhar a todos. Não gostava nada de ver Manuela Ferreira Leite, de 71 anos, sem dinheiro para se tratar.



Certo dia, um homem, interprete da lei se levantou com o intuito de por Jesus a prova , disse-lhe: " Mestre, que farei para herdar a vida eterna ?"

Jesus lhe respondeu com uma pergunta. Que está escrito na lei? Respondeu ele : Amaras o Senhor teu Deus de todo o teu coração de toda a tua alma de todas as tuas forças e se todo o teu entendimento

E amarás o teu próximo como. A ti mesmo.

Disse Jesus: "Respondeste corretamente

Fase isto e viverás"

"E quem é o meu próximo" - perguntou o fariseu

Jesus então contou-lhe a seguinte estória.

Certo homem descia de Jerusalém para Jerico, e veio a cair nas mãos de salteadores.

Estes, depois de tudo lhe roubarem e lhe causar muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semi morto.

Descia por ali um Sacerdote que vendo o homem ferido e caído ao chão, passou ao largo.

Semelhante ao Sacerdote, passou um Levita, que descia por aquele lugar e vendo-o, também passou ao largo

Certo Samaritano, que seguia o seu caminho, passou perto e vendo-o compadeceu-se dele.

Chegando-se tratou-lhe as feridas, colocou-o sobre o seu próprio animal , levou-o para uma hospedaria e tratou dele.


No dia seguinte, tirou de sua bolsa, dois denários e os entregou ao hospedeiro dizendo: cuida bem deste homem e, se alguma coisa a mais, eu te indenizarei quando voltar.

Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores?

Respondeu-lhe o interprete da Lei. O que usou de misericórdia para com o pobre homem.

Disse Jesus: "Muito bem, então vai e procede tu, de igual maneira."


Imagem e versão da parábola deste site espírita para crianças.

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4 comentários:

Lindsay Mol

12.1.12

Olá, sou brasileira, Kardecista, e sempre leio o blog..vou linkar vcs no meu blog ok???

Abraços
Lindsay

André

12.1.12

Concerteza. Linque sempre que quiser.

Abraço,

AA

Anónimo

12.1.12

Também leio o Público. Sugiro que enviem este post em carta ao director.

Teresa Cardoso

Paulo

13.1.12

Jesus bem dizia que dificilmente um rico conseguiria entrar no Reino de Deus.
O problema não está em ser rico, mas sim no que se faz para obter essa riqueza, pisando uns e outros, e a forma como nos relacionamos com o dinheiro. O rico poderoso considera-se um ser superior desprezando o pobre. Os pobres tornam-se de facto um fardo dispensável para o poderoso rico. O rico perde a sensibilidade e caridade, ganha poder, mas perde a unica coisa que o poderia salvar: o Amor, e só este é a porta que nos pode conduzir a Deus.

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