Spiga

Ojos Ginger-Ale



Viendo ese anuncio publicitario (encantador) me acordé de una compañera que tuve en la Facultad que se llama Amélia. Ella no era como todas las Amélias que yo había imaginado oyendo la canción de Carlos Mendes “Amélia dos Olhos Doces”.

En ese tiempo me pregunté incesantemente por qué habían Amélias de ojos dulces y Amélias de ojos amargos.

Hoy sé que no es una injusticia ni tampoco una casualidad sino que es el efecto de una causa, el saldo de una deuda contraída en vidas anteriores. Así es, según la doctrina espiritista (sistematizada por Allan Kardec en el siglo XIX) con todo lo que pasa a cada uno de nosotros. Estamos viviendo donde debemos (que es decir donde es mejor para nuestra condición actual), con quien tenemos que ajustarnos y seguro que estamos pasando lo que necesitamos para nuestra evolución moral a pesar de que a veces nos parezca injusto o que no nos guste. Al encarnar (venir al mundo corpóreo), el propio espirito (nuestra existencia inmaterial) elige el mejor precurso para su progresión – pero otras veces le es impuesto superiormente. Volveremos muchas veces a la existencia material en situaciones diversas, igual que el alumno que aprueba examen tras examen hasta el final de su carrera.

(Esta es una filosofía cristiana muy interesante y conocida por todo el mundo, incluso en España, patria de la escritora y periodista espiritista Amalia Domingo Soler.)

Volviendo a mi amiga – que creo que ha elegido su condición de invidente porque se la llevaba muy bien – nunca más nos hemos visto. Sé que estuvo dando clases, que se casó y que su marido murió hace ya algunos años, y nada más…

Voy a intentar reencontrarla y seguro que sigue siendo una persona notable.

En simbiosis, yo era muchas veces su guía físico pero ella en contra era, sin duda y muchas veces, mi guía espiritual.
(Nome omitido pelo Blog de Espiritismo)




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1 comentários:

Paulo

21.1.12

Parabéns, texto muito tocante e cheio de sabedoria. De facto, eu hás vezes acho que a nossa vida é uma espécie de teste de stress, como aqueles testes físicos que os possíveis doentes cardíacos necessitam fazer, para se poder avaliar se existem problemas no seu coração. Também a vida com as suas agruras, dores, injustiças e peso são um enorme teste ao nosso coração, acho que é como se Deus nos tivesse a testar o nosso coração dos sentimentos, a perceber como comporta a nossa máquina de bons sentimentos mesmo perante circunstâncias adversas.

Ao depararmos com injustiças, pessoas que nos magoam e pessoas que magoamos, de certo modo esta vida, está constantemente a testar a nosso integridade enquanto seres humanos, o sofrimento acaba por ser um excelente professor, se soubermos ouvi-lo sem revolta, e se tivermos dispostos a tornar-nos sábios, convivendo de forma harmoniosa com ele.

A vida está sempre a colocar-nos desafios, a procurar que cultivemos a nossa paciência, o amor a quem esteja em desamor, é difícil, e estreito o caminho da felicidade autêntica nesta vida, é difícil amar-mos, aceitar-mos a maldade. Mas se respondermos de forma má á maldade, então o único fruto que criaremos é a Raiva, afundando-nos ainda mais. A mim parece-me claramente que o objectivo desta nossa existência na dor, e na carne é o de encontrarmos luz e amor, mesmo no meio da tempestade, da dor. Perceber que o Amor é a única forma de conviver com a dor, com um sorriso nos lábios, só o Amor nos permite ter uma dor de alma e ainda assim sorrir para nós, e para os outros. Essa é a alma mais rica, ainda que a pobreza seja a sua maior companheira.

Eu felizmente não conheço Amélias de olhos amargos. Conheço Amélias de olhos doces, uma delas é a nossa querida Dona Amélia do centro, que conseguiu responder com amor há dor. A outra Amélia que conheço é uma Amélia ficcional, a Amélie Poulain do filme do realizador Jean-Pierre Jeunet, uma Amélia que acredita no Amor, e que é possível trazer felicidade ás pessoas, caso estas se abram e sejam corajosas para acreditar e viver essa mesma felicidade, facilmente me apaixonaria pela luminosa Amélie Poulain.

Mas esta história da Amélia dos olhos amargos, faz-me lembrar uma história verdadeira e tocante de uma americana chamada Helen Keller, que nasceu surda e cega. Existem vários filmes e series que abordaram a vida desta senhora, que venceram inclusive oscars. Helen Keller nasceu e viveu a sua infância como um pequeno animal, pois os seus pais não conseguiam comunicar com ela, e ela com eles. Este ser nasceu na maior das noites, onde o sofrimento foi a única companhia que teve. Mas até a maior das noites dá sempre lugar a um luminoso amanhecer, e Helen Keller recebe a ajuda de Anne Sullivan Macy que se torna sua professora e ensina-a a encontrar luz mesmo no meio da escuridão profunda. Hellen Keller, tornou-se numa das histórias mais fascinantes, pois apesar de surda e cega, consegue ainda assim diplomar-se, chegando mesmo a ser uma escritora de sucesso. Hellen Keler desenvolveu actividades políticas no sentido de ajudar pessoas com problemas e limitações. Escrevendo inúmeras obras de carácter religioso e espiritual. Das trevas á Luz. A história de Hellen Keller, mostra-nos que o sofrimento atinge pessoas más e boas, não olha o coração de quem toca, a forma com que um coração responde ao sofrimento, é que determina a grandeza de sua alma. Por vezes os maiores sofrimentos atingem precisamente os seres mais luminosos, mas é precisamente a sua resposta perante a adversidade que nos faz apaixonar pelas suas histórias e desejar ter metade da sua força e da luz.

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