Spiga

Não acontece só aos outros - 2



Avisou-me que ia ser dificil, mas tinha mesmo que ser! Escolhi o sábado seguinte para o tomar uma vez que quando lá fui ao senhor senti-me muito melhor. Tomei o purgante e ao fim de meia hora vomitei duas vezes e depois passadas umas horas tive alguma diarreia, mas nada de especial, não tivera sofrimento como o senhor me tinha dito.

Ainda bem que não lhe custou. Conhecemos pessoas que andam nessas andanças anos a fio, com os curandeiros a mandarem-nas repetir as purgas até as pessoas acabarem por desistir. O sucesso do 'tratamento' nunca chega, e a 'culpa' é sempre do paciente, que nunca fez as coisas 'como deve ser'...


De facto senti-me muito melhor, mas ainda sentia algum bloqueio na cabeça e em nova consulta ao médium fui informado que apesar de já ter pouca quantidade do que tinha ingerido ainda tinha que fazer um novo purgante. Se o 1º não me tinha custado muito o 2º ainda foi mais fácil.

Ora cá está!...

Com o médium numa nova consulta tentei tratar da má indisposição no local de trabalho e o senhor lá me disse que era a presença da minha colega que tinha falecido, algo que sempre desconfiei também ao longo dos meses. Mas o senhor também me disse que ja tinha mais de meio ano que ela tinha partido e estava na hora de deixar a vida terrena que não me acompanharia por muito mais tempo. No entanto mandou-me fazer algumas coisas que fiz e obtive sucesso durante uns dias.

Durante dias. É sempre assim. Mais uma vez sem queremos julgar ninguém, raciocine connosco: purgas para quê? Uma pessoa supostamente capta a presença de alguém do mundo espiritual. Então toma lá uma purga, sob o pretexto de que lhe 'fizeram alguma coisa de mal'. Com todo o respeito e sem querermos generalizar, essas pessoas das famosas 'consultas', a par de grande gabarolice acerca dos seus 'poderes', misturam alhos com bugalhos, e vão enfiando na cabeça dos consulentes que 'apanharam mau-olhado', que 'lhes fizeram mal', que são médiuns e 'vão ter que trabalhar', etc..´Estas coisas costumam seguir um padrão, a estória é sempre a mesma... E a bolsa vai-se abrindo e deixando sair o dinheiro que custou a ganhar, com muito trabalho, e vai parar às mãos do espertalhão dos 'poderes'. Taxa de sucesso? NULA.

Não demorei uma semana a sentir a colega, mas desta vez acompanhava-me para todo o lado. Inconscientemente comecei a fazer os mesmos tiques que ela, tinha o mesmo odor intenso que ela. E comecei a ver as minhas coisas mexidas em casa na própria hora que estava em casa. Tinha a certeza que deixava as coisas na cozinha e quando chegava à sala já lá estavam e normalmente mexia-me muito nas argolas dos cortinados que por estranho que pareça, não sei como fazia tal proeza tirava-me as argolas do meio dos varões e colocava-as nas pontas...fartei-me de tirar e por os cortinados para os colocar na ordem até que decidi dar-lhe tréguas e não mexer mais neles e onde me apareciam as coisas deixava-as lá. Como me rendi e me sentia cansado, um dia à noite, já bastante tarde decidi não fazer o jantar uma vez que tinha descongelado moelas e como estavam muito sujas com muita gordura ia passar mt tempo para as limpar ...por espanto meu ir ao frigorifico ao outro dia e encontrá-las limpas já prontas a cozinhar....

Quem nos esteja a ler e seja céptico, há-de dizer que tudo isto é uma invenção, que fui eu que escrevi esta carta e estou a dar a resposta :-) Mas o amigo sabe que assim não é. As coisas prontas a cozinhar podem ter sido preparadas por si mesmo, num episódio de sonambulismo, ou pode haver uma explicação mais prosaica, como a de alguém as ter preparado para lhe facilitar a vida. Mas sentir a presença da sua colega falecida, pode realmente não ter sido apenas impressão sua. Essas aproximações acontecem com frequência, embora nem toda a gente as sinta. O mundo espiritual e o mundo material não estão distantes um do outro, sobrepõem-se. Popularmente chama-se a isso o famoso "encosto".

Pedi-lhe várias vezes para me aparecer em sonhos e dizer o que queria, mas nunca fui bem sucedido! Apesar de a sentir presente, dava conta que ia e vinha com arrepios pelo corpo todo, mas nunca a vi nem em sonhos! Fui fazendo tudo o que o médium me ensinava e parece que tudo funcionava por 2 ou 3 dias, mas o tormento voltava sempre.


Um dia o médium pelo meu historial disse-me que devia aceitar que eu também era médium e devia ajudar as outras pessoas e que nem que não aceitasse que já o fazia de forma inconsciente. Disse-me para aparecer no seu local de trabalho num determinado dia que lá estaria outro senhor para verem quem era o meu guia. Recusei e lá continuei com a tormenta às costas por resolver.

Ora cá está de novo. O "tens de trabalhar". E assim se vai criando a dependência que é o ganha-pão desta gente. Ir lá para o outro senhor ver quem é o Guia - muito comum também, pois estas pessoas gabam-se até de mandar nos 'guias'. Costumam dizer 'pague-me X que eu ponho os meus guias a trabalhar nisso e está o problema resolvido'. Um completo 'esquema'.

Lá fui andando sem saber o que fazer e no meio de julho senti-me muito mal e voltei a recorrer ao médium, mas desta vez o senhor recusou-se a atender-me que estava muito cansado e mandou-me lá passada uma semana que lá estaria um senhor e depois aí podia resolver o meu problema.

Repare que nesta altura os bons modos começam a desaparecer. Começam os testes à sua fidelidade de paciente. Já descrevemos o processo aqui neste blogue vezes sem conta. A ideia é levar o cliente a um estado de total dependência, torná-lo vulnerável, dar-lhe falsas esperanças, explorar a "mina" até ao limite...


Como me estavam a acontecer muitos contras em simultâneo e nessa noite em casa tudo me aconteceu pedi à minha mãe e lá foi a outra médium e a senhora lá disse que estava a ser vitima de bruxaria há bastante tempo e que a colega me acompanhava para me proteger...


Haverá uma vez em que estas pessoas digam "está tudo bem consigo"? É sempre "mal que lhe fizeram". E tudo recomeça. Esperamos que o seu testemunho possa desviar muitas pessoas desta dependência e desta exploração.


Entretanto fui de férias e fui consultado por essa médium onde reparámos que ao longo de agosto me fizeram várias bruxarias. Esta médium também me disse que também eu o era mas que não precisava de ajudar os outros! Proibiu-me de ir a funerais e a cemitérios, mas nunca me senti mal nos cemitérios, antes pelo contrário sempre tive desde miúdo o hábito na aldeia em que nasci andar de campa em campa descobrir os familiares de cada um e com que idade tinham falecido.....Aliás raramente ia à aldeia e que não fizesse uma visitinha aos meus antepassados.

Todo o padrão volta a desenrolar-se. O "precisas de trabalhar", as proibições para testar a sua obediência, e o incutir de medos absurdos. Temos dito aqui vezes sem conta que há simpáticas e bondosas "mulheres de virtude", que fazem umas rezas para "quebrar os quebrantos", e uns simpáticos curandeiros-endireitas que endireitam a espinhela aos meninos, etc., etc.. São gente simples e boa, que age de boa-fé. Não são esses que aqui focamos. Não queremos condenar ninguém. Mas apelamos a que haja senso, e que as pessoas não se deixem 'enrolar' por oportunistas sem escrúpulos.


Não afirmamos que somos nós os donos da verdade. Apelamos a que cada um ouça a sua consciência e procure ajuda para problemas médicos na Medicina, e para problemas espirituais junto da crença que professe ou de alguma que cada um ache séria. Não paguem por ajudas de tipo espiritual. O amor ao próximo não se vende. Os males físicos curam-se na Medicina, e os males morais com esclarecimento e amor. Não deixem que ponham um preço nesse tipo de ajuda. Além do mais, a taxa de êxito é NULA.


(continua)

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3 comentários:

Gilberto Ferreira

16.1.12

Este trabalho “continuado” é extraordinariamente bom e pertinente! PARABÉNS!!

Anónimo

16.1.12

Há um pormenor para o qual é preciso alertar as pessoas. Há auto-alegados bruxos que mandam colocar coisas na comida das pessoas. Trata-se de um envenenamento e não de uma bruxaria, óbviamente. Talvez daí a
mania dos purgantes, que podem ajudar a expulsar substâncias indesejáveis do corpo. É preciso muito cuidado com os envenenamentos que são feitos a titulo de bruxaria!

VS

André

16.1.12

Olá Gilberto e VS,

Grato pelos vossos comentários.

Não posso esquecer-me daquelE curandeiro dos Açores que 'receitou' 605 Forte a um cliente. E o matou, é claro! Pretendia, se bem me lembro, curar-lhe um cancro, 'envenenando o cancro'.

Não é dizer mal, é alertar para que estas pessoas muitas vezes são irresponsáveis, verdadeiros lunáticos. Muito cuidado, pois: a Medicina é para os médicos.

AA

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