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Mediunidade paga - notas telegráficas



Inscrevi-me em determinado fórum por convite de um dos responsáveis, e para tentar clarificar alguns conceitos acerca de Espiritismo, pois a secção que lá criaram assim se chama. Se não se chamasse Espiritismo, e se não se falasse no mesmo, nem lá punha os pés, com todo o respeito. Porque tenho o direito de ter os meus temas predilectos e os meus sites de eleição.

Mediunidade paga ou não? Para o Espiritismo, decididamente, não. Cada um é livre, contudo, de concordar ou discordar. Desde que não atribuam ao Espiritismo características que este não tem. E a mediunidade ou qualquer outro serviço, pagos, o Espiritismo não tem.

O problema é quando numa secção com tal nome aparecem pessoas com comentários que se situam por completo fora do seu âmbito. Sobre a mediunidade paga, oferece-se-me fazer alguns breves comentários:

1 - Cada pessoa é livre de vender a sua mediunidade, se assim o entender. No Espiritismo tal não se faz, desde logo porque o Espiritismo é um movimento cultural e rigorosamente voluntário.

2 - A mediunidade é uma faculdade fugidia. Hoje é-se médium, amanhã pode-se não ser. Se um mecânico de automóveis pode garantir que amanhã o será, já um médium, não pode. Como tal, um médium-comerciante está a transaccionar um bem incerto. Não nos parece honesto nem coerente.

3 - Nenhum médium do mundo pode ser médium sem Espíritos que lhe transmitam mensagens. Médium é, por definição, medianeiro. Ora se do outro lado não chega nada, o médium nada tem para dizer. Se o médium for profissional, naturalmente inventa as comunicações que não recebe, porque precisa desse dinheiro para viver.

4 - Numa actividade que depende da fé, da crença de cada um, e onde não se pode comprovar com facilidade a veracidade das supostas comunicações, é natural que o campo esteja aberto para as mais grosseiras fraudes, mistificações, aldrabices e charlatanaria em geral. É o que acontece na maior parte dos casos. E mesmo que se prove a falsidade das comunicações, a quem se vai queixar o incauto? À Polícia? Como se vê, é um negócio da China para os que despudoradamente exploram o sofrimento alheio. Ou a ingenuidade e o desconhecimento.

5 - Se uma pessoa não tiver dinheiro para comprar um fato de marca italiana ou uma casa nos Alpes, é aceitável. Se uma pessoa não tiver dinheiro para se tratar no hospital, a Segurança Social providencia-lhe o tratamento. Mas imaginemos que uma pessoa pobre perde um familiar e anseia por notícias dele. É justo que só as possa receber se as puder pagar? Não há aqui algo de sacrílego, que repugna ao bom-senso e à dignidade, vender-se as mensagens de um Ente Querido que partiu?

6 - Argumentam os médiuns-comerciantes que 'só paga quem pode' e que 'cada um dá o que quiser'. O que é pior do que terem uma tabela fixa. Com preços tabelados, a pessoa sai de cabeça levantada. Se paga o que 'acha que deve pagar', sai sempre em dívida, porque pode não ter dado o suficiente. Se o comerciante lhe diz que não é nada porque a pessoa é pobre (o que deve ser menos que raro), a pessoa sai humilhada.

7 - Ninguém é obrigado a viver da mediunidade. As pessoas são livres de trabalharem num emprego a sério, como toda a gente, e de não venderem o que Deus lhes outorgou gratuitamente. Basta que guardem essa actividade para os tempos livres.


A lógica dos factos às vezes incomoda quem vive de certos comércios eticamente mais que duvidosos. É natural. Sempre lamentei a falta de regulamentação destas coisas. Há casos dramáticos de pessoas esbulhadas por tratantes sem escrúpulos, a par com casos de gente honesta, que também a há.

Dito isto, a minha sugestão aos moderadores dos Fóruns que há na Internet indevidamente chamados 'de Espiritismo', seria a de retirarem tal secção, dada a quantidade de disparates que a propósito se escrevem, levando a que o conteúdo não corresponda ao título. A não ser que o objectivo seja a quantidade de visitas e não a qualidade das intervenções.

Pela minha parte, e como qualquer pessoa espírita, tenho a minha profissão, família e obrigações sociais, como qualquer cidadão. Não posso estar 24 horas por dia a corrigir absurdos por esses sites afora. E por isso raramente lá entro. Em alguns já não entro de todo. A quem deseje seriamente aprender sobre esta filosofia, aconselhamos que a examine seriamente, ouvindo igualmente quem é contra. Mas não em fontes sem qualidade mínima.

Condensado e adaptado de mensagem deixada em fórum. O tema do comércio da mediunidade tem sido muito abordado nestes nosso blog. Cada um é livre de vender e comprar mediunidade, insistimos. A todos aconselhamos critério e reflexão.

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