Esta coluna, de José Reis Chaves, às segundas-feiras, no diário de Belo Horizonte, O TEMPO, pode ser lida também no site
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Ela está liberada para publicações. José Reis Chaves é autor dos livros “A Face Oculta das Religiões”, “A Reencarnação na Bíblia e na Ciência” Ed. EBM (SP) e “A Bíblia e o Espiritismo”, Ed. Espaço Literarium, Belo Horizonte (MG).
e-mail: jreischaves@gmail.com
Os livros de José Reis Chaves podem ser adquiridos também pelo e-mail: contato@editorachicoxavier.com.br e o telefone: 0800-283-7147.
Este texto é reproduzido no Blog de Espiritismo com autorização do autor.
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José Reis Chaves
O autor não diz que o homem vive uma vez só, mas que morre uma vez só. Morre porque foi um ser terrenal, mas o espírito do homem é imortal.
Publicado no Jornal OTEMPO em 16/01/2012

O DESTINO DO CORPO É O CEMITÉRIO, ENQUANTO O DO ESPÍRITO...
Morrem todos os seres terrenais, mas jamais morrem os celestiais
A lei de causa e efeito é universal, pois está presente em todas as escrituras sagradas e, de modo especial, na Bíblia, tanto no Velho como no Novo Testamento. Mas jamais devemos imaginar que Deus castiga e que sacrifícios Lhe são agradáveis, como se pensava no passado.
O apóstolo dos gentios, por influência da sua religião anterior, o judaísmo antigo, levou para o cristianismo essa ideia errada de que Deus se deleita com sacrifícios de sangue derramado. É essa a tônica do sentido de Hebreus 9: 27. E aqui faço uma ressalva. Hoje, grande parte dos biblistas atribui a um discípulo de Paulo a autoria da Carta aos Hebreus. Mas sendo ela de um discípulo de Paulo, sua teologia é paulina. E o certo é que a sua teologia do sangue engrandece o sacrifício da morte de Jesus na cruz, afirmando que tal sacrifício, exatamente porque é de Jesus, foi o bastante para "indenizar" Deus, pelo suposto mal que Ele teria sofrido, por causa dos pecados da humanidade. Mas, ainda naquela época, Jesus, superior que é a Paulo em sabedoria, já dizia que não queria sacrifícios, mas, sim, misericórdia (Mateus 9: 13k).
Vou citar o texto paulino de Hebreus 9: 27 e o versículo seguinte, o 28, que o complementa: "E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação".
Como se vê, o texto nada tem a ver com as vidas sucessivas. Nem deve ter passado pela cabeça do autor de Hebreus a ideia da reencarnação, nem contra ela nem a favor dela. A tônica do texto é única e exclusivamente de valorização do sacrifício de Jesus na cruz, o qual dispensa outros sacrifícios, como eram feitos no judaísmo antigo. Sou fã de Paulo, mas não concordo com a sua tese de que Deus aprecia sacrifícios de sangue, e que os nossos pecados tenham sido anulados com as cusparadas no rosto de Jesus, com as chibatadas dadas nele e com a sua morte na cruz. E Deus precisaria disso para deixar abertas para nós as portas dos céus? Se Jesus nos ensinou que temos que ser bons e perdoar sempre, por que Deus, para perdoar a humanidade, exigiria um ato bárbaro desse contra um Filho seu inocente? Seria Jesus superior a Deus? E um pecado mortal seria capaz de anular os pecados da humanidade toda, e quando Jesus disse que nós mesmos é que temos que pagar tudo até o último centavo?
E atentemos para o fato de que o autor de Hebreus não diz que o homem vive uma vez só, mas morre uma vez só, exatamente porque um cadáver não morre outra vez, pois já morreu bem morrido e em definitivo. E o cadáver morreu, porque ele foi um ser terrenal, de barro, e cuja essência é pó, pelo que voltou, para sempre e em definitivo, para o pó que ele é. Mas o espírito do homem é imortal, pois é um ser celestial e emanado de Deus, e só sai do homem que se tornou cadáver. E a explicação de que não se pode separar o homem visível terrenal do homem invisível celestial só vale para quando o espírito está encarnado. Mas quando o homem terrenal morre, a separação é uma realidade.
Para nós nos convencermos dessa separação, basta lermos Eclesiastes 12:7, que nos mostra que ela é real e até inevitável. De fato, o destino do espírito é a dimensão espiritual, enquanto que o do corpo é o cemitério!
PS: Meus livros se encontram na UEM, rua dos Guaranis, 315.
José Reis Chaves
O autor não diz que o homem vive uma vez só, mas que morre uma vez só. Morre porque foi um ser terrenal, mas o espírito do homem é imortal.
Publicado no Jornal OTEMPO em 16/01/2012

O DESTINO DO CORPO É O CEMITÉRIO, ENQUANTO O DO ESPÍRITO...
Morrem todos os seres terrenais, mas jamais morrem os celestiais
A lei de causa e efeito é universal, pois está presente em todas as escrituras sagradas e, de modo especial, na Bíblia, tanto no Velho como no Novo Testamento. Mas jamais devemos imaginar que Deus castiga e que sacrifícios Lhe são agradáveis, como se pensava no passado.
O apóstolo dos gentios, por influência da sua religião anterior, o judaísmo antigo, levou para o cristianismo essa ideia errada de que Deus se deleita com sacrifícios de sangue derramado. É essa a tônica do sentido de Hebreus 9: 27. E aqui faço uma ressalva. Hoje, grande parte dos biblistas atribui a um discípulo de Paulo a autoria da Carta aos Hebreus. Mas sendo ela de um discípulo de Paulo, sua teologia é paulina. E o certo é que a sua teologia do sangue engrandece o sacrifício da morte de Jesus na cruz, afirmando que tal sacrifício, exatamente porque é de Jesus, foi o bastante para "indenizar" Deus, pelo suposto mal que Ele teria sofrido, por causa dos pecados da humanidade. Mas, ainda naquela época, Jesus, superior que é a Paulo em sabedoria, já dizia que não queria sacrifícios, mas, sim, misericórdia (Mateus 9: 13k).
Vou citar o texto paulino de Hebreus 9: 27 e o versículo seguinte, o 28, que o complementa: "E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação".
Como se vê, o texto nada tem a ver com as vidas sucessivas. Nem deve ter passado pela cabeça do autor de Hebreus a ideia da reencarnação, nem contra ela nem a favor dela. A tônica do texto é única e exclusivamente de valorização do sacrifício de Jesus na cruz, o qual dispensa outros sacrifícios, como eram feitos no judaísmo antigo. Sou fã de Paulo, mas não concordo com a sua tese de que Deus aprecia sacrifícios de sangue, e que os nossos pecados tenham sido anulados com as cusparadas no rosto de Jesus, com as chibatadas dadas nele e com a sua morte na cruz. E Deus precisaria disso para deixar abertas para nós as portas dos céus? Se Jesus nos ensinou que temos que ser bons e perdoar sempre, por que Deus, para perdoar a humanidade, exigiria um ato bárbaro desse contra um Filho seu inocente? Seria Jesus superior a Deus? E um pecado mortal seria capaz de anular os pecados da humanidade toda, e quando Jesus disse que nós mesmos é que temos que pagar tudo até o último centavo?
E atentemos para o fato de que o autor de Hebreus não diz que o homem vive uma vez só, mas morre uma vez só, exatamente porque um cadáver não morre outra vez, pois já morreu bem morrido e em definitivo. E o cadáver morreu, porque ele foi um ser terrenal, de barro, e cuja essência é pó, pelo que voltou, para sempre e em definitivo, para o pó que ele é. Mas o espírito do homem é imortal, pois é um ser celestial e emanado de Deus, e só sai do homem que se tornou cadáver. E a explicação de que não se pode separar o homem visível terrenal do homem invisível celestial só vale para quando o espírito está encarnado. Mas quando o homem terrenal morre, a separação é uma realidade.
Para nós nos convencermos dessa separação, basta lermos Eclesiastes 12:7, que nos mostra que ela é real e até inevitável. De fato, o destino do espírito é a dimensão espiritual, enquanto que o do corpo é o cemitério!
PS: Meus livros se encontram na UEM, rua dos Guaranis, 315.

1 comentários:
16.1.12
Amigo, o problema é que os educadores das religiões tradicionais tomam as escrituras ao pé da letra. A interpretam de forma que não entre em choque com os dogmas.
Um abraço. Tenhas um boa semana.
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