TESTE DE HONESTIDADE
Eu sei que já falámos disto, mas não resisto a recordar, uma vez mais, o excelente jornal português Tal&Qual, que por qualquer motivo desapareceu. Esse jornal tinha por hábito fazer uns testes de honestidade muito interessantes. Por exemplo: um jornalista disfarçava-se de turista estrangeiro recém chegado a Lisboa, e apanhava táxi no aeroporto, declarando querer ir para determinado lugar. Anotava as mil voltas que o taxista dava de modo a tornar a viagem duas, três, quatro, cinco, seis vezes maior que o necessário. Depois voltava ao aeroporto e repetia o processo. Tirava fotografias com os diversos taxistas, que depois tinham a agradável surpresa de se verem nas páginas do jornal.
Outro teste de honestidade notável foi aplicado a mecânicos de automóveis. O jornalista desligava um simples fio numa viatura novinha e em excelentes condições, dirigia-se à oficina, e saía de lá com uma conta astronómica e os diagnósticos mais disparatados sobre os 'problemas' mecânicos de que o carro padecia. Nesse teste dos mecânicos houve UM honesto. Ligou o fiozinho, não levou nada, desejou um bom dia ao cliente e teve a consagração de aparecer no jornal como um mecânico de automóveis honesto.
Mas o teste que mais terá divertido os leitores foi levado a cabo por uma jornalista que foi a diversos consultórios de magos/videntes/médiuns/'professores astrólogos' e contou-lhes uma história mirabolante e totalmente inventada. A jornalista era solteira, mas queixava-se da falta de afecto por parte do marido. Os charlatães, sem excepção, aprestaram-se de imediato aos mais díspares diagnósticos e aos mais bizarros 'tratamentos'.
Para uns, era sem dúvida 'mau-olhado' que tinham lançado à pobre rapariga. Para outros, era de certezinha absoluta o Espírito de Fulano de Tal, que, invejoso da felicidade do casal, queria separá-los. Para outros, era sem margem para dúvidas uma bruxaria que lhes tinham feito. A lista era longa. Mas mais longa era a lista de 'tratamentos' necessários. Além do preço das consultas, a jornalista foi convidada a pagar velas, defumadouros, banhos 'de descarga', amuletos, rituais dos mais diversos, e até um rebanho de cabras, que um dos tratantes se propunha ir comprar à feira da Malveira, para sacrificar em noite de Lua Cheia!
À boa maneira portuguesa, os vigaristas não foram procurados pelas autoridades, e ainda terão recebido alguma aprovação popular daqueles que acham sempre que 'a culpa é dos otários que lá vão', porque 'estão mesmo a pedi-las'.
Nos tempos pós Tal&Qual, o melhor que conheço no género é este épico telefonema do humorista Nilton:
SE ALGUM JORNALISTA NOS LÊ, FICA AQUI A SUGESTÃO.

1 comentários:
31.1.12
Bem, este telefonema do Nilton está demais. (risos)
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