QUESTÕES DE LINGUAGEM OU ALGO MAIS?
O que é um charlatão - cumpre que se pergunte, pois é disso que tratamos.
Vejamos o que diz o famoso dicionário Priberam sobre o charlatão, e a sua actividade, o charlatanismo ou charlatanaria:
--- charlatão
(italiano ciarlatano)
adj. s. m.
1. [Antigo] Que ou quem é inculcador de drogas, elixires e segredos de muito préstimo.
2. Que ou quem explora a boa-fé do público, inculcando os próprios méritos e erudição para enganar. = ALDRABÃO, BURLÃO, INTRUJÃO, IMPOSTOR, TRAPACEIRO
3. Que ou quem se faz passar por aquilo que não é. = IMPOSTOR
4. Que ou quem exerce medicina de maneira incompetente ou sem estar habilitado.
5. Que ou quem quer mostrar qualidades que não tem.
Feminino: charlatã ou charlatona. Plural: charlatães ou charlatões.
--- charlatanismo
(charlatão na forma charlatan-+ -ismo)
s. m.
1. Qualidade de charlatão.
2. Impostura.
--- Mas o sufixo 'ismo' sugere 'doutrina', ou 'conjunto de princípios', e os charalatães não têm muitos princípios, se me permitem o gracejo...
--- charlatanaria
(charlatão na forma charlatan-+ -aria)
s. f.
Modos, linguagem ou procedimento de charlatão.
As palavras não são, nunca, o mais importante. O espírito é sempre mais importante que a letra, como disse Jesus de Nazaré. E por isso acho-me na obrigação de esclarecer com que espírito escrevo estas palavras: seria talvez mais elegante escrever 'Cuidado com o charlatanismo', ou 'Cuidado com a charlatanaria'. Mas 'charlatanismo' remete-nos para uma escola de pensamento, ou um conjunto de princípios, e princípios é coisa que nos charlatães não abunda, se me permitem o gracejo. 'Charlatanaria' é uma palavra que pouco se usa. E sendo assim, optei pelos 'charlatães', sem que com isto pretenda ser descaridoso.
Há neste blogue algumas referências a actividades da esfera da charlatanaria que nos têm obrigado a pôr os pontos nos ii. E uma ou outra pessoa têm dito que tal é capaz de ser um bocadinho agressivo, que não se deve julgar, etc..
Qualquer deliquente, grande ou pequeno, merece efectivamente a caridade do silêncio. E se possível da compreensão, pois só ele e Deus saberão que circunstâncias o levaram a delinquir. Esse é o julgamento moral. E Jesus de Nazaré advertiu-nos de que 'como julgarmos seremos julgados'. O que é absolutamente justo.
Mas não é de julgamento moral que se trata. Esse cabe a Deus. Nem de julgamento legal, que cabe aos Tribunais.
Nas nossas intervenções sobre este tema, o que está em causa é a caridade para com vítimas ou potenciais vítimas da charlatanaria.
Um exemplo:
Aqui há tempos escrevemos 'O Estranho caso da Mulher Que Não Existe'.
Não me sinto nada descaridoso por ter ajudado a expor uma fraude grosseira. Sentir-me-ia descaridoso se visse um bandido a espancar uma velhinha e passasse para o outro lado da rua. Sentir-me-ia descaridoso se não respondesse aos pedidos de opinião que aqui recebemos sobre charlatanarias diversas.
Não se trata de querer ser 'polícia' ou 'justiceiro'. Trata-se precisamente de caridade - ou solidariedade, como se diz nestes tempos modernos.



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