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Hoje, no "A Tarde é Sua"



A TVI, através da apresentadora Fátima Lopes, irá abordar o tema "Mediunidade nas Crianças", no programa "A Tarde é Sua", na próxima 4ª feira, dia 14 de Dezembro de 2011, pelas 15H00.
Em estúdio estarão 2 casos de crianças com mediunidade e, um membro da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) para comentar.



Fonte: ADEP (Braga)


- Lá conseguimos espreitar o programa "A Tarde é Sua". A primeira parte foi dedicada ao testemunho comovente dos náufragos do "Virgem do Sameiro". Na segunda parte o tema foi o da mediunidade nas crianças. Houve testemunhos, e o comentário do representante da Associação de Divulgadores do Espiritismo de Portugal.

Da apresentadora Fátima Lopes, o mínimo que pode dizer-se é que é brilhante. E que (tarefa nada fácil), consegue 'apagar-se', e deixar que os entrevistados brilhem. É ímpar a sua capacidade de criar um ambiente de empatia. Sem lamechices. As pessoas, ao pé de Fátima Lopes, como que "aparecem". Numa conversa televisiva conduzida por ela, parece que somos todos amigos de longa data.

No programa de hoje, talvez sem mesmo ter a noção do excelente serviço que prestou, Fátima contribuiu para que se desse um passo de gigante neste problema tão comum, mas ainda tão incompreendido, da mediunidade nas crianças.

Como frisou o convidado da ADEP presente no estúdio, a mediunidade é uma faculdade orgânica, que nada tem de sobrenatural ou de anormal. É médium todo aquele que tem sensações e percepções oriundas do mundo espiritual. E como o mundo espiritual e o mundo material se sobrepõem, há muitas pessoas que sentem com particular intensidade esse contacto. São esses os chamados portadores de mediunidade.

Todos os que perambulamos na Terra, somos Espíritos, vindos do mundo espiritual e temporariamente reencarnados/nascidos no mundo material, para que aprendamos mais um pouco e nos aperfeiçoemos. As crianças, sendo Espíritos recém-chegados, estão ainda muito ligadas ao mundo dos Espíritos, que acabam de deixar. Daí que tenham muitas vezes percepções mediúnicas muito nítidas.

Na nossa Sociedade há duas ideias dominantes, duas propostas de explicação da vida: a ideia religiosa tradicional e a ideia ateísta/materialista. As religiões tradicionais, ou não têm explicação para a mediunidade, ou atribuem-na, umas vezes a intervenções de Deus e dos anjos, outras, aos supostos "diabos". Já o materialismo/ateísmo, põe tudo por conta de distúrbios mentais, e os médicos materialistas/ateus, não sabendo o que fazer, receitam calmantes.

Paralelamente às posições das religiões tradicionais e da ideologia materialista (que raramente logram sucesso quando o problema são manifestações mediúnicas menos agradáveis), pululam os negociantes do infortúnio alheio. São conhecidos os propagandistas dos "cofres abertos", das "moradas abertas", que vendem (a bom preço!...) uma parafernália de completas inutilidades - são amuletos, defumadouros, rezas, benzeduras, rituais, pós para trazer na carteira ou dentro dos sapatos (!), e toda a sorte de bizarrias e quinquilharias, que por vezes ultrapassam a imaginação, tal é o refinamento dos expedientes para sacar dinheiro aos desafortunados que lhes caem nas mãos.

São resquícios de épocas passadas, quando as religiões primitivas, mágicas, acreditavam poder-se aliciar os "deuses" com oferendas, ou combater os seus desígnios com objectos especiais ou esconjuros. Sempre foi assim, e já no tempo de Moisés o povo recorria a estes negociantes, a ponto de o Patriarca do Povo Hebreu ter proibido tais actividades, a bem da ordem pública.

É certo que as crianças podem ter os seus amigos imaginários. Mas há casos em que esses amigos dificilmente serão imaginários. Nas associações espíritas aparecem casos de crianças que afirmam ter visto e conversado com pessoas que depois se descobre terem falecido antes de elas nascerem, e das quais nunca viram fotografias, nem cogitavam sequer da sua existência. Noutros casos há aparições, materializações até. Famílias que jamais ouviram falar de Espíritos, pessoas convictamente cépticas ou até ferozmente anti-espíritas, descobrem-se por vezes a braços com casos destes.

A mediunidade não é o problema. O problema é o desconhecimento, que faz com que os pequenos sejam muitas vezes tomados como mentirosos, sucessivamente castigados, e de outras vezes cercados de preconceitos que podem mesmo acabar por traumatizá-los. Há quem, não sabendo como lhes responder, simplesmente ignora os seus relatos e deixa as suas dúvidas sem resposta - o que também não é aconselhável.

Como não nos cansamos de dizer, a mediunidade é neutra. Há quem tenha experiências mediúnicas péssimas, e quem as tenha óptimas.

No Evangelho, por exemplo, encontramos o caso da Transfiguração de Jesus-Cristo: Jesus sobe com alguns dos seus apóstolos ao Monte Tabor, e aí conversa com Moisés e Elias (que haviam deixado este mundo séculos antes). É um episódio de mediunidade, tal como o aparecimento dos chamados 'anjos'. E foi de certeza muito agradável, pois os apóstolos, na sua simplicidade, até sugeriram ao Mestre que se montasse umas tendas, para pernoitarem ali com os Patriarcas...

Nos Evangelhos também, encontramos o caso do menino que era perseguido por maus Espíritos, que o levavam a perder a consciência a atirar-se para o fogo. Este caso, obviamente, era tudo menos agradável. Mas teve resolução, com a intervenção do Mestre Jesus. Hoje, Jesus-Cristo não está entre nós fisicamente, mas os seus ensinamentos estão, graças a Deus. E não é com mezinhas ou palavras mágicas que se afastam os maus Espíritos. É com esclarecimento e amor ao próximo que os maus se tornam bons, quando se lhes chega ao coração. E isso, que se saiba, não está à venda...

O Espiritismo é uma doutrina filosófica e moral cristã. Ao contrário das religiões propriamente ditas, o Espiritismo não acolhe o conceito de Sobrenatural. Para o Espiritismo, tudo é natural. O que há são Leis no Universo que o ser humano ainda desconhece. Nem as da Física e da Química ainda dominamos, e são mais fáceis de estudar.

O intercâmbio entre dois mundos, contudo, tem sido estudado desde há mais de século e e meio, por cientistas espíritas e não espíritas, e quem se meteu a estudá-lo, concluiu que há vida após a morte do corpo físico, e que há uma multiplicidade de fenómenos que o atestam. Charles Richet, Prémio Nobel da Medicina, não era simpatizante da filosofia espírita, e assim concluiu. Carl Gustav Jung (um dos grandes nomes da Psicologia/Psiquiatria), também não era espírita, e foi o grande inspirador da corrente da Psicologia Transpessoal, que aceita o conceito de imortalidade da alma, ainda que com outras designações.

Fazemos votos de que o programa de hoje tenha deixado boas sementes. Estamos certos disso. A apresentadora, já dissemos que esteve excelente, como sempre. O
representante da ADEP, e as pessoas que foram dar os seus testemunhos, outra coisa não têm a movê-los que não o desejo de valer a outros, como em tempos lhes valeram a elas, ou aos seus familiares. Para que as mentalidades progridam, e para que, neste caso, haja cada vez menos crianças a sofrer a incompreensão que advém da ignorância. Para que os preconceitos medievais e as crenças pré-históricas dêem lugar a uma visão racional dos fenómenos mediúnicos.

AVISO:

Os espíritas (para quem não sabe), são pessoas normais. Podem possuir mediunidade ou não, como qualquer pessoa. Espíritas são todos os que simpatizam com este filosofia cristã. O Espiritismo não cobra, jamais, nem dinheiro nem favores (nem sequer qualquer tipo de compromisso ou adesão), pelos esclarecimentos e ajuda que presta. As despesas das associações espíritas são pagas pelas quotas dos seus sócios. Os espíritas têm as suas profissões, o seu ganha-pão, como toda a gente. Qualquer pessoa ou associação que se apresente como espírita e aceite pagamentos, ou adopte práticas exóticas, espalhafatosas ou irracionais, estará a fazer-se passar pelo que não é. Esses casos devem ser expostos, porque a ser assim, se trata de abuso de confiança e fraude.

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1 comentários:

Anónimo

15.12.11

Os meus parabéns para a D. Julieta Marques e para o José Lucas.

Mais uma vez a doutrina espirita esteve bem representada, na TV. Os esclarecimentos foram claros e objectivos, a postura simultaneamente humilde e determinada. A excelência da ADEP é um exemplo que me marcou e continua a marcar, desde que conheço a doutrina.

É preciso coragem para se expor na TV como espirita. Nem todos os espíritas se prestariam a isso, como medo do prejuízo que o preconceito alheio pode trazer, do ponto de vista profissional.

VS

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