
Já viu o vídeo?
Quem vir este vídeo terá um panorama do que se passa no atendimento de uma associação espírita. Este tipo de casos é frequente. As pessoas vêm muito confusas, misturam factos relevantes com outros banais, crendices e superstições com informação objectiva.
Numa associação espírita o espaço do atendimento é privado, é uma simples conversa de amigos, à semelhança da vivência dos primeiros cristãos, que partilhavam os seus problemas e se aconselhavam mutuamente.
O atendimento, num centro espírita, não é uma "consulta". Os médicos, ou os advogados, são profissionais que dão consultas. Os espíritas não são profissionais, e nada há no Espiritismo de ritualístico, místico, sacramental ou oculto. O Espiritismo é cultura, e em casos como este o que se faz é procurar esclarecer as pessoas.
Naturalmente que a filosofia espírita não se acha dona da Verdade. O Espiritismo dá a sua visão própria destes fenómenos, escusado será dizer.
Sem nos atermos a pormenores, o que o Espiritismo defende, com base em factos, em observação e estudo científico amplamente reportados (e que são de toda a História da Humanidade), é que a morte do corpo não é o fim da vida. O corpo morre, mas a vida continua, noutro estado da matéria, numa dimensão paralela ao nosso mundo material.
O mundo dos Espíritos e o mundo material não estão separados. Sobrepõem-se. Nas religiões dogmáticas, tradicionais, de todo o mundo, encontramos reflexos do que afirmamos, com adaptações mais ou menos fantasiosas, moldadas à medida do entendimento de cada época e ao sabor das características de cada povo.
Com variações, por todo o mundo lá encontramos o túnel de luz por onde o Espírito "sobe" quando deixa o corpo. Encontramos uma avaliação "deve e haver" da jornada terrena que finda (o chamado juízo final), e o "arrumar" do recém-chegado no céu, no inferno ou no purgatório, segundo o seu mérito.
Ideias antigas que vestem factos eternos.
O trabalho, com uma pessoa como a Cristina, a senhora que foi ao programa da Júlia Pinheiro, é dar-lhe esta panorâmica, fazendo-lhe notar que a mediunidade é a capacidade que o organismo humano tem de sentir, ver, ouvir, cheirar, em suma, percepcionar impressões que vêm do mundo dos Espíritos, que não são "daqui".
A mediunidade não é um "dom", não é sinal de missão especial, divina. Tão pouco é uma maldição ou um castigo. A mediunidade é do organismo de toda a gente. É um sexto sentido que uns possuem mais apurado que outros.
Explicado isto, os medos devem cessar, pois não há motivo para tal. Os que partiram não se acham arrumadinhos num céu de eterna pasmaceira nem num inferno de chamas ardentes. Os que partiram estão tão vivos como nós. Muitas vezes sem o desejarem, podem causar-nos contratempos desagradáveis. Uma pessoa com sensibilidade mediúnica pode mudar abruptamente de humor, sentindo-se triste ou eufórica, consoante o esteja algum Espírito de que ela capte o humor. Ou alguma pessoa que seja ainda deste mundo, diga-se de passagem.
Os famosos casos das chamadas casas assombradas ou os conhecidos fenómenos 'poltergeist' costumam ficar a dever-se a Espíritos que basicamente gostam de se divertir à custa de quem está "deste lado", beneficiando-se da sua condição de invisibilidade.
Histórias populares como a do Gasparzinho, e outros fantasminhas brincalhões, têm o seu fundo de verdade.
O Espiritismo retira esse véu de mistério, levando luz a uma área do conhecimento em que a maior parte das pessoas ainda se sente pouco à vontade, só se resolvendo a estudá-la quando se acha em "assados" como os da valente Cristina.
Mas é compensador ver a mudança ocorrer, quando se explica estas coisas às Cristinas deste mundo e as suas vidas voltam a decorrer sem medos, em paz.
Não é só para este tipo de "SOS espiritual" que o Espiritismo serve. O Espiritismo é uma filosofia cristã muito profunda e muito interessante. Mas que dá um jeitão nestes casos, isso dá...
Nesse sentido acho que o programa valeu a pena. Foi pena que a representante da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal não tivesse um bocadinho mais a palavra. Mas já foi bom, e sublinho a utilidade da intervenção da apresentadora, que alertou e sublinhou, que estas coisas se prestam a aproveitamentos por parte de charlatães. Cada programa destes acende luzes, desperta consciências, leva esperança a quem sofre calado e pensa: "Isto só acontece comigo!".
Não é verdade. "Isto" acontece com muita gente. Uns por medo, outros por desconhecimento, outros por vergonha, calam-se e... aguentam.
Os pesquisadores de fenómenos paranormais não me pareceu que adiantassem muito na história. Já é conhecido este tipo de investigação, de programas como os do canal Reality TV - e que não abonam muito para a causa do estudo sério, pois trata-se de puro entretenimento, de coisas encenadas, nos programas desse canal.
Não foi o caso deste grupo, é claro. Estavam de boa-fé e fizeram o que melhor acharam. E pode ser que encoraje cientistas a dedicarem-se a estes estudos. Já houve muitos que meteram mãos à obra no intuito de provar que a imortalidade da alma é uma ilusão e que nestas coisas são tudo imaginação ou fraude. E acabaram por comprovar que afinal os fenómenos são verdadeiros. Ernesto Bozzano, Cesare Lombroso, o Nobel Charles Richet, Sir William Crookes, foram alguns deles...
Em nome de todas as pessoas a quem este programa, apesar da sua simplicidade, foi de certeza útil, o meu agradecimento à SIC, à Júlia Pinheiro e à equipa do "Querida Júlia".

5 comentários:
16.11.11
Eu pessoalmente também gostei! Notas-se cada vez mais um interesse do publico e mesmo das televisões pelo Espiritismo. Gostei também bastante da forma como a Julia Pinheiro expôs o caso, creio que de uma forma nobre (até pediu ás pessoas para não baterem palmas, para se criar um ambiente mais sério). Creio que a Julia Pinheiro teve o cuidado de não tornar o assunto uma palhaçada. Até fiquei admirado pois pareceu-me que ela já tinha alguns conhecimentos a nivel de Espiritismo, sublinhando ela mesma que ser médium não implica ser Espirita. E que os Espiritas são gente séria que não anda á procura de dinheiro. Gostei bastante da forma como a apresentadora quis sublinhar isso, aconselhando mesmo a Cristina a procurar uma casa espírita. O ponto mais fraco foi o dos Investigadores paranormais, que no final não tinham como ajudar obviamente, até porque me pareceram bastante amadores, mas enfim conta a boa vontade. Foi pena de facto não ter sido dispensado mais tempo de antena á Dona Amélia que era a pessoa mais avalizada para comentar o caso. Mas como sempre a Dona Amélia em pouco tempo conseguiu fazer um brilharete e elucidar a audiência. Gostei!
17.11.11
Mail enviado para a SIC (atendimento@sic.pt):
Olá,
Em nome do Blog de Espiritismo, de que faço parte, venho agradecer à SIC e a toda a equipa do Programa "Querida Júlia", de que a encantadora Júlia Pinheiro é o rosto visível.
Os motivos do agradecimento são o permitirem que a Doutrina Espírita ou Espiritismo possa dar a sua opinião publicamente sobre casos como o da senhora que ontem esteve no programa:
http://blog-espiritismo.blogspot.com/2011/11/querida-julia-um-balanco-parte-1.html
http://blog-espiritismo.blogspot.com/2011/11/querida-julia-um-balanco-parte-2.html
http://blog-espiritismo.blogspot.com/2011/11/querida-julia-um-balanco-parte-3-e.html
Não nos move qualquer tipo de sectarismo, desejos de protagonismo ou qualquer outro interesse que não seja o de servir o próximo. Graças a vós, podemos chegar a mais gente e passar a palavra, contribuindo assim para levar esclarecimento a muita gente que sofre calada.
Obrigado,
Blog de Espiritismo
17.11.11
Caro Paulo,
Também vi o programa e, de modo genérico sou da sua opinião.
Reparei naquela equipa algo estranha de investigadores paranormais e, sem ter tido uma única palavra fosse de quem fosse, fiquei algo perplexo. Seriam espíritas? Seriam do Centro Espírita de Caldas da Rainha?
Estava a Senhora Dª Amélia, que julgo não se ter referido a esse "detalhe", que me lembre, o que deixa a entender que sim senhor, eram "conhecidos". Ou então que se "esqueceu" de falar no assunto, para não melindrar a realização televisiva.
Esta dúvida (a televisão tem as suas subtilezas que rebocam sempre interferências catitas e charmosas) conviria, pelo menos aqui "só para nós" colocar o preto no branco.
Aquilo fez-me lembrar, de forma picaresca e inevitável, aquela "cena" dos Ghostbusters. Há alguma coisa de sério naqueles "aparelhos de medida", no magnetismo, na cama fria?
Se acharem este comentário desestabilizador e impróprio, não o publiquem. Mas acho, sinceramente, que este Blogue, tem todo o direito, sem melindrar a Senhora Televisão, de esclarecer os espíritas de boa fé.
Para que não fiquem dúvidas ou equívocos desajeitados.
18.11.11
Esta passagem meteórica da ADEP por um programa de TV (cerca de 4 minutos), motivou-me a escrever 3 posts de seguida. Vá-se lá saber porquê.
Esse "pormenor" dos investigadores de fenómenos paranormais é muito pertinente. É possível que haja espectadores a pensar que quele é o modo de operar do Espiritismo no tocante à investigação.
Eu estive tentado a fazer ainda mais um post a esclarecer esse assunto, e se calhar ainda o farei.
Obrigado pelas vossas opiniões e observações, sempre pertinentes.
AA
18.11.11
Têm razão no que afirma, realmente para quem não é espírita, ou não conhece por dentro o Espiritismo, de facto poderia associar de alguma forma aquela equipa de investigadores (amadores, sem querer ser ofensivo)ao espiritismo, ou á forma como o Espiritismo actua.
A Prof Amélia teve muito pouco tempo de antena, e utilizou-o de forma muito inteligente, eu creio que não lhe terá ocorrido de fazer essa distinção.
Mas este problema coloca-se sempre, e irá colocar-se sempre, porque os Espíritas são apenas convidados pelas televisões, não são editores dos conteudos a comunicar. A grande maioria das vezes até só conhecem parte do que irá desenrolar-se , aliás foi isto mesmo que aconteceu desta vez.
Esse é um dos problemas, a grande maioria das vezes as peças de reportagem, nunca chegam a ser supervisionadas ou editadas pelos Espíritas, restando-lhes cruzar os dedos e rezar para que a informação seja colocada de melhor forma.
Este problema só poderá ser resolvido, quando os Espíritas passarem a ser editores das peças a produzir, isto poderia ser feito em programas de Religião ou Doutrinas, como por exemplo o programa "Fé dos Homens" da RTP2, este programa não é só para Religiões também é uma forma de destaque para filosofias de vida, como o Budismo por exemplo. Creio que o Espiritismo também deverá ter ali o seu espaço de quando em vez, principalmente para os Portugueses perderem a ideia de que ser médium é ser Espirita, que o Espirtismo têm a ver com dinheiro ou charlatanice, ou que o Espiritismo é bruxaria.
Enquanto os Espiritas não começarem eles mesmo a produzirem e a controlarem peças para serem passadas na TV, o que teremos é sempre uma imagem que nunca é completa, mas é sempre fruto daquilo que se consegue passar e dizer no momento.
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