Spiga

"Querida Júlia" - Um balanço (parte 1)



Hoje, tal como anunciámos aqui no blogue, a SIC abordou o tema do Espiritismo e da mediunidade, no programa "Querida Júlia".

Antes de mais, e como o post vai em partes, permitam que diga que, como sempre, gostei. Acho a Júlia Pinheiro uma simpatia, e sendo ela o rosto visível de uma equipa que imagino grande e dedicada, envio a todos o meu carinho e reconhecimento.

Esperamos em breve ter aqui disponível o vídeo, porque contém elementos interessantes para reflexão. Para quem não viu, tratava-se de uma senhora que ouve ruídos, tem sensações desagradáveis, e apresenta um quadro mais vasto de sinais de que pode estar a ser alvo de alguma ou algumas companhias espirituais menos agradáveis. Aquilo a que popularmente se chama o "encosto".

Para quem nunca passou por uma coisa assim, será fácil escarnecer, dizer peremptoriamente que a senhora "é doida", e outros mimos que tais. Mas quem já esteve a braços com situações daquelas sabe que uma coisa são problemas do foro psicológico, do âmbito exclusivo da Medicina, e outra são casos como o que vimos.

Note-se, de caminho, que o Espiritismo aconselha SEMPRE a que se dê prioridade à Medicina. Só quando a Medicina verifica que o problema não é do seu âmbito é que entra a ajuda do Espiritismo. E felizmente já há alguns médicos que enviam pacientes para as associações espíritas, por reconhecerem também essa diferença.

Aliás, em Portugal já há três associações de médicos espíritas, das quais duas com site:

http://www.ameportugal.org/

http://ameporto.org/

Aqui no Blog de Espiritismo não nos cansamos de lembrar que a Medicina está primeiro. Mas também acontece aparecerem pessoas nas associações espíritas que querem à viva força ver e ouvir os Espíritos, e que não apresentam indícios de mediunidade, mas sim de complicações da área de competência da Psicologia/Psiquiatria.

Curiosamente, acontece com essas duas especialidades o que acontece com o Espiritismo: há ainda uma certa resistência, um certo estigma de que "psiquiatras e psicólogos são para os doidos".

A senhora que hoje foi ao programa "Querida Júlia" admitiu já ter recorrido aos chamados "médiuns-comerciantes", mas felizmente teve o bom-senso de detectar da parte destes a tendência para explorar a situação até aos limites do possível.

Também já temos falado aqui muitas vezes disso. Há gente que faz negócio com a mediunidade e que é bem intencionada e honesta (sempre houve, por exemplo, as chamadas "mulheres de virtude" e os médiuns de curas físicas ditos "endireitas" que habitualmente são gente boa).

Mas também há puros charlatães, com uma habilidade natural para explorar o infortúnio alheio, que em casos como este vão mantendo o cliente ao longo de meses, ou mesmo anos, vendendo-lhe miragens tais como defumadouros, banhos de ervas, rezas especiais, velinhas, amuletos, rituais bizarros e mais um "comboio" de recursos completamente inúteis.

Inúteis porque nada há de material (fórmulas especiais, sinais, palavras mágicas, produtos sólidos, líquidos ou gasosos) que "afastem os Espíritos". Os Espíritos são pessoas como nós, que já viveram na Terra; não são mosquitos, que se afastam com um daqueles aparelhinhos de ligar à corrente eléctrica.

Partilhe este artigo:

0 comentários:

Enviar um comentário