Esta coluna, de José Reis Chaves, às segundas-feiras, no diário de Belo Horizonte, O TEMPO, pode ser lida também no sitehttp://www.otempo.com.br/
Ela está liberada para publicações. José Reis Chaves é autor dos livros “A Face Oculta das Religiões”, “A Reencarnação na Bíblia e na Ciência” Ed. EBM (SP) e “A Bíblia e o Espiritismo”, Ed. Espaço Literarium, Belo Horizonte (MG).
e-mail: jreischaves@gmail.com
Os livros de José Reis Chaves podem ser adquiridos também pelo e-mail: contato@editorachicoxavier.com.br e o telefone: 0800-283-7147.
Este texto é reproduzido no Blog de Espiritismo com autorização do autor.
José Reis Chaves
As teologias antigas receberam influências da mitologia
Publicado no Jornal OTEMPO em 28/11/2011
Nós podemos divinizar-nos, mas Deus não pode humanizar-se

As teologias das religiões mais antigas receberam influências da mitologia, misturando a divindade com a humanidade. Também a teologia do cristianismo nascente não escapou dessas influências.
O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, di-lo-nos a Bíblia. Mas também nós criamos Deus à nossa imagem e semelhança, o que é a chamada antropomorfização de Deus.
Das influências mitológicas, sabemos que os teólogos cristãos do passado foram também suas vítimas. Por ser Jesus um homem perfeito, os teólogos antigos imaginaram que Ele era também Deus. Eles agiram de boa-fé, mas cometeram o grave erro teológico mais comum, isto é, o exagero. Eles acertaram em muitas de suas elucubrações teológicas, mas erraram grandemente quando, exagerando as coisas, concluíram que Jesus é outro Deus. E o pior é que os teólogos de hoje ainda apoiam esse lamentável erro que corrói o cristianismo e incrementa o materialismo!
Pelo início do Evangelho de João, ficamos sabendo que Jesus Cristo é o Verbo ou Fala de Deus, e que o Verbo ou Fala de Deus era Deus. De fato, Jesus Cristo é Deus de algum modo, pois é a Fala de Deus para a humanidade, o que quer dizer que Ele é Deus, mas relativo. E, segundo João, a Fala é Deus (Deus relativo) e estava com Deus, o Pai (Deus absoluto). Como se diz, filho de peixe peixinho é. Por isso, Jesus é Deus, mas relativo. Isso é bíblico. E não só Ele é Deus relativo, como nós todos o somos também: "Vós sois deuses" (Salmo 82:6; e João 10:34). Mas não confundamos as coisas como o fizeram os teólogos antigos influenciados pelos deuses mitológicos. "Quando alguém aponta o dedo para a Lua, observemos a Lua, e não o dedo!". Jesus tem sua identidade de Filho de Deus, e Deus tem a sua de Pai de Jesus e de todos nós.
Se Jesus se aperfeiçoou, Ele não pode ser Deus, pois Deus é imutável. "Tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos que lhe obedecem" (Hebreus 5:9). Os teólogos argumentariam que Ele se aperfeiçoou como homem e não como Deus. Isso é, como se diz, papo furado, já que eles mesmos afirmam que não se pode separar o lado humano de Jesus do seu lado divino. Aliás, é com esse argumento que até criaram um dogma, ou seja, o de que Maria é Mãe de Deus ("Teotokos"). O que aceitarmos, então, como verdade, o dogma de que são inseparáveis os supostos dois lados divino e humano de Jesus, ou o ensino bíblico de que Ele é um ser humano que se aperfeiçoa, evolui e que é Filho de Deus, como nós também o somos, e que, portanto, é igualmente nosso irmão maior e nosso modelo?
O Filho de Deus, por excelência, nos ensinou que nós podemos fazer tudo o que Ele fez e até mais ainda. Mas se Ele fosse mesmo Deus absoluto, real, e não apenas relativo, tal coisa jamais nos seria possível! Quem somos nós para fazermos o que Deus faz?
Com a nossa evolução espiritual sempiterna, um dia, quando formos de fato semelhantes a Deus em perfeição, e entrando na sua sintonia, nos tornando um com Ele, como já o faz Jesus, de algum modo nós nos tornaremos divinizados. Mas Deus não pode se humanizar jamais, pois Ele é imutável!
PS:
1) Parabéns à Rosângela G. Nascimento pelo lançamento de seu livro "Atravessando Fronteiras". Contato: roseangel23@oi.com.br
2) Ouça, aos sábados, www.avozdoespiritismo.com.br das 12h às 13h30, com Nelson Custódio, na Band de Araçatuba (SP), entrevistas e palestras com este colunista.
As teologias antigas receberam influências da mitologia
Publicado no Jornal OTEMPO em 28/11/2011
Nós podemos divinizar-nos, mas Deus não pode humanizar-se

As teologias das religiões mais antigas receberam influências da mitologia, misturando a divindade com a humanidade. Também a teologia do cristianismo nascente não escapou dessas influências.
O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, di-lo-nos a Bíblia. Mas também nós criamos Deus à nossa imagem e semelhança, o que é a chamada antropomorfização de Deus.
Das influências mitológicas, sabemos que os teólogos cristãos do passado foram também suas vítimas. Por ser Jesus um homem perfeito, os teólogos antigos imaginaram que Ele era também Deus. Eles agiram de boa-fé, mas cometeram o grave erro teológico mais comum, isto é, o exagero. Eles acertaram em muitas de suas elucubrações teológicas, mas erraram grandemente quando, exagerando as coisas, concluíram que Jesus é outro Deus. E o pior é que os teólogos de hoje ainda apoiam esse lamentável erro que corrói o cristianismo e incrementa o materialismo!
Pelo início do Evangelho de João, ficamos sabendo que Jesus Cristo é o Verbo ou Fala de Deus, e que o Verbo ou Fala de Deus era Deus. De fato, Jesus Cristo é Deus de algum modo, pois é a Fala de Deus para a humanidade, o que quer dizer que Ele é Deus, mas relativo. E, segundo João, a Fala é Deus (Deus relativo) e estava com Deus, o Pai (Deus absoluto). Como se diz, filho de peixe peixinho é. Por isso, Jesus é Deus, mas relativo. Isso é bíblico. E não só Ele é Deus relativo, como nós todos o somos também: "Vós sois deuses" (Salmo 82:6; e João 10:34). Mas não confundamos as coisas como o fizeram os teólogos antigos influenciados pelos deuses mitológicos. "Quando alguém aponta o dedo para a Lua, observemos a Lua, e não o dedo!". Jesus tem sua identidade de Filho de Deus, e Deus tem a sua de Pai de Jesus e de todos nós.
Se Jesus se aperfeiçoou, Ele não pode ser Deus, pois Deus é imutável. "Tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos que lhe obedecem" (Hebreus 5:9). Os teólogos argumentariam que Ele se aperfeiçoou como homem e não como Deus. Isso é, como se diz, papo furado, já que eles mesmos afirmam que não se pode separar o lado humano de Jesus do seu lado divino. Aliás, é com esse argumento que até criaram um dogma, ou seja, o de que Maria é Mãe de Deus ("Teotokos"). O que aceitarmos, então, como verdade, o dogma de que são inseparáveis os supostos dois lados divino e humano de Jesus, ou o ensino bíblico de que Ele é um ser humano que se aperfeiçoa, evolui e que é Filho de Deus, como nós também o somos, e que, portanto, é igualmente nosso irmão maior e nosso modelo?
O Filho de Deus, por excelência, nos ensinou que nós podemos fazer tudo o que Ele fez e até mais ainda. Mas se Ele fosse mesmo Deus absoluto, real, e não apenas relativo, tal coisa jamais nos seria possível! Quem somos nós para fazermos o que Deus faz?
Com a nossa evolução espiritual sempiterna, um dia, quando formos de fato semelhantes a Deus em perfeição, e entrando na sua sintonia, nos tornando um com Ele, como já o faz Jesus, de algum modo nós nos tornaremos divinizados. Mas Deus não pode se humanizar jamais, pois Ele é imutável!
PS:
1) Parabéns à Rosângela G. Nascimento pelo lançamento de seu livro "Atravessando Fronteiras". Contato: roseangel23@oi.com.br
2) Ouça, aos sábados, www.avozdoespiritismo.com.br das 12h às 13h30, com Nelson Custódio, na Band de Araçatuba (SP), entrevistas e palestras com este colunista.

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