Hoje ouvi na TSF, um alto responsável do Governo Françês dizer que a “Grécia é uma coisa que podemos dispensar”, não posso dizer que tenha ficado admirado ao ouvir esta fria mensagem. Essas almas iluminadas (os dirigentes europeus) falam da Grécia como se trata-se de “uma coisa”, afinal de contas nós também já não vivemos num mundo de pessoas, nem sequer números, vivemos num mundo de “coisas”.
Segundo esta iluminada alma francesa, a Europa pode muito bem livrar-se dos “coisos gregos”, até porque segundo este dirigente francês cujo nome não me lembro e nem sequer vem aqui ao acaso, pois o pensamento deste senhor é o de muitos outros senhores e povos endinheirados do norte; curiosamente os mesmos que ajudaram a que a Grécia se afundasse em juros incomportáveis, onde a ganância puxou o máximo que pode.
Ironicamente, esta é uma história em a própria Grécia que criou “um coisa” chamada Democracia, nos tem muito a ensinar, pois também nos mostrou como se destrói um estado, quando a transparência desaparece e se semeia corrupção e falta de moral. Os Valores dos povos tendem a desaparecer perante as injustiças sociais alimentadas pelo desnorte dos cegos, que os lideram. Mas não nos coloquemos em bico de pés, se quisermos ser verdadeiros .
Todo este estado de coisas faz-me lembrar a velha história da Arca de Noé, aqui estamos perante uma Segunda Arca de Noé, onde os excomungados habitam nesses mares do Caos (África e as nações marginalizadas). Mas esta segunda Arca de Noé é bastante diferente da original retratada no livro do Génesis, Noé aqui já não é um filho de Deus, pois este foi esquecido nos longínquos e frios mares da indiferença e Egoísmo
Na história original, Deus tinha abençoado a construção da Arca, Noé um homem de Bem tentava salvar pessoas (não coisas). A história conta-nos que houve um grande dilúvio, e muitos dias após a tempesdade, finalmente foi largada uma pomba para verificar se existiria um sinal de terra. A pomba trouxe boas notícias, e a Humanidade foi salva com a compaixão de Deus.
Falamos muito possivelmente de uma história mitológica, mas com um grande fundo de verdade. No livro do Génesis, escrito num tempo em que os Homens percepcionavam Deus como um Pai Tirano que castiga os seus filhos, pelos males que infligem uns aos outros; a tempestade das tempestades foi lançada por Deus, de modo a criar uma renovação.
A tempestade nunca chegou na verdade a terminar, e nela estão muitos povos onde a maldade, violência vencem constantemente nos corações consumidos, onde muitos inocentes sofrem ás mãos de poderosos, sofrem ás mãos de outros homens, seus próprios irmãos.
Mas aqui estamos nós de novo, nesta segunda Arca de Noé, vários povos brigam entre si, cada um rema para o lado que mais lhe convém. O sentido de unidade é algo há muito colocado de lado, é apenas cosmético,desprezando-se os mais fracos, só os interesses dos fortes predominam, é a lei da Selva. Esta segunda Arca de Nóe não tem como objectivo encontrar Deus, nem amparar os desprotegidos, pelo contrário o destino que leva é o da rota traçada pelos países de terceiro mundo, países como a China, onde os direitos dos homens e dos trabalhadores são uma miragem, e se suicidam aos mil. Mas os iluminados líderes europeus alimentados pela cegueira da ganância e do Lucro, e acima de tudo, sedentos de “coisas”, estão a afundar a Arca de Noé, Noé aqui é um homem tirano, e egoista pronto a mandar borda fora todo aquele que pese na barca. Resta-nos saber, se a próxima “coisa” a ir borda fora, e afundar-se no mar do caos em que muitos continentes e povos estão há muito mergulhados, será mesmo a Grécia.
Os “chefes de estado”, todos gritam e berram numa cacofonia “que não são a Grécia”, todos a rejeitam, ironicamente quando todos partilham das mesmas corruptas feridas que afundaram a mesma.
Nestes tempos onde o caos se agita mais do que nunca, e parece reclamar mais povos para os mares do sofrimento de onde muitos nunca sequer saíram, resta aos Espíritas e Homens de Bem termos fé e esperança, não numa segunda vinda de Jesus, como muito profetas da desgraça apregoam; Mas sim que a humanidade no seu todo pare e por apenas um segundo, oiça com ouvidos de ouvir as palavras esquecidas daquele que mais nos amou. De forma a serem renovados os corações dos homens, abrindo-os finalmente a Cristo.
Quer estejamos na Arca dos privilegiados, ou quer estejamos nas águas do Caos dos aflitos, abracemos a única bóia que nos poderá salvar e servir de terra firme, abracemos pois as palavras de Jesus e tenhamos compaixão uns dos outros. Pois todos sofremos, os nossos corações são iguais, quer estejamos na Arca ou nas aguas do Caos, seremos sempre irmãos, na dor e na alegria. Sofremos todos não hás mãos de Deus, mas sim ás mãos dos desnorteados homens. As águas que se agitam, não são sopradas por Deus, mas sim pela indiferencia do nosso egoísmo e pela ganância a que todos nós nos oferecemos.
Que Deus ilumine as almas nestas escuras noites da humanidade.
Que o Espiritismo consiga iluminar esta terra, revelando aos menos esclarecidos os mundos que se seguem após este, ocultos apenas para os que não acreditam em Deus. Enquanto espíritas, não acreditamos, mas sim sabemos que esses mundos existem, somos testemunhas vivas desse mesmo mundo espiritual que nos foi apresentado por Jesus, temos pois obrigação de elevar bem alto a luz, para ela nos iluminar a todos, crentes, e descrentes. Essa luz será sempre totalmente revelada, mais cedo ou mais tarde, poupemo-nos pois ao sofrimento de ficarmos afastados dela, ou de não a divulgarmos com a mais forte das convicções.
Paulo


2 comentários:
3.11.11
Está na altura de mais um dilúvio e de mais um recomeço. Esperemos que seja um dilúvio de bom senso e o Fim do Mundo do egoísmo.
AA
4.11.11
Na verdade, para os governos e para a maioria dos poderosos da humanidade, o homem comum é lixo! "coisa" ainda podia não ser lixo... Nós não somos considerados apenas coisas, mas coisas que se exploram e se atiram para o lixo. Grande parte de nós, homens comuns também considera os outros como lixo. Teremos de nos queixar de ser tratados como tratamos o próximo?
os animais devem ser bem tratados, todos concordamos, mas, na auto-proclamada sociedade civilizada, muitos homens são tratados abaixo dos animais. Tomara muita gente ter ração de cão para comer, na Somália, por exemplo, para não dizer ao lado da porta de muitos de nós...
Amar o próximo é uma frase que não faz sentido quando se vê o próximo como lixo. A evolução tecnológica do séc. XXI nada alterou em termos morais. A palavra "moral" até é excluída por muitos, porque dizem ter um teor religioso. Mesmo as pessoas que prezam a moral têm medo de falar e acusar a injustiça. O instinto de sobrevivência, em épocas duras, tende a falar mais alto.
Neste dia em que, confesso, estou um pouco desanimado, deixo aqui o meu pedido aos Bons Espiritos, servidores voluntários de Deus, que nos ajudem a deixar germinar dentro de nós a semente de amor que nos permita alterar a situação, começando por nós mesmos, obviamente.
Enviar um comentário