Spiga

Um grande passo para o Correio da Manhã




Quando hoje escrevi o post "Hoje é dia de caírem preconceitos", fi-lo voluntariamente antes de sair para ir comprar o Correio da Manhã.

Fiz esta introdução, essencial para situar os leitores:

É hoje que o jornal Correio da Manhã, na sua revista Correio de Domingo, publica um artigo em que aborda o Espiritismo - propriamente dito. Faço esta ressalva porque ao longo dos anos o CM tem usado o termo Espiritismo de forma imprópria, designando pessoas e práticas que estão nos antípodas da nossa filosofia.

E comecei com este parágrafo:

A ideia de que Espiritismo é "ir a uma consulta com uma senhora que fala com os mortos", instalou-se durante muitos anos e ganhou raízes. Que nós procuramos vigorosamente ajudar a arrancar.



Depois lá fui, e preparava-me para fazer um breve comentário, ao que o nosso amigo que assina com o nome do seu blog, palavra luz, deixou este comentário, que resume o que eu diria:

«Caro André,

Conforme prometi aqui, noutro comentário, lá fui hoje logo de manhã comprar o "Correio da Manhã", não esquecendo de conferir se tinham incluído o suplemento com o artigo indicado.
As minhas expectativas incluíam uma larga dose de cepticismo.
De facto, tenho desenvolvido a noção de que os temas abordados pelos meios de comunicação (a que me recuso chamar “social”), deveriam ser o motivo, a causa e a finalidade de um certo esclarecimento, mas de facto não o são.

O trabalho jornalístico está sujeito a conveniências estritas de audiência, de vendibilidade, de popularidade, condimentos terríveis a puxar a tarefa legitimamente informativa para um plano meramente instrumental.

Aquilo que é um movimento cultural sério e cheio de dignidade, com figuras de relevo do mais variado cariz, com antiguidade histórica, não merece um destaque caracterizador ou seja, os jornalistas “mobilizados” para um trabalho destes são uns pobres coitados (ou parece!...) que nunca ouviram falar, que não gastaram um minuto a preparar a matéria e que não procuraram contextualizar nada.

Abordam a notícia, pouco mais do que brevíssima, de trás para diante.
Começam com o acessório, umas histórias de duas Senhoras tal e tal que atendem pelo telefone, que têm dotes mediúnicos (o que eu não duvido) e é apenas depois desse preâmbulo ou aperitivo “noticioso” que começa a emergir de chofre o verdadeiro tema que até era capa da revista, logo promovido a “polaridade chamativa”.
Efeitos das telenovelas brasileiras recentes? De uma continuidade persistente de filmes, livros e revistas estrangeiras que ao assunto dão relevo muito mais importante? Vá lá saber-se!...
O tal esquema do sensacional, do sentido de que agora é isto “que está a dar”, é o que é.

Não vou alargar-me mais, mas quero entretanto prestar aqui uma homenagem da mais viva consideração às pessoas, voluntários e generosos servidores da causa do espiritismo que se abalançaram a dar a cara pelo movimento, sujeitos a uma presença muito menos digna e muito pior fundamentada e detalhada do que aquilo que mereciam.

SE EU ACHO NEGATIVA, NO SEU SOMATÓRIO, ESTA JORNADA?

Não, não acho.

Um suplemento destes num jornal do tipo do “Correio da Manhã” pode ser considerada uma vitória, e os elementos cultural e moralmente activos na divulgação da doutrina merecem o meu encómio, a minha gratidão e o meu melhor aplauso.

Que Deus vos abençoe e nos traga rápidos progressos na necessária e essencial caminhada em direcção à LUZ viva da evolução espiritual.
»

Não será, realmente, uma peça jornalística que espelhe o que é o Espiritismo. Mas nós, que o estudamos há 10, 20, 30 anos, temos uma visão diferente da da maioria das pessoas, a quem o artigo é dedicado.

Se mais nenhum preconceito tiver caído, estou certo de que caiu pelo menos o que este jornal aparentemente tinha em relação à filosofia que nos encanta.

Foi um pequeno passo para quem estuda Espiritismo, mas um grande passo para o Correio da Manhã. Podiam ter ficado na deles, de nos tratar com sobranceria. Não ficaram, e estou-lhes grato por isso, em nome de todos aqueles a quem o Cristianismo Redivivo pode vir a ser útil. O que me faz correr, no Espiritismo, é proporcionar aos outros o porto de abrigo que aqui encontrei um dia.


Obrigado, Correio da Manhã.

Obrigado, palavra luz.

Partilhe este artigo:

7 comentários:

palavra luz

30.10.11

Caro André,

Lembrando os simpáticos irmãos "Dupont et Dupond" eu diria mesmo mais:

"...Foi um pequeno passo para quem estuda Espiritismo, mas um grande passo para o Correio da Manhã..."

Gostei e muito honrado fico.

Pedro

30.10.11

Mas e a reportagem, como é que ficou?

André

31.10.11

Cheers, palavra luz :)

Pedro,

A reportagem já devia estar online, em

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/a-ajuda-que-nao-esta-entre-nos

Mas no meu pc não consigo ler texto algum :(

AA

Pedro

31.10.11

Experimentei hoje à noite e consegui. Poderá ser conteúdo bloqueado desse lado pelo browser, javascript desactivado, etc.

Experimentar outro browser também pode ser uma solução.

Pedro

31.10.11

Retiro o que escrevi, só tinha visto a página com o título e introdução. Basta deslocar a barra vertical e o texto tem apenas "São mediuns"
Deve ser de lá mesmo.

André

1.11.11

Pois parece mesmo que sim. Mas tentarei transcrever para publicar aqui.

AA

Paulo

1.11.11

Eu acho que a reportagem até foi boa, claro, explica de uma forma muito simples e simplificada o Tema do Espiritismo, ajudou a criar uma distancia com os médiuns comerciantes. Também não podíamos esperar um verdadeiro artigo espirita, até porque trata-se de um jornal para as pessoas com menos entendimento do que é o Espiritismo, ou o que significa ser Espírita. Eu acho que a reportagem desperta a curiosidade no publico, convidando os interessados no tema a procurar por mais.

E o facto de ter "caras", pessoas que colocaram as suas histórias pessoais, que nos contam como chegaram ao Espiritismo, valorizou ainda mais a reportagem. As histórias de vida, muitas vezes de sofrimento e consolo amparam as pessoas, o que as pessoas querem normalmente é amparo, quando chegam aos centros. Devemos inspirá-las, dar-lhes confiança, mostrar-lhes que existe uma luz no Espiritismo e no centro dos seus próprios corações.


Eu gostei! :)

Enviar um comentário