Olá Hélio,
Tal como sempre aconselhamos, há que verificar bem se se trata de algum distúrbio obsessivo, ou se o problema é do âmbito da Psiquiatria. Ser-se médium é normal. Todos somos médiuns, em menor ou maior grau, porque a mediunidade é a sensibilidade para o mundo espiritual. Algumas pessoas têm ligeiras intuições, sensações, inspirações, e nem cogitam de que se possa tratar de um fenómeno mediúnico. Mas noutras os fenómenos são tão ostensivos que é impossível não reparar neles.
A mediunidade em si não é boa nem má. É neutra. A mediunidade é uma antena psíquica. Pode captar do bom e do mau, do frívolo e do construtivo. Jesus de Nazaré era um médium ostensivo. Hitler também.
Passar sempre pelo médico é o que aconselhamos. A Medicina está primeiro. O Espiritismo depois. Existem associações de médicos espíritas, em Portugal e no Brasil, e esses estão especialmente capacitados para determinar se o problema é psicológico ou se é obsessivo.
Para quem não sabe, a obsessão (numa definição o mais simples possível mas necessariamente incompleta) é a influência desagradável de um Espírito sobre uma pessoa "viva". Quando essa influência é praticamente irresistível, e desorganiza de maneira drástica o comportamento e a saúde da pessoa atingida, chamamos-lhe subjugação. As religiões tradicionais chamam a isso posssessão, e atribuem-no aos "demónios".
No Espiritismo não usamos o termo possessão porque os Espíritos não se apoderam, não entram, no corpo de ninguém.
Com esforço e persistência é sempre possível sacudir o peso de uma obsessão, por muito grande que este seja. Mas no caso que descreve, há um enorme senão: é que a sua namorada não quer ser ajudada nem quer ajudar-se.
Nesse caso, nada mais há a fazer do que orar por ela. Se ela não consente ir ao médico ou ao centro espírita, se não consente procurar ajuda na religião que ela entenda, se, em suma, repele a ajuda, temos que respeitar a liberdade dela.
É o que nós faremos, pedindo a Deus que a Ana Paula possa mudar a sua disposição e iniciar a sua reforma interior, bem como o irmão ou os irmãos que neste momento possam estar a incomodá-la.
A Deus tudo é possível. Sem Deus, nada é possível. Sejamos perseverantes na nossa fé, e a tempestade passará.
«Cristo na Tempestade do Mar da Galileia», de Rembrant.

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