Quando em 1992 Sinead O'Connor rasgou a foto do Papa em sinal de protesto contra os abusos sexuais de alguns clérigos católicos na Irlanda, assinou o fim de uma carreira promissora. Onde quer que fosse actuar, a partir daí, era invariavelmente recebida por um coro de assobios e pateada. Não teve outro remédio senão retirar-se. Era uma estrela em ascensão, tinha um talento arrebatador, mas não foi compreendida e muito menos perdoada.
Escrevo isto na mesma semana em que Mary MacKillop, a freira australina pioneira na denúncia de abusos sexuais entre o clero, é elevada aos altares e proposta para padroeira das vítimas de abusos sexuais. Foi excomungada em 1871 e agora reabilitada pela Igreja Católica e distinguida com a maior honra que esta concede: tornou-a santa.
Talvez seja altura de o público e a Igreja Católica apresentarem um pedido de desculpas a Sinead O'Connor. Não há necessidade de se esperar 140 anos.


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