
É a questão do momento, por via do romance de José Rodrigues dos Santos: seria Maria, mãe de Jesus, virgem ou não? Na minha incomensurável pequenez atrevo-me a sugerir que como essa questão jamais terá uma resposta concludente, ficará ao critério de cada um e da sua crença. Pessoalmente, não creio que Jesus de Nazaré possa ter nascido de outra forma que não a de outro qualquer mortal. Mas a mim não me afecta em nada a virgindade ou não virgindade de Maria, muito menos Maria ou Jesus ficarão diminuídos por causa dessa questão.
A ira que José Rodrigues dos Santos está a despertar por causa de um romance (repito: um ro-man-ce!) parece-me que ainda é capaz de criar um novo Salman Rushdie. O que é sintomático de uma coisa: a mensagem de Jesus permanece desconhecida, e as pessoas continuam a esgadanhar-se por causa de questões de pormenor, de forma, de dogma.
O romance de JRS poderá ter o condão de escrever por linhas tortas e chamar a atenção para uma interrogação: Quem seria realmente Jesus?
Há muita gente que desenvolve um trabalho de pesquisa que vai muito além de questões superficiais, e que carece ser descoberta. A bem da universalidade e conteúdo grandioso da mensagem cristã.
Post-Sriptum: quanto à segunda parte da "heresia" de JRS, o facto de Jesus o Cristo "não ser cristão", ou se trata de uma questão igualmente insolúvel de semântica, ou o que JRS quer dizer é que Jesus o Cristo não era católico/protestante/ortodoxo/fundador de qualquer religião ou Igreja organizada, institucional. Aí também concordo.

5 comentários:
27.10.11
O Salman Rushdie português?!? De onde é que saiu essa? Há alguma razão para a comparação, além do facto de trazer muita gente ao blog?
27.10.11
A comparação é tão óbvia que me parece desnecessário explicá-la, amigo. O título não tem intuitos sensacionalistas, é apenas liberdade de expressão e algum sentido de humor, sendo que o humor pode não ser sempre Malucos do Riso.
Saudações,
AA
27.10.11
Foi o que eu pensei, "este tipo estava a escrever para os malucos do riso, só pode"...
Esta comparação só é humorada se devidamente enquadrada, o que não é o caso aqui. Numa comparação séria, só se fosse com o J.Saramago, e mesmo assim seria injusta e pobre em pontos de contacto.
Entretanto, peço desculpa se de alguma forma pareço "sem humor" ou agressivo. Não é de todo minha intenção nem estado de espírito. E respeito e apoio o resto do texto! O título, apanhado onde o apanhei, é que me parece descabido. Apresentado como piada num programa de humorzinho, ficaria bem, assim como está parece-me enganador...
Ah, e devo acrescentar que até tenho seguido e (aconselhado a amigos) com agrado a obra do JRSantos, mas antes dele usar esta desonesta fórmula Dan Brown...
27.10.11
Obrigado pela sua opinião, Johnny. A palavra escrita, sobretudo quando falta o talento, não consegue transmitir o tom do que se diz, e que pode ser mais sério ou mais ligeiro. Não me passa pela cabeça que alguém vá querer liquidar fisicamente o amigo "Orelhas" ;-)
Acusam-no de ser um Dan Brown português, mas nós o que temos mais são versões portuguesas de coisas e pessoas internacionais. Há uns anos houve até um "Travolta português", veja bem...
Não tenho procuração para defender o JRS, nem o faço, mas acho bizarro tanta comoção por causa de um romance. A Inquisição em Portugal durou até ao século XIX, e por via disso ainda há alguns tabus que persistem.
AA
27.10.11
JSR, do cimo da sua altitude televisiva, não chega a regalar-se com a pequeníssima "controvérsia" que esta questão nos traz aqui, ao "nosso" Blogue.
Regala-se sim, com a posição "pseudo-controversa" de alguns elementos da igreja católica apostólica e romana que tentam fazer dele "o diabinho que pisca o olho" a um país inteiro, numa sem cerimónia que acho de pouco senso e de muito mau gosto. Declarando taxativamente nos comentários feitos que acham o livro lamentável... sem o terem lido!... (isto para mim, equivale a outra piscadela de olho!...)
A igreja católica sim, que faz vender livros com os seus "anátemas"!...
(Já lá vai tempo que eles queimavam OS ESCRITORES E OS LEITORES e não apenas OS LIVROS!...)
Johnny descategorizou o paralelismo com Salman Rushdie, que também vendeu muitos mais milhões de livros que JRS, e está bem de saúde, muito obrigado.
Johnny insinuou que esta atitude seria destinada "a trazer muita gente" a este Blogue. Oxalá trouxesse, mas duvido muito.
Entretanto a "controvérsia está aguerrida, já há mais um comentário e esclarecimento respectivo, faço votos que isto "traga muita gente ao blogue". Ah, a propósito, um esclarecimento: reconhecendo a enorme e fabulosa vitalidade dos JRS's deste mundo, NÃO ME PASSA PELA CABEÇA, ALGUMA VEZ NESTA VIDA, LER OS LIVROS QUE ESCREVEM, por muito "êxito que façam.
Na minha "estante" imaginária há muitos milhares de obras antes dessas, à espera consagrada de serem lidas.
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