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Nobel da Química reescreve manuais

"Depois de ter excluído que se pudesse tratar de um erro experimental, Shechtman falou aos seus colegas da sua descoberta. A reacção foi violenta: Shechtman foi ridicularizado, o seu chefe mandou-o ler melhor os manuais de cristalografia e até o quis expulsar do laboratório."


Hoje, no jornal Público, a reportagem intitulada "O homem que mostrou que os manuais de cristalografia estavam errados" conta a odisseia do Nobel da Química hoje atribuído ao israelita Daniel Shechtman. Há 20 ou 30 anos parecia que a Ciência já tinha descoberto tudo. Todos os dias a realidade mostra o contrário. Na Ciência, como na Política, na Filosofia, na Arte, na Religião, há as mentes abertas e os dogmáticos, capazes até de ridicularizar um detentor de um Prémio Nobel. E de caminho, não nos esqueçamos que ainda hoje há cientistas (!) que defendem que a Terra é o centro do Universo, tem 4 mil anos e que a narrativa bíblica é para ser tomada literalmente, Adão e Eva incluídos. O fascínio temeroso pelos livros, mesmo quando estes não retratam fielmente a realidade - como os manuais de cristalografia, que entretanto terão que ser substituídos por outros mais actuais, e que daqui a mais uns anos por sua vez, darão lugar a outros.

"Todas as grandes verdades começam por ser blasfémias."
George Bernard Shaw

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