Perdoem-me se me repito, nas historietas e no tema, mas já vou para Avô Cantigas e o declínio das células cerebrais leva-nos a repetições. Já devo ter-vos falado, por isso, de um amigo meu que em certa ocasião esteve para levar uns tabefes por ter esclarecido um grupo de pessoas sobre uns achados arqueológicos.
Debruçavam-se, na ocasião, os visitantes de um certame, sobre o que restava de um esqueleto de um homem pré-histórico, e comentavam que "aquilo havia de ser antigo", quando o meu amigo, cortês e prestável, e por ser o encarregado pela exposição, referiu:
"Têm 40 mil anos...".
Foi o bom e o bonito!
"Ah seu #"&%$?*"!!! Atão você pensa que a gente por sermos da Vila Nova da Serra que somos parvos, seu %$#"/%&&??? Atão Jesus Cristo foi o primeiro homem e nasceu há 2 mil anos!!!".
E entre a razão e a perspectiva de umas solhas, pregadas pelo grupo de valentes cavaleiros de motocicletas V5, o meu amigo lá se calou.
O exemplo é extremo, concedo. Mas é indicativo da visão comum sobre a História, e também, já agora, sobre a chamada História Sagrada. Da minha experiência, tenho a ideia de que para o português médio a história Pátria começou com D. Afonso Henriques, porque foi o primeiro Rei de Portugal. Antes dele, tem-se a ideia dos Lusitanos, esses Astérixes da vida real, que do alto dos Montes Hermínios deram séculos de luta aos invasores Romanos. O resto, os longos períodos de impérios, de ocupações, de invasões, de migrações, passam ao lado da maior parte das pessoas. A tentação de simplificar é grande. E é compreensível, porque a gente tem os impostos para pagar, a roupa para lavar, a cozinha para arrumar e muito trabalho para fazer, e assim sendo, os Romanos, os Árabes, os Visigodos, os Celtas, os Iberos, os Celtiberos, os Suevos, os Vândalos, os Alanos, os Cartagineses e outros que tais, podem esperar. Contentem-se em ficar na categoria dos que passaram por aqui, mas que não têm muita importância. Como, aliás, também não tem muita importância saber-se exactamente onde nasceu Cristóvão Colombo, se era genovês, castelhano ou alentejano. Por cortesia para com os italianos, que não tiveram descobridores nenhuns, acordamos tacitamente em dar-lhes o Colombo, e assim eles também fazem parte do triunvirato sul-europeu que "deu novos mundos ao mundo", nos idos de Quinhentos.
E iríamos por aqui fora, pegando já nesta gesta heróica dos Descobrimentos, que portugueses, espanhóis e italianos, gostam de celebrar só nos aspectos positivos. Que os houve, pois tratou-se de feitos de grande coragem e engenho científico, e abriram portas ao progresso dos conhecimentos geográficos, botânicos, zoológicos, matemáticos, tecnológicos, astronómicos, médicos, comerciais, e muitos outros. Mas para quê a gente estar agora a falar dos milhões de nativos norte-americanos massacrados pelos espanhóis? Para quê a gente estar agora a falar da vergonha da escravatura - que não foi inventada pelos espanhóis e pelos portugueses, mas que foi por estes levada a uma escala global... Para quê a gente falar de genocídios, etnocícios, de destruição de povos e culturas inteiros, das histórias de cupidez e brutalidade protagonizadas pelos aventureiros dos países citados e também pelos ingleses, holandeses e franceses? Existe a tendência de não questionar, de não aprofundar, de reduzir tudo à expressão mais simples e mais cómoda. Tem-se um certo medo da verdade.
Na História Sagrada acontece o mesmo. Mas disso falarei na segunda parte desta singela reflexão.


2 comentários:
28.10.11
ELES TENTARAM IMPEDIR VOCÊ DE CONHECER A VERDADE RETIRANDO O SITE DO AR!
Mas você ainda pode ler o livro mais polêmico e revelador dos últimos tempos!
= O POMO DE OURO =
Sinopse: Henrique foi instruído nos mistérios da Maçonaria desde criança e tornou-se um bom Mestre Maçom. Entretanto, por ocasião dos atentados ao World Trade Center, no dia 11 de setembro de 2001, Henrique descobriu coisas tão perturbadoras que fizeram ele se afastar da Maçonaria e isolar-se do mundo, até que sua amiga Eva Cristina foi procurá-lo para ajudá-la a decifrar um código que o pai dela havia deixado numa carta antes de falecer em suas explorações arqueológicas. A partir daí, Henrique se vê obrigado a usar de seus conhecimentos secretos da Maçonaria para ajudar Eva a encontrar e devolver a quem de direito um objeto do qual depende o futuro da humanidade: o pomo de ouro.
Com uma narrativa dinâmica e envolvente para uma trama repleta de mistério, aventura e reviravoltas, o leitor é apresentado a uma série de contradições envolvendo os atentados de 11 de setembro, se torna conhecedor das mentiras da Igreja Católica e dos mais finos mistérios da Maçonaria, além da interpretação contundente de um conjunto de profecias que parece estar se concretizando a todo o momento em nosso tempo.
Realidade? Ficção? O Pomo de Ouro é a leitura mais intrigante, misteriosa e polêmica dos últimos tempos. Um livro único e imperdível!
LEIA 07 CAPÍTULOS DO LIVRO GRATUITAMENTE NO SITE CLUBE DE AUTORES:
http://www.clubedeautores.com.br/book/115624--O_Pomo_de_Ouro
29.10.11
Caro André,
Acompanho perfeitamente a sua preocupação em colocar a necessidade de uma consciência histórica mínima, com o respectivo complemento das preocupações cronológicas, etc.
O ensino de um país deveria ser, como recomendam os milhões de discursos que se têm ouvido a esse respeito, a espinha dorsal de uma formação fundamental para a cidadania.
Os meus avós maternos, apesar da sua humildade cultural que excluia essa consciência, eram criaturas duma mansidão receptiva que os preparava intuitivamente para saltos qualitativos enormes.
É certo que tinham vivido nos Estados Unidos e tinham, por isso, tirados as medidas ao Oceano Atlântico, o que é uma grande oportunidade de se familiarizarem com a vastidão impressionante do mundo e da Obra da Criação.
A minha avó paterna, nos anos trinta, foi viver para junto deles e, sendo pessoa ilustrada por alguma cultura e sensibilidade espiritual, levou até eles a doutrina dos espíritos. Repito, nos anos trinta do passado século.
Esses meus muito queridos antepassados, o avô materno com o evangelismo que fora buscar aos Estados Unidos, e a avó com o seu respeitabilíssimo catolicismo tradicional e sumamente reverente da Alegria, da Dor e da Graça, impregnado da já referida mansidão; entenderam e integraram perfeitamente a mensagem que a minha avó paterna, de seu nome Cristina, lhes levou das terras de Leiria, para Cernache do Bonjardim.
Foi uma mensagem desintegradora de séculos de uma obediência estrita ao pensamento condicionado da missa ouvida em latim, imagine-se! Uma crença abstracta e obrigatória em dogmas absurdos e ouvida em latim, em Domingos muito curtos de muita canseira dolorosa.
A sociedade esta nossa de hoje, oscilante entre telemóvel e televisor, bafejada com mais promessas de direitos e de ilustração cultural do que com a concreta entrega disso mesmo, não me parece infelizmente preparada para travar o diálogo mínimo. O compasso de silêncio que pressupõe escutar o outro com cuidado, alguma gentileza e a receptividade imprescindível.
Além do conhecimento real dos factos da História, além da cultura sempre difícil e intrincada que ninguém parece disposto a oferecer realmente a quem dela precisa, será necessário porventura sofrer muito. Regressar à pobreza humilde.
Os primeiros-ministros nunca se enganam. E também não mentem. O nosso de agora, já nos disse que iriamos empobrecer, pela certa.
O outro, aquele cujo nariz de madeira nunca parava de crescer, dizia o que lhe vinha à cabeça; "n'importe quoi".
Devemos estar no bom caminho, André!...
Enviar um comentário