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Fazer Política



O bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, criticou o que chamou de “turbo-capitalismo financeiro, que muda toda a agenda política, económica e financeira da noite para o dia e não dá sequer a possibilidade aos governos de actualizar as medidas necessárias” para enfrentar a actual crise.

Notícia completa no jornal Público.

Provavelmente não faltarão, como de costume, vozes críticas das afirmações deste clérigo, argumentando que "as religiões devem ocupar-se da salvação da alma e não fazer política".

Não concordo. Às religiões também cabe defender as causas justas e o interesse colectivo.

Nesta semana, está a dar que falar o movimento pró democracia real, e ficarão como emblema deste movimento as declarações de uma manifestante, que afirmou que "99% das pessoas não podem continuar a apanhar as migalhas que 1% deixam para trás" - a TV mostrou.

A organização de direitos humanos AVAAZ atingiu esta semana 10 milhões de membros e está empenhada neste movimento.

A AVAAZ faz política? Faz a política de defender os direitos humanos, o ambiente, o bem-estar animal, e as causas que julga justas, sem obedecer a agendas partidárias ou a lóbis.

Por toda a tarde, caem ditaduras, outras são contestadas. Por toda a parte, pessoas de boa vontade dizem que chega de tanta desigualdade, em nome do egoísmo irracional de uns poucos. A revolta é pacífica, é política no sentido mais nobre do termo, e quer-se que se mantenha assim.

A Internet, e a troca de informação que possibilita, não é alheia a este movimento:

"As massas nunca se revoltarão espontaneamente, e nunca se revoltarão apenas por ser oprimidas. Com efeito, se não se lhes permitir ter padrões de comparação nem ao menos se darão conta de que são oprimidas." - 1984, George Orwell

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