
olá,
há uma coisa que me faz impresão no espiritismo e em outras religiões, que é a reincarnação. pois acho que Deus não quer que as pessoas sofram pelos erros que fizeram.
o ke me tem a dizer sobre isto?
obrigado,
fernando
Olá Fernando,
Permita-me um esclarecimento prévio:
O Espiritismo só é religião no sentido em que crê em Deus e na imortalidade da alma. Nesse sentido, possui aquilo a que se costuma chamar sentimento religioso, e apenas nesse sentido pode ser considerado uma religião. Para ser uma religião no sentido tradicional do termo teria de ter uma quantidade de coisas que costuma caracterizar as religiões:
- dogmas inquestionáveis; sacerdócio; rituais; concepções tais como as de 'milagre', de 'sobrenatural', de criaturas privilegiadas como os 'anjos', ou eternamente más como os 'diabos'; não há profissionalismo; vestes especiais; cânticos especiais; velas; defumadouros; cerimónias; sacramentos; imagens sagradas; altares; etc., etc., etc..
O Espiritismo é um movimento cultural, uma filosofia. Tem uma atitude de estudo, de raciocínio e pesquisa sobre temas como Deus, a imortalidade da alma, a comunicabilidade dos Espíritos, a reencarnação, a vida inteligente fora do planeta Terra, e muito especialmente o legado moral de Jesus de Nazaré.
Como no Espiritismo de fala de Deus e de Jesus, como se fala da Antigo e do Novo Testamento, há quem numa avaliação superficial julgue tratar-se de uma religião tradicional.
Mera questão de palavras, como vê. Infelizmente ainda há quem faça um cavalo de batalha de uma coisa tão simples...
Sobre a questão da reencarnação, de modo algum a reencarnação é um castigo - na nossa concepção.
Nós cremos na reencarnação por vários motivos:
- Porque faz sentido, em termos morais e filosóficos
- Porque há evidências científicas que a confirmam
- Porque foi ensinada por pessoas tão eminentes como o próprio Jesus de Nazaré
Cada reencarnação é como um ano lectivo que um aluno cumpre numa escola. Começa no 1º ano e vai por aí fora até concluir o seu curso e começar a trabalhar. Ora, seria absurdo afirmar-se que passar de ano é um castigo para o aluno. Repetir o ano pode ser um castigo, mas é um castigo que o próprio aluno arranjou para si mesmo, devido à falta de aplicação nos estudos.
Um aluno que repete o ano não está confortável, mas tem que repetir para aprender. Essa exemplo do aluno que repete é comparável às reencarnações menos agradáveis. Mas está na mão de cada um de nós aproveitar cada vida carnal, de modo a que o futuro possa ser cada vez mais de aprendizagens felizes, e menos de aprendizagens dolorosas.
As vidas sucessivas são necessárias para o nosso aperfeiçoamento enquanto Espíritos. Está na nossa mão sermos alunos aplicados e fazermos um percurso feliz, ou sermos alunos pouco aplicados e enfrentarmos contratempos.
Se o nosso futuro no além-túmulo fosse decidido após uma única vida terrena, onde estaria a justiça divina nos casos dos que nascem com deficiências mentais que os impedem de distinguir o Bem do Mal? Não têm mérito para um Além-Túmulo feliz, nem demérito para que lhes calhe em sorte um além-túmulo infeliz - ou indiferente, como é o caso do Limbo", uma criação das religiões tradicionais para resolverem esse problema.
O mesmo se pode dizer das pessoas que morrem em tenra idade, e, como tal, não erraram nem acertaram, não podendo, pela lógica, ir nem para o Céu nem para o Inferno.
Onde estaria a justiça divina, se ao nosso redor encontramos gente rica e pobre, saudável e doente, rica e pobre, feliz e infeliz, talentosa e incapaz, inteligente e medíocre? Só a reencarnação nos dá a chave para conciliar essas desigualdades com a justiça divina.
Mais ainda: seria incompatível com um Deus infinitamente justo e bom, condenar os seus filhos a um sofrimento perpétuo, se a metáfora do Inferno de fogo e enxofre fosse levada à letra. As próprias religiões criaram a concepção do Purgatório, tão evidente se lhes afigurava a monstruosidade do Inferno eterno, à medida que reflectiam no assunto.
Muito mais se poderia dizer, e muito mais encontra neste blogue, e sobretudo nas obras básicas da Doutrina Espírita, ou Espiritismo.
Abraço amigo,
AA

4 comentários:
10.9.11
Eu acredito na reencarnação.
10.9.11
O que todos nós temos que entender é que no universo, não há acções sem consequências. E as consequências são boas ou más de acordo com a acção que se pratica. Não há castigos e punições, não há julgamentos prévios, mas há acção e consequências. Pule de um prédio de 10 andares e a consequência será drástica, mas não foi uma castigo. Faça aos outros o que não queres que lhe façam a si e as consequências serão drásticas, mas não será um castigo.
Cada acção que cometemos é como jogar uma pedra em um lago calmo, as ondas de efeito serão criadas e aquela calma será quebrada, por isso temos que ter na nossa mente a responsabilidade das nossas acções.
E a lógica reencarnação vêm nesse sentido, sendo o espírito humano eterno, cada vez que recomeçamos novamente é uma oportunidade nova de mudarmos a nossa influência no mundo para uma acção positiva e construtiva, e isso não pode ser considerado nunca um castigo, muito pelo contrário.
10.9.11
obrigado senhores andré e roger
asim com exemplos percebe-se melhor. andei a ler coisas da internete que diziam que o espiritismo tinha a opinião que reicarnar era castigo de Deus, mas afinal veijo que não é dessa maneira. e realmente Dus não podia mandar as pessoas para o inferno, se a gente vir bem as coizas.
abraços a todos
fernando
10.9.11
Cada encarnação é um caso.
Há pessoas que estão aqui para ser forçadas a evoluir, porque não sabem o que é o melhor para elas mesmo. Se assim não fosse permaneceriam infelizes para a eternidade (é uma grande parte das pessoas).
É preciso que compreendamos que, enquanto espíritos, somos todos irmãos. Isso é condição necessária, mas não suficiente para passar para mundos melhores, onde reina a fraternidade, a solidariedade, a paz.
Há pessoas que estão aqui para reparar o mal que fizeram com o bem, voluntariamente, pois enquanto espíritos já entenderam o sofrimento que causaram. Para limpar a sua consciência e caminhar para Deus, ou seja, para a felicidade, necessitam de compensar o mal que fizeram, com o bem. São aqueles que bendizem sempre o Criador, mesmo quando sofrem muito.
Há pessoas que não são deste mundo e estão aqui em missão (o exemplo mais elevado - Jesus).
A encarnação é uma oportunidade e os resultados dependem da nossa postura perante as circunstâncias da vida.
Há factores que dependem do nosso passado (a escolha do corpo em que encarnamos, o nosso grau de evolução espiritual à partida, as possíveis vinganças daqueles espíritos inferiores que acreditam que lhes fizemos o mal, em outras vidas).
Mas, em regra, a cada vida que começa, tudo está em aberto. O movimento das peças do xadrez da vida está na nossa mão, senão na totalidade, pelo menos em parte.
Mas uma coisa acredito piamente: o mal de que sofremos não serve para compensar o mal que fizemos no passado. Só podemos reparar o mal que fizemos com o bem. Só pelo facto de sofrer não ganhamos o céu, pois isso depende de como sofremos. Sofrer, neste mundo, todos sofrem. Uns mais, outros menos. Até Jesus, que já não era deste mundo, aqui foi crucificado...
VS
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