
Mais uma vez o jornal Público marca pontos, com uma entrevista notável a Oscar Pistorius.
Esta entrevista tem duas vertente - a desportiva e a humana. Oscar Pistorius é um atleta corredor. Quem gosta de Atletismo, quem comprou o jornal desportivo esta sexta-feira e leu "Oscar Pistorius em Portugal", pensou no atleta, e possivelmente já nem se lembrou da particularidade que o distingue dos demais.
Pistorius nasceu com uma limitação física grave, mas as suas prestações desportivas fazem-nos esquecer esse pormenor e já só vemos o atleta, e não a limitação.
Esta entrevista, para além de ser uma antologia de bom Jornalismo, merece-nos dois comentários:
- Este homem (e os seus pais) é um exemplo de força de vontade e coragem. A vida deu-lhe um limão e ele fez uma limonada. Já é campeão na vida, e não contente com isso ainda é campeão na pista. É obra!
- Do ponto de vista espírita, temos que referir que casos como este levam muita gente a descrer em Deus, porque aparentemente é incompatível com a justiça divina que uns nasçam fisicamente perfeitos e outros não, que uns sejam inteligentes e outros não, que uns vivam na abundância e outros se arrastem na miséria, que uns nasçam saudáveis e outros doentes.
Sem a reencarnação, de facto, assim seria. Quando as exigências imperiais romanas retiraram a reencarnação do Cristianismo, retiraram-lhe um elemento fundamental, que a Humanidade de hoje, já amadurecida, encara como condição essencial para crer num Deus justo e bom.
Não é porque 3/4 da Humanidade crêem na reencarnação que esta é verdadeira. Nem é por fazer sentido moral e filosoficamente. É porque cientificamente as evidências da reencarnação se avolumam - regressão de memória, pessoas que se lembram de vidas anteriores, comunicações mediúnicas, meninos-prodígio, marcas de nascença.
Reencarnar não é vir ao mundo outra vez "para sofrer". Cada vida terrena é preparada no mundo espiritual, pelo reencarnante e pelos seus Guias, e é estabelecido um plano que mais se adeqúe às necessidades evolutivas de cada Espírito.
As dificuldades que encontramos neste mundo decorrem da necessidade de pormos à prova as aquisições morais e intelectuais da nossa caminhada espiritual. Há também dificuldades que não são provas nem missões: são expiações. Quer dizer - erros passados podem reparar-se de várias maneiras, e muitas vezes o reencarnante escolhe enfrentar limitações dramáticas, para limar as suas arestas mais rapidamente. Aí então a razão para as desigualdades de saúde, fortuna, felicidade, inteligência.
Pode objectar-se que ainda assim há sofrimento. É certo que sim. Não é agradável para ninguém uma reencarnação de expiação de faltas passadas. Como não é agradável para ninguém ir parar à cadeia por ter transgredido a Lei. Contudo, a partir do momento em que o recluso entenda e aceite a expiação das suas faltas, sairá da cadeia livre, de consciência aliviada, com a sua dívida paga e disposto a trilhar melhores caminhos.
O que já não é aceitável nos dias de hoje é a concepção de penas eternas, dos infernos e dos diabos, por causa de faltas decorrentes muitas vezes da ignorância, das más companhias, do desvario passageiro. Essa doutrina não só já não assusta consciências amadurecidas, como faz mais descrentes do que crentes.

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