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Os fantasmas serão apenas superstição?

Noticia hoje o Correio da Manhã que um inquérito levado a cabo na Islândia demonstra que os habitantes desse país são «muito mais abertos para os fenómenos como sonhar com o futuro, pressentimentos, fantasmas e elfos, do que outras nações».

A notícia é integralmente transcrita do site Iceland Review, e pode ser lida aqui.

O autor do presente estudo, de seu nome Terry Gunnel (e não Terrey, como grafado pelo CM), não sei quem seja. Já o Doutor Erlendur Haraldsson, citado na notícia, esse sei. A página deste investigador e professor universitário pode ser vista aqui, e não, não é na Universidade da Farinha Amparo que ele lecciona. É na Universidade da Islândia mesmo, e o senhor da foto que ilustra esta entrada é ele.

Haraldson cursou Filosofia nas universidades de Edimburgo, e Psicologia na Universidade de Friburgo e de Munique. Fez estágio em Psicologia Clínica na Universidade da Virgínia (EUA). Obteve o doutoramento na Universidade de Friburgo em 1972. Foi pesquisador associado da Sociedade Americana de Pesquisas Psíquicas entre 1972 e 1974. Foi professor do Departamento de Psicologia da Universidade da Islândia (1973) e Professor Emérito da mesma universidade (1999). É um homem de Ciência, sério.

Ao contrário do que a notícia sugere, Haraldson não mete no saco da superstição todas as crenças do folclore do seu país, nem tudo aquilo a que se convencionou chamar "sobrenatural" ou "místico". O CM, logo seguido por outras publicações que re-transcreveram a notícia, ilustrou maliciosamente a notícia com uma imagem de Legolas, uma personagem de O Senhor dos Anéis, que é um elfo.

Pretende assim a publicação Correio da Manhã equiparar a crença em elfos tal como aparecem nas obras de ficção, à crença na imortalidade da alma - pois a designação de "fantasmas" refere-se, neste contexto, àqueles que já deixaram este mundo e que em certas condições de mostram aos chamados vivos.

O estudo de Terry, tal como estudo anterior de Erlendur, refere-se a crenças populares. Mas daí não se infere automaticamente que por serem crenças populares não possam ter fundo de verdade.

Cumpre separar o trigo do joio: nunca, jamais, foi encontrado qualquer fundo científico para a existência objectiva de elfos, sílfides, gnomos, sereias, fúrias, anjos, diabos, basiliscos, fadas, salamandras, ondinas, duendes, dríades, fadas, centauros, dragões, lobisomens, vampiros, chupa cabras, etc., etc., etc..

Todas essas figuras possuem a sua razão para existirem na crença e no folclore do mundo. Por tradição religiosa pagã, ou por devaneio de imaginação. Já a crença na imortalidade da alma, e a ela ligada a manifestação desta junto dos vivos, não só está presente na tradição dos povos como já foi exaustivamente investigada por inúmeros cientistas. O Doutor Erlendur Haraldson é um deles. Na sua página podem ser lidos todos os seus trabalhos acerca do tema, e em diversas vertentes. Trabalhou, entre outros com Ian Stevenson, em casos sugestivos de reencarnação.

A comprovação do que afirmamos está ao alcance de um clique. Basta visitar o site do académico e ler os seus trabalhos. Eventualmente apanhar um avião para a Islândia e falar com ele pessoalmente.

A alegação - recorrente em certos círculos - de que só no início do século XX é que se obtinham resultados positivos no estudo da imortalidade da alma, reencarnação e comunicabilidade dos Espíritos, é errada.Charles Richet, Prémio Nobel da Medicina e autor do Tratado de Metapsíquica, considerou fora de dúvida a imortalidade da alma, baseado na experiência científica. Já não está neste mundo. Mas este cientista islandês ainda cá está. Apresentar melhores explicações do que as Haraldsson é o que se pede aos detractores e aos zombadores costumeiros. Zombar, por si só, não é argumento.

Além do mais, se metemos no saco da "superstição" a crença na imortalidade da alma, lá se vão todas as religiões do mundo, pois todas se baseiam na existência e Deus (ou deuses) e nessa premissa da imortalidade.

Às vezes os negadores da imortalidade da alma/ anti-espíritas, são francamente supersticiosos, no sentido em que "papam" tudo o que aparentemente sustente as suas posições, sem se preocuparem com a seriedade. Já aqui o escrevi várias vezes...

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