Estudar Espiritismo; sobre Kardec e sobre Jesus
Como já temos escrito aqui muitas vezes, não é pela leitura deste blogue, nem pela leitura de romances mediúnicos, muito menos pelos verbetes dos dicionários, que alguém aprenderá verdadeiramente a Doutrina Espírita. Os romances mediúnicos são, muitos deles, bem bonitos e cheios de moral cristã. Este e outros blogues são um bate-papo agradável. Mas a Doutrina Espírita acha-se compilada (codificada) nas obras básicas:
«Concluímos que se básico significa “que ou o que serve de base, de fundamento; basilar, fundamental” (Houaiss), então, pelo que pudemos perceber das recomendações de Kardec, teremos que discriminá-las assim: O que é o Espiritismo, O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, A Gênese, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, A Revista Espírita, inclusive, conforme consta na RE mai/1869 (p 132). Às estas acrescentaríamos, por nossa conta, o livro Obras Póstumas, por ser uma publicação de escritos inéditos de Kardec. Se daí quiserem dividi-las em “de iniciação”, “importantes” e “complementares”, não faz a menor diferença, desde que, obviamente, a leitura de todas elas seja recomendada.»
Em: 'Quais são as Obras Básicas?' de Paulo da Silva Neto Sobrinho
Só saberá efectivamente de Espiritismo quem se der ao trabalho de ler e estudar seriamente estas publicações. Ler e reler - acrescentaríamos. Regressar periodicamente à fonte mais pura do Espiritismo permite-nos ter sempre um olhar mais esclarecido, à luz da experiência acumulada. Actualmente estamos a terminar uma releitura das obras básicas. Quantas discussões vãs e mal entendidos se evitariam se tivéssemos todos esse cuidado - mesmo os que verberam o Espiritismo sem jamais terem tratado de saber de que se trata.
Em: 'Quais são as Obras Básicas?' de Paulo da Silva Neto Sobrinho
Só saberá efectivamente de Espiritismo quem se der ao trabalho de ler e estudar seriamente estas publicações. Ler e reler - acrescentaríamos. Regressar periodicamente à fonte mais pura do Espiritismo permite-nos ter sempre um olhar mais esclarecido, à luz da experiência acumulada. Actualmente estamos a terminar uma releitura das obras básicas. Quantas discussões vãs e mal entendidos se evitariam se tivéssemos todos esse cuidado - mesmo os que verberam o Espiritismo sem jamais terem tratado de saber de que se trata.
Quero compartilhar convosco dois trechos de A Génese. No Capítulo I, Caráter da revelação espírita, Allan Kardec começa de entrada por questionar a Revelação Espírita:
«Pode o Espiritismo ser considerado uma revelação? Neste caso, qual o seu caráter? Em que se funda a sua autenticidade? A quem e de que maneira foi ela feita? É a doutrina espírita uma revelação, no sentido teológico da palavra, ou por outra, é, no seu todo, o produto do ensino oculto vindo do Alto? É absoluta ou suscetível de modificações? Trazendo aos homens a verdade integral, a revelação não teria por efeito impedi-los de fazer uso das suas faculdades, pois que lhes pouparia o trabalho da investigação? Qual a autoridade do ensino dos Espíritos, se eles não são infalíveis e superiores à Humanidade? Qual a utilidade da moral que pregam, se essa moral não é diversa da do Cristo, já conhecida? Quais as verdades novas que eles nos trazem? Precisará o homem de uma revelação? E não poderá achar em si mesmo e em sua consciência tudo quanto é mister para se conduzir na vida? Tais as questões sobre que importa nos fixemos.»
A resposta é desenvolvida ao longo dos 62 pontos seguintes, com a clareza, lógica e concisão própria do autor. Ao o seu papel na Revelação Espírita, Kardec dedica uma nota de rodapé. Fala sobre si apenas para clarificar a sua posição, definindo bem os limites do seu mérito:
«O nosso papel pessoal, no grande movimento de idéias que se prepara pelo Espiritismo e que começa a operar-se, é o de um observador atento, que estuda os fatos para lhes descobrir a causa e tirar-lhes as conseqüências. Confrontamos todos os que nos têm sido possível reunir, comparamos e comentamos as instruções dadas pelos Espíritos em todos os pontos do globo e depois coordenamos metodicamente o conjunto; em suma, estudamos e demos ao público o fruto das nossas indagações, sem atribuirmos aos nossos trabalhos valor maior do que o de uma obra filosófica deduzida da observação e da experiência, sem nunca nos considerarmos chefe da doutrina, nem procurarmos impor as nossas idéias a quem quer que seja. Publicando-as, usamos de um direito comum e aqueles que as aceitaram o fizeram livremente. Se essas idéias acharam numerosas simpatias, é porque tiveram a vantagem de corresponder às aspirações de avultado número de criaturas, mas disso não colhemos vaidade alguma, dado que a sua origem não nos pertence. O nosso maior mérito é a perseverança e a dedicação à causa que abraçamos. Em tudo isso, fizemos o que outro qualquer poderia ter feito como nós, razão pela qual nunca tivemos a pretensão de nos julgarmos profeta ou messias, nem, ainda menos, de nos apresentarmos como tal.
Para finalizar o rol de citações (raras, neste blogue), deixamos apenas o ponto 41 deste capítulo:
«O Espiritismo, longe de negar ou destruir o Evangelho, vem, ao contrário, confirmar, explicar e desenvolver, pelas novas leis da Natureza, que revela, tudo quanto o Cristo disse e fez; elucida os pontos obscuros do ensino cristão, de tal sorte que aqueles para quem eram ininteligíveis certas partes do Evangelho, ou pareciam inadmissíveis, as compreendem e admitem, sem dificuldade, com o auxílio desta doutrina; vêem melhor o seu alcance e podem distinguir entre a realidade e a alegoria; o Cristo lhes parece maior: já não é simplesmente um filósofo, é um Messias divino.»


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