Carta de Carlos Alberto Ferreira, membro da ADEP e do Centro Espírita Perdão e Caridade, de Lisboa, ao Correio da Manhã. Agradecimentos a Nuno Emanuel.
Lisboa, 11 de Agosto de 2011
R E G I S T A D O
Exmo. Senhor:
Octávio Ribeiro, Director
«CORREIO DA MANHû
Av. João Crisóstomo, 72
1069-043 LISBOA
octavioribeiro@cmjornal.pt
Os meus cumprimentos.
1. Ao ler a notícia «Peru: Curandeiro com 180 caveiras em casa», publicada na v/ edição do dia 2 do corrente mês, aliás muito oportuna, para divulgar e desmascarar práticas hediondas, fruto da superstição que floresce com a ignorância. Tais indivíduos, como o curandeiro de Lima, têm como objectivo explorar o sofrimento, a ambição e a cobiça humanas, pois não olham a meios, para impressionar os gananciosos e ingénuos, nesse sentido é muito importante o trabalho do jornalista ─ divulgar para desmascarar os oportunistas.
2. Mas, fiquei profundamente espantado e impressionado ao verificar que a notícia informa como sendo «espíritas», as práticas do curandeiro, o que é totalmente descabido e absurdo, revelando profundo desconhecimento do que seja o Espiritismo por parte de quem elaborou a notícia.
3. Esclareço que o Espiritismo é uma doutrina que surge pela primeira vez no mundo, em Paris — a capital cultural do Planeta na época —, pelo trabalho ingente do professor, pedagogo e linguista francês, Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido pelo pseudónimo celta, Allan Kardec, discípulo emérito do suíço Heinrich Pestalozzi, pai da pedagogia moderna. A certidão de nascimento do Espiritismo é «O Livro dos Espíritos», surgido pela primeira vez, nos escaparates das livrarias da cidade-luz, no dia 18 de Abril de 1857. Antes da publicação desse livro não existiam os vocábulos «Espiritismo» e «espírita».
4. Confunde-se, por ignorância e por má-fé, nalguns casos, o Espiritismo que é uma doutrina recente (154 anos), de tríplice aspecto (ciência, filosofia e religião) com a mediunidade que é um fenómeno natural, inerente ao ser humano, portanto é de todos os tempos e lugares. Os médiuns sempre existiram. Na Antiguidade eram designados de necromantes, sibilas, mágicos, profetas, etc; na Idade Média por feiticeiros, endemoniados ou santos; na actualidade por indivíduos psi ou paranormais.
5. Foi o Espiritismo que estudou esse fenómeno pela primeira vez, fenómeno que sempre esteve envolto no temor, na fantasia, na superstição, em suma na ignorância, que gerou tanto fanatismo, violência e sofrimento. Allan Kardec retirou a esse fenómeno natural a pecha de sobrenatural. Fundou em 1858 o primeiro laboratório do Planeta de estudos psíquicos: a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. A esmagadora maioria dos médiuns, desconhece o que seja o Espiritismo, portanto, não são espíritas. O Espiritismo é uma doutrina e a mediunidade é um fenómeno natural, inerente à condição humana.
6. O Espiritismo é ciência enquanto observa e estuda esse fenómeno inusitado que nos põe em relação com o mundo invisível; é filosofia quando responde racionalmente às questões que sempre inquietaram o espírito humano: quem sou? Donde vim? Para onde vou? Porque sofro? Etc.; e é religião quando nos fala do Criador, da alma e sua imortalidade e da evolução rumo à perfeição, dando-nos uma fé racional em contrapartida à fé cega e dogmática das religiões e seitas. A moral do Espiritismo radica nas lições de Jesus na sua pureza primitiva que os homens adulteraram ao longo dos tempos para servirem a interesses particulares.
7. Os fundamentos do Espiritismo são: 1º - Deus; 2º - Imortalidade da alma; 3º - Comunicabilidade dos Espíritos (mediunidade); 4º - Pluralidade das existências (reencarnação, lei biológica e causa e efeito, lei moral); 5º - Pluralidade dos mundos habitados («Na casa de meu Pai, há muitas moradas», Jesus). Os dois primeiros são comuns a todas as religiões, mas interpretados de forma muito diferente pelo Espiritismo, que é a doutrina da fé raciocinada: «Fé inabalável só o é a que pode encarar a razão, face a face, em qualquer época da Humanidade.»
8. Para conhecermos e compreendermos o que é na realidade o Espiritismo teremos que nos debruçar na codificação espírita que Allan Kardec realizou com o auxílio dos Espíritos e imenso sacrifício e renúncia: O Livro dos Espíritos (1857), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Génese (1868); e, ainda, a Revista Espírita (1858-1869), Obras Póstumas (1890) e a pequena brochura, muito importante, O que é o Espiritismo (1859).
9. Para se praticar o espiritismo, no campo particular da mediunidade há que ter em conta que «A mediunidade e o dinheiro são incompatíveis», conforme nos informou Francisco Cândido Xavier, o maior médium psicógrafo que a Humanidade conheceu e um dos maiores de sempre, no que se refere às diversas faculdades mediúnicas (psicofonia, vidência, materialização, clariaudiência, etc.). Disse-nos esse benfeitor que o médium para exercer as suas faculdades com idoneidade e eficiência terá primeiro que obedecer as duas condições basilares: 1º - Cuidar da família e 2º - Ter uma profissão para ganhar a vida com dignidade. Só depois de satisfeitas essas
duas condições fundamentais é que poderá utilizar as suas faculdades, uma, duas ou três vezes por semana, sem nunca pôr em causa a família e o seu ganha-pão. Tem sempre presente as palavras de Jesus: «Dá de graça o que de graça recebeste».
10. Aproveito a oportunidade para juntar a pagela filatélica referente à emissão do selo que o Brasil emitiu, o ano passado, em comemoração do centenário do médium Francisco Cândido Xavier (1910-2010), que contém um resumo da sua biobibliografia.
Agradecendo a publicação deste esclarecimento, renovo os meus melhores cumprimentos e desejo votos sinceros de felicidade a V. Exa. extensivos ao prestigiado Correio e a todos os seus colaboradores.
Atenciosamente,
___________________
Carlos Alberto Ferreira
R E G I S T A D O
Exmo. Senhor:
Octávio Ribeiro, Director
«CORREIO DA MANHû
Av. João Crisóstomo, 72
1069-043 LISBOA
octavioribeiro@cmjornal.pt
Os meus cumprimentos.
1. Ao ler a notícia «Peru: Curandeiro com 180 caveiras em casa», publicada na v/ edição do dia 2 do corrente mês, aliás muito oportuna, para divulgar e desmascarar práticas hediondas, fruto da superstição que floresce com a ignorância. Tais indivíduos, como o curandeiro de Lima, têm como objectivo explorar o sofrimento, a ambição e a cobiça humanas, pois não olham a meios, para impressionar os gananciosos e ingénuos, nesse sentido é muito importante o trabalho do jornalista ─ divulgar para desmascarar os oportunistas.
2. Mas, fiquei profundamente espantado e impressionado ao verificar que a notícia informa como sendo «espíritas», as práticas do curandeiro, o que é totalmente descabido e absurdo, revelando profundo desconhecimento do que seja o Espiritismo por parte de quem elaborou a notícia.
3. Esclareço que o Espiritismo é uma doutrina que surge pela primeira vez no mundo, em Paris — a capital cultural do Planeta na época —, pelo trabalho ingente do professor, pedagogo e linguista francês, Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido pelo pseudónimo celta, Allan Kardec, discípulo emérito do suíço Heinrich Pestalozzi, pai da pedagogia moderna. A certidão de nascimento do Espiritismo é «O Livro dos Espíritos», surgido pela primeira vez, nos escaparates das livrarias da cidade-luz, no dia 18 de Abril de 1857. Antes da publicação desse livro não existiam os vocábulos «Espiritismo» e «espírita».
4. Confunde-se, por ignorância e por má-fé, nalguns casos, o Espiritismo que é uma doutrina recente (154 anos), de tríplice aspecto (ciência, filosofia e religião) com a mediunidade que é um fenómeno natural, inerente ao ser humano, portanto é de todos os tempos e lugares. Os médiuns sempre existiram. Na Antiguidade eram designados de necromantes, sibilas, mágicos, profetas, etc; na Idade Média por feiticeiros, endemoniados ou santos; na actualidade por indivíduos psi ou paranormais.
5. Foi o Espiritismo que estudou esse fenómeno pela primeira vez, fenómeno que sempre esteve envolto no temor, na fantasia, na superstição, em suma na ignorância, que gerou tanto fanatismo, violência e sofrimento. Allan Kardec retirou a esse fenómeno natural a pecha de sobrenatural. Fundou em 1858 o primeiro laboratório do Planeta de estudos psíquicos: a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. A esmagadora maioria dos médiuns, desconhece o que seja o Espiritismo, portanto, não são espíritas. O Espiritismo é uma doutrina e a mediunidade é um fenómeno natural, inerente à condição humana.
6. O Espiritismo é ciência enquanto observa e estuda esse fenómeno inusitado que nos põe em relação com o mundo invisível; é filosofia quando responde racionalmente às questões que sempre inquietaram o espírito humano: quem sou? Donde vim? Para onde vou? Porque sofro? Etc.; e é religião quando nos fala do Criador, da alma e sua imortalidade e da evolução rumo à perfeição, dando-nos uma fé racional em contrapartida à fé cega e dogmática das religiões e seitas. A moral do Espiritismo radica nas lições de Jesus na sua pureza primitiva que os homens adulteraram ao longo dos tempos para servirem a interesses particulares.
7. Os fundamentos do Espiritismo são: 1º - Deus; 2º - Imortalidade da alma; 3º - Comunicabilidade dos Espíritos (mediunidade); 4º - Pluralidade das existências (reencarnação, lei biológica e causa e efeito, lei moral); 5º - Pluralidade dos mundos habitados («Na casa de meu Pai, há muitas moradas», Jesus). Os dois primeiros são comuns a todas as religiões, mas interpretados de forma muito diferente pelo Espiritismo, que é a doutrina da fé raciocinada: «Fé inabalável só o é a que pode encarar a razão, face a face, em qualquer época da Humanidade.»
8. Para conhecermos e compreendermos o que é na realidade o Espiritismo teremos que nos debruçar na codificação espírita que Allan Kardec realizou com o auxílio dos Espíritos e imenso sacrifício e renúncia: O Livro dos Espíritos (1857), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Génese (1868); e, ainda, a Revista Espírita (1858-1869), Obras Póstumas (1890) e a pequena brochura, muito importante, O que é o Espiritismo (1859).
9. Para se praticar o espiritismo, no campo particular da mediunidade há que ter em conta que «A mediunidade e o dinheiro são incompatíveis», conforme nos informou Francisco Cândido Xavier, o maior médium psicógrafo que a Humanidade conheceu e um dos maiores de sempre, no que se refere às diversas faculdades mediúnicas (psicofonia, vidência, materialização, clariaudiência, etc.). Disse-nos esse benfeitor que o médium para exercer as suas faculdades com idoneidade e eficiência terá primeiro que obedecer as duas condições basilares: 1º - Cuidar da família e 2º - Ter uma profissão para ganhar a vida com dignidade. Só depois de satisfeitas essas
duas condições fundamentais é que poderá utilizar as suas faculdades, uma, duas ou três vezes por semana, sem nunca pôr em causa a família e o seu ganha-pão. Tem sempre presente as palavras de Jesus: «Dá de graça o que de graça recebeste».
10. Aproveito a oportunidade para juntar a pagela filatélica referente à emissão do selo que o Brasil emitiu, o ano passado, em comemoração do centenário do médium Francisco Cândido Xavier (1910-2010), que contém um resumo da sua biobibliografia.
Agradecendo a publicação deste esclarecimento, renovo os meus melhores cumprimentos e desejo votos sinceros de felicidade a V. Exa. extensivos ao prestigiado Correio e a todos os seus colaboradores.
Atenciosamente,
___________________
Carlos Alberto Ferreira


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