- Quando morremos, o que acontece? Há quem diga que depois de morrermos nada acontece...
É a frase de introdução de Lene Lovich, que depois acrescenta:
- Eu acho que isso seria maçador.
E começa a cantar "You Can't Kill Me", em Português
"Não Podes matar-me":
You can't kill me, you can't kill me
You can't kill me, you can't kill me
You can't kill me, you can't kill me
You can blow me up with an atom bomb
But I'll be right back and it wont take long
I can't kill you, I can't kill you
I can't kill you, I can't kill you
If I shoot you down as a mean old man
You'll be coming to a bade me in Japan
You can't kill me, you can't kill me
You can't kill me
A driver of a flesh machine, is what you really are.
(really are)
A you can't stop a rebel just by smashing up his car
We can't kill we, we can't kill we
We can't kill we, we can't kill we
Since we'll both be here again, we might as well try being friends
We can't kill we
Em Português seria mais ou menos assim:
Não podes matar-me
Não posso matar-me
Somos condutores de um veículo de carne
Podes destruir o meu corpo
Mas em breve estarei de volta a este mundo
Se não podemos matar-nos uns aos outros
Melhor seria sermos amigos
Esta canção e este tipo de música não são para todos os ouvidos. Se não gosta de rock'n'roll não clique para ouvir. Lene Lovich é uma húngara que deu que falar, juntamente com Siouxie Sioux (dos Siouxie and the Banshees), quando apareceu na cena musical em final dos anos setenta.
Vulgarmente enquadradas no movimento musical designado como new wave, que sucedeu e se sobrepôs ao punk rock (um neologismo para o rock de garagem), estas duas mulheres foram pioneiras em vários aspectos: porque eram mulheres e não havia muitas a fazer música deste género; porque criaram uma presença em palco exuberante e dramática muito peculiares; porque criaram standards muitas vezes retomados sob designações diversas (gótico, cold-wave, art-school rock, grey wave, etc..); porque eram geniais e (continuam a sê-lo, pois mantêm-se em actividade e são um culto musical).
A ambiência escura e as sonoridades misteriosas que sobrevoam as composições não são sinónimo de pessimismo, niilismo ou qualquer ismo do tipo. Numa entrevista dada a uma publicação portuguesa, Lene Lovich declarou que não reflectia muito sobre a sua forma de apresentação em palco nem sobre a atmosfera das canções, mas concedeu que podia parecer uma espécie de fada do rock'n'roll.
Foi assim que a vi, pois tive a felicidade de assistir a um espectáculo desta mesma tournée, e toda ela era boa onda, uma rapariga doce, talentosa e positiva. Como se pode conferir nesta canção, basicamente um ritmo reggae interpretado com os gorjeios peculiares deste pássaro negro chamado Lene Lovich.
"You Can't Kill Me" não podia ser mais explícito, como apologia da imortalidade da alma, da reencarnação e da conveniência de nos darmos todos bem - porque afinal de contas, temos pela frente a Eternidade, e estamos condenados a viver como irmãos.

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