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Cadel Evans, um Homem Livre!


Cadel Evans é o australiano que amanhã, se tudo correr bem, vencerá a Volta a França, o famoso Tour de France, uma das maiores competições desportivas do mundo. Como seguidor apaixonado do circuito mundial de mountain-bike, tive o privilégio de assistir às suas primeiras vitórias e à sua confirmação neste desporto.

Mais tarde, Cadel "deu o salto" para o ciclismo de estrada, onde reina um ambiente de alto profissionalismo, bem diferente da camaradagem e espírito puramente desportivo do mountain-bike. Evans foi mais um entre muitos mountain-bikers a demonstrar que a capacidade atlética, técnica e táctica dos ciclistas de montanha não fica atrás da dos estradistas. O seu avantajado palmarés nas duas modalidades fala por si.

Do que Cadel não abdicou foi da sua liberdade de expressão, da sua naturalidade e dos seus valores. Nestes anos passados no pelotão internacional das bicicletas de roda fina, por diversas vezes o jovem australiano sempre disse o que pensava, indiferente a certas hipocrisias e jogos de conveniências que enxameiam as relações das equipas e a postura dos atletas.

Aos 34 anos de idade, o rosto de Cadel está marcado por muitas viagens e por muitos milhares de quilómetros de preparação, por muito vento, muita chuva, muito calor e muito frio. Longe de casa e da sua vida simples na sua terra natal Khaterine, entre familiares e amigos, apostou acima de tudo na vitória numa Volta a França. Hoje, após uma corrida de inteligência e espírito de sacrifício, foi segundo no contra-relógio final, e amanhã tem 95 quilómetros de passeio até Paris e até à consagração.

Sou um soul rider, um mountain-biker que viaja, para perto e para longe, de mountain-bike. Mas guardo o entusiasmo pela competição. Acompanhei a etapa com o boné da equipa de mountain-bike Cannondale, autografado para mim por Evans e pelo seu notabilíssimo companheiro de equipa 'Tinker' Juarez. E embora lamentando o desaire de Andy Schleck, aplaudi o recital do novo camisola amarela, coroado com lágrimas de alegria.

Será um digno vencedor da prova, é um ciclista limpo, um desportista leal, um homem frontal, e um homem de valores. Da sua postura poderia destacar muitos aspectos, mas a camisola com a bandeira do Tibete e o slogan FREE TIBET, que tem usado em muitas competições (ver imagem), têm para mim um significado muito especial. Correndo o risco de se ver afastado dos Jogos Olímpicos de Pequim, correndo o risco de não ser contratado por equipas com interesses financeiros na China, Cadel Evans soube pôr as coisas em perspectiva e optou por ser coerente com a sua militância pela causa da Liberdade e da Democracia.

Essa independência, esse gosto de ser livre, é um traço distintivo de um corredor que será sempre um mountain-biker, um homem que faz do ciclismo, da natureza, das causas e dos desafios, um estilo de vida.

Cadel é um homem livre.

Roberto António

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