'QUAL O SIGNIFICADO DA MORTE DO CRISTO PARA O ESPIRITISMO?'
Como vimos nos posts anteriores desta série, a melhor fonte que temos para aceder a informações acerca de Jesus de Nazaré, são os quatro evangelhos canónicos - com todo o respeito pelos evangelhos apócrifos (ou gnósticos) e outras fontes coevas.
Da leitura crítica, atenta e sistemática dos Quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), que integram o Novo testamento, resulta claro que Jesus jamais se assumiu como sendo Deus. Assumiu-se como Filho de Deus e Seu enviado. O mesmo disseram de Jesus os que profetizaram a sua vinda.
Sobre o sacrifício de Jesus, também já falámos nesta série. Julgar esse sacrifício necessário para "acalmar a ira Divina e "lavar" a Humanidade do "Pecado Original", conquanto seja respeitável como toda e qualquer crença sincera e benigna, não é para nós aceitável, inscrevendo-se mais no pensamento pagão/politeísta, que tem necessidade de aplacar as divindades com sacrifícios.
Tal não significa que o Espiritismo não tenha o mais profundo respeito pelo sacrifício de Jesus. É oportuno citar Raul Teixeira:
Qual é o significado da morte do Cristo para os espíritas?
Raul Teixeira: Em primeiro lugar, deveremos pensar nas palavras do próprio Cristo, quando asseverou não ter vindo à Terra destruir as leis de Deus. Considerando, então, que a morte física é uma necessidade estabelecida pela lei de destruição, o homem Jesus tinha que a ela estar sujeito.
Depois, se analisarmos a Sua morte pelo ângulo moral, vê-Lo-emos íntegro, impertérrito na cruz, suplicando ao Criador por Seus algozes, em razão do grau de sua ignorância.
Veio Ele, por outro lado, ensinar-nos a maneira digna de encararmos perseguidores, sacrifícios e morte no mundo, sem que nos percamos nos passos da nossa imortalidade, dando conta, assim, dos deveres que nos trouxeram à reencarnação terrestre.
Da entrevista concedida especialmente a O Consolador no dia 29 de Março de 2011.
Fosse Jesus de Nazaré Deus, co-eterno e consubstancial a Deus propriamente dito, ainda que temporariamente feito homem, a coragem e elevação com que enfrentou esta dura prova não teriam tido o mesmo valor. Afinal, sendo Deus dono de todas as perfeições, sendo Deus omnipotente, o conceito de prova e sacrifício nem se aplicaria a este episódio marcante.
Na imagem: "S. João em Patmos", pintura do português conhecido como o Mestre da Lourinhã.


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