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Dias de Páscoa - 4



Acontece por vezes haver quem pergunte porque é que, sendo o Espiritismo uma doutrina universalista, dá a Jesus de Nazaré um lugar tão destacado.


Antes de mais, expliquemos o que entendemos por doutrina universalista:


O Espiritismo é universalista porque se destina a quem com este simpatize. Não é uma religião no sentido tradicional, não é mais uma religião nem mais uma seita, não exige que se seja de nenhuma etnia, nacionalidade ou filiação em especial, não inclui qualquer tipo de rituais, cerimónias, juramentos ou iniciações. O Espiritismo é simplesmente cultura, e como tal, é universal.


É também uma doutrina de vocação universalista, porque diferentes pessoas, de diferentes contextos culturais, chegarão aos mesmos resultados se estudarem o Espiritismo do ponto de vista científico prático.


É universalista, finalmente, porque não se assume de forma nenhuma como o caminho exclusivo, nem sequer como o melhor caminho, para verdade e para a "salvação".


A Doutrina Espírita figura a vida como por exemplo a ascenção de uma montanha. Há diversos caminhos, mas todos levam ao alto. Podem ser uns mais bonitos que outros, uns mais fáceis que outros, mas o que conta é o objectivo, o cume da montanha. Transpondo a imagem para a vida corrente, a ideia é que não fará diferença para Deus (chame-se Deus, Consciência Cósmica, O Criador, ou outro nome qualquer), que cada pessoa escolha o caminho que lhe parece melhor. Imaginar que Deus tenha preferência na forma exterior como deseja ser adorado, reservando o seu amor para os profitentes de uma religião em particular, e desprezando todos os outros milhares de religiões e biliões de crentes, é, para nós, uma blasfémia. É pressupor que Deus sofre dos nosso defeitos humanos, das nossas manias, da nossa pequenez.


Católicos, protestantes, cristãos esotéricos, ateus, agnósticos, muçuilmanos, judeus, budistas, hinduístas, siques, bahais, Testemunhas de Jeová, candomblecistas, umbandistas, assembleianos, martinistas, confucionistas, taoistas, animistas, neo-pagãos, wiccanos, shakers, mórmons, mazdeístas, racionalistas cristãos, espíritas, etc., etc., etc., são, na nossa opinião, todos igualmente amados por Deus.


Claro que há quem considere que a virtude está toda numa certa religião, na sua religião, ou na sua ideologia, ou na sua filosofia. E acredite que fora dela tudo é engano e perdição. Quem adopta essa forma de pensar, regra geral, apoia-se no que "está escrito".


"Está escrito que...". Está escrito na Bíblia, ou no Corão, ou na Torah, ou n' O capital, ou n'O Livro dos Espíritos, ou n'O Livro de Mórmon, ou no Baghavad-Gita, que...


Muitas coisas estão escritas. Muitas obras congregam muiotas coisas escritas por diferentes autores, de muitas obras se diz que foram escritas por inspitração divina. Para o Espiritismo, Deus não fala ao Homem apenas através de um livro, qualquer que este seja. Deus fala à consciência do profeta, do filósofo, do cientista, do poeta, de todos os que, tocados da inspiração do Alto, concorrem para a melhoria e o progresso espiritual e material da Humanidade.


Acima de qualquer "está escrito", está a consciência de cada um. Algumas religiões invadem os domicílios das pessoas pretendendo forçá-las a uma conversão, baseadas na sua interpretação do que "está escrito" neste ou naquele livro em particular. Apesar de bem intencionados, os crentes que assim procedem esquecem-se de que os tempos das conversões pela força e pelo medo, já lá vão. Cada pessoa tem o direito e o dever moral de se guiar pela voz da sua consciência.


Jesus de Nazaré, na Doutrina Espírita, não tem um papel de favorecido por Deus. Na concepção espírita, Deus não tem preferidos. Ama igualmente Jesus e cada um de nós, pessoas menos sábias e menos boas que Jesus. O que Jesus é, para o Espiritismo, é o modelo moral e o guia por excelência. Porque Jesus, por seu próprio mérito, percorreu os mesmos caminhos que a todo o ser humano cabe percorrer, e atingiu o topo da montanha antes de nós. Olhando para Jesus, vemos o ser humano mais evoluído que alguma vez viveu na Terra. Por seu próprio mérito; não por Deus o ter feito a ele perfeito e a nós imperfeitos. Deus é justo. Infinitamente justo e bom.


E um dia, todos seremos como Jesus.

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