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Jornadas de Cultura Espírita 2011 - Reportagem




. Este ano as Jornadas de Cultura Espírita da ADEP tiveram lugar a 16 e 17 de Abril. Sábado de tarde e Domingo de manhã, no Auditório da Casa da Música, na belíssima Vila de Óbidos, que conserva a sua traça medieval e o encanto invulgar que fez dela uma das “Maravilhas de Portugal”. Este ano os palestrantes foram todos espíritas - por coincidência, dado que é habitual o evento contar com expositores não espíritas, que costumam trazer o testemunho das suas pesquisas, nas áreas em que são especialistas.



. O programa, muito bem preenchido, teve como tema central A Educação do Futuro, e dividiu-se em três painéis. O primeiro painel, denominado "Sociedade e Família", abriu com a palestra da professora Cândida Vieira, que falou acerca da razão de ser da família, das dificuldades que enfrenta e dos ensejos de evolução que oferece.



. Seguiu-se a palestra de Paulo Mourinha, médico homeopata, que abordou o tema da toxicodependência, num trabalho que intitulou "Toxico-Independência", esclarecendo sobre os motivos psicológicos e orgânicos pelos quais tanta gente resvala para o uso de drogas, lícitas e ilícitas. Apontou caminhos de esperança, assegurando que a recuperação é possível, e complementou o seu trabalho com o enfoque espírita, falando dos processos obsessivos e auto-obsessivos associados à toxicodependência.



. A psicóloga Maíra Diniz veio falar sobre o tema "O Trabalho". A Lei do Trabalho é uma das 10 Leis Morais do Espiritismo. Trabalhar com alegria, cientes de que o trabalho é ferramenta de evolução, foi o cerne da comunicação da jovial Maíra.



. O segundo painel, "Ambiente e Progresso", abriu com o jornalista Jorge Gomes, especialista em temas de biodiversidade e ambiente, que trouxe a apresentação “O Homem na Natureza”. Científico e poético ao mesmo tempo, este trabalho foi altamente didáctico, na perspectiva que deu sobre as responsabilidades da espécie humana na conservação da saúde do planeta Terra, que o Criador nos deu como casa. A complexidade dos processos geológicos e biológicos maravilha quem se debruça sobre os mesmos, apontando ainda a Natureza para objectivos espirituais, pelas lições que nos dá, e porque nela está patente a grandeza de Deus.



. Seguiu-se Vasco Marques, professor, cuja palestra “Educação Web” questionou a ideia de que a Internet apenas traz males (dependência, isolamento, conteúdos perniciosos, quebra de produtividade, etc.). Num enfoque optimista, como é próprio do Espiritismo, Vasco lembrou que a Internet é neutra, o uso é que deve ser disciplinado e orientado para finalidades úteis e enriquecedoras. No que diz respeito à divulgação espírita, o site da ADEP tem sido um caso sério de sucesso. E no geral, a Internet amplia os horizontes de quem está interessado em enriquecer-se culturalmente.

. No segundo dia de Jornadas teve lugar o terceiro painel: "Educação Espírita". José Lucas, militar, recordou as assertivas de Allan Kardec acerca do papel transformador que o Espiritismo pode ter na Sociedade, não de hegemonia, mas como contributo para a regeneração por que a Humanidade dá sinais de ansiar. Urge espiritualizar. Porque o Homem é um ser espiritual. O tema "O Centro Espírita", ofereceu bons motivos de reflexão, porque o centro espírita, é, como a Terra, uma escola de almas.



. A pluralidade dos mundos habitados é um dos pilares da Doutrina Espírita (juntamente com Deus, a imortalidade da alma e a lei de causa e efeito). Antero Ricardo, licenciado em Medicina Tradicional Chinesa, levou o público numa viagem guiada pelo Cosmos, salientando a sua grandeza e o muito que nos falta descobrir da obra da Criação. O Universo como "a Casa do Pai", na qual Jesus de Nazaré disse "haver muitas moradas", ganha assim mais encanto, porque adquire uma dimensão espiritual, habitualmente ausente nas exposições sobre o tema. A "Transição Planetária" foi o tema deste trabalho, que satisfez muitas curiosidades sobre a “crise de crescimento” que a Terra atravessa, em termos sociais, geológicos e ambientais.



. Reinaldo Barros, professor, falou sobre o “Futuro da Educação”, em mais uma palestra rica de conteúdo para espíritas e não espíritas (e a audiência das Jornadas mais uma vez contou com ambos). Em Óbidos, onde por estes dias de Páscoa estão patentes ricas representações pictóricas antigas da Paixão de Jesus, esta conferência centrou-se na actualidade dos ensinamentos do Nazareno, que a pedagogia contemporânea necessita de descobrir melhor. Educa-se ainda muito para o exterior, pelos impositivos do paradigma materialista vigente. Educar seres imortais, é a proposta cristã e espírita.



. Ricardo Di Bernardi médico homeopata, pediatra, dinâmico trabalhador espírita brasileiro, foi convidado surpresa, e o último a intervir, encerrando as Jornadas com chave de ouro. Falou do modelo medieval, com a família a assumir-se como responsável quase exclusiva pela educação das novas gerações, e do modelo actual, onde a Sociedade, com as suas múltiplas e nem sempre sadias influências, secundariza a família. Di Bernardi fez como que um resumo das exposições anteriores, mostrando que é tempo de o Homem despertar para a sua Espiritualidade, em termos positivos, sem misticismos, como é apanágio também da proposta filosófica espírita.

“A educação se bem entendida é a chave do progresso moral.” – disse Allan Kardec, seu Codificador.




O Espiritismo, ou Doutrina Espírita, é uma doutrina filosófica de consequências morais, uma ciência de observação, e pretende fomentar uma fé raciocinada, tendo em Jesus de Nazaré o seu modelo e guia. A vivência do Evangelho de Jesus é a proposta espírita para a melhoria moral da Humanidade. O Espiritismo foi codificado pelo pedagogo francês Allan Kardec, mas a sua fonte foram os ensinamentos dos Espíritos Superiores - pessoas como nós, que viveram na Terra, mensageiros de Deus, que, com Sua permissão deram estes ensinamentos para a renovação e consolidação da mensagem cristã.



Há sempre espaço para a música ou para outras formas de arte, nas Jornadas. Desta vez, a pianista Joana Vieira, muito jovem mas com um currículo impressionante, tocou, na Abertura das Jornadas "Três Sonetos de Petrarca", de Liszt. Foi puro encanto.



E encandora foi também a apresentação do volume II das Histórias para Ensinar Aprendendo, cujo autor é Hugo Guinote, oficial da PSP, que começou esta aventura sozinho, mas pelo caminho foi angariando colaboradores, espíritas e não espíritas, para colaborarem no projecto das "Histórias", desde a ilustração à edição. Como acontece com todas as obras espíritas, este livro não tem fins lucrativos, revertendo a receita para finalidades de solidariedade social. A Inês Guinote é responsável pela parte musical deste projecto, que vem crescendo graças à interactividade que a Internet permite, através do site:






Brindou a audiência com uma das canções, fazendo-se acompanhar da sua guitarra. E encerrou assim o primeiro dia de Jornadas.



Manuela Almeida, professora, declamou poesia de autores espíritas e de autores espirituais, ao som da guitarra de Reinaldo Barros, que também interpretou alguns temas de sua autoria, inseridos no seu disco de música espírita.



Estas Jornadas tiveram transmissão online, e os internautas tiveram oportunidade de conversar entre si, com a mesa do evento, e de aprsentar questões que foram respondidas nos espaços de debate, a par com as perguntas do público presente no Auditório da casa da Música, em Óbidos.






Reportagem de Mário Correia para a revista "O Consolador".

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