Senhor André
Tenho que lhe colocar uma questão que ainda não vi abordada nesse blog mas que preocupa muita gente e que é um ponto que afasta muita gente do espiritismo, sendo largamente abordado em sites anti-espíritas. É a questão dos espíritos mistificadores. No pouco que li de literatura espírita, pude constatar que até os melhores mediuns, os de absoluta confiança, podem ser alvo de espíritos mistificadores.
Concretamente, como é que se pode garantir, por exemplo, que uma mensagem de Eça de Queirós, transmitida por intermédio de Fernando Lacerda ou Chico Xavier, é realmente da lavra do espírito desse autor português do século XIX? Esta questão preocupa-me porque tem sido amplamente explorada pelos adversários do espírito de índole religiosa os quais afirmam que esses espíritos são demónios. Queria aproveitar para cumprimentá-lo e à restante equipa que tem produzido um óptimo trabalho de divulgação da doutrina espírita.
Tenho que lhe colocar uma questão que ainda não vi abordada nesse blog mas que preocupa muita gente e que é um ponto que afasta muita gente do espiritismo, sendo largamente abordado em sites anti-espíritas. É a questão dos espíritos mistificadores. No pouco que li de literatura espírita, pude constatar que até os melhores mediuns, os de absoluta confiança, podem ser alvo de espíritos mistificadores.
Concretamente, como é que se pode garantir, por exemplo, que uma mensagem de Eça de Queirós, transmitida por intermédio de Fernando Lacerda ou Chico Xavier, é realmente da lavra do espírito desse autor português do século XIX? Esta questão preocupa-me porque tem sido amplamente explorada pelos adversários do espírito de índole religiosa os quais afirmam que esses espíritos são demónios. Queria aproveitar para cumprimentá-lo e à restante equipa que tem produzido um óptimo trabalho de divulgação da doutrina espírita.
Uma leitora anónima deixou-nos esta questão, à qual respondemos sumariamente na caixa de comentários, mas que vamos abordar um bocadinho mais em pormenor - apesar de já ter sido profusamente abordada no Blog de Espiritismo: Os Espíritos são apenas as pessoas que viveram na Terra e agora se acham no mundo espiritual. Para a Doutrina Espírita, o corpo físico é apenas como que uma "casca", que se destrói com a morte biológica. Como um pássaro, que sai do ovo para uma nova vida, também o Espírito, na hora da morte do corpo material, deixa o invólucro carnal e regressa ao mundo espiritual, de onde veio.
Existe assim uma evolução em dois mundos: o mundo material e o mundo espiritual. Ora estamos aqui, neste mundo grosseiro, ora estamos na Pátria Espiritual, mais livres e com mais discernimento. É nesse sentido que dizemos que o Espiritismo veio matar a Morte. Pensava-se que a morte do corpo era o fim de tudo, ou que era a passagem para um estado de 'dormência', à espera do Juízo Final. O Espiritismo veio demonstrar que a vida pulsa, quer no mundo material, quer no mundo espiritual. A vida é acção, evolução, aprendizagem. Ora se aqui na Terra encontramos pessoas capazes de falsificar, o mesmo se passa no mundo espiritual. Ainda recentemente um ministro alemão viu exposto um plágio que terá cometido na sua tese de doutoramento. O facto de ser ministro (pessoa com poder e influência), não impediu que tivesse cedido à tentação de enganar, e colheu as consequências do seu acto.
Se assim é no mundo material, o mesmo se passa no mundo espiritual. Daí que seja necessário analisar cuidadosamente as comunicações dos Espíritos quanto à forma e ao conteúdo. A questão é tratada em profundidade em O Livro dos Médiuns, e ninguém saberá praticamente nada de Espiritismo se não ler as cinco obras da Codificação Espírita:
O Livro dos Espíritos
O Livros dos Médiuns
O Evangelho Segundo o Espiritismo
O Céu e o Inferno
A Génese
Não é a ler o Blog de Espiritismo, ou o Jornal de Espiritismo, ou os sites anti-espíritas, que alguém vai aprender Espiritismo. É preciso ler, estudar e reflectir sobre a Codificação. Para quem o faça, a questão da identidade dos Espíritos absolutamente nada apresenta de difícil.
Exemplifiquemos:
Pacificar
Não perturbe, tranquilize.
Não grite, converse.
Não critique, auxilie.
Não acuse, ampare.
Não se irrite, sorria.
Não fira, balsamize.
Não se queixe, compreenda.
Não condene, abençoe.
Não exija, sirva.
Não destrua, edifique.
Recorde: a Humanidade é uma colecção de grupos, e a paz do grupo de corações a que pertencemos começa dentro de nós.
(Texto escrito pelo Espírito André Luiz, in “Respostas da Vida”, através do médium Francisco Cândido Xavier)
Esta mensagem, analisada quanto ao conteúdo, ninguém poderá dizer de boa-fé que aconselhe o mal em detrimento do Bem. Quanto à forma, poderá ser ingénua e pouco tronitruante para um literato, mas para o povo simples que são os cristãos, pobres em espírito, ou seja, humildes, é uma mensagem que tem graciosidade, ritmo, simplicidade e candura que cativam.
Resta a questão da identidade do Espírito? Terá sido o Espírito André Luiz? Terá sido outro Espírito? Terá sido um processo anímico do próprio médium? Pouco importa. Importa o conteúdo e a forma, acima de tudo. O Espiritismo não é adivinhação. Além do mais, os próprios Espíritos, na Codificação, explicam que por vezes um Espírito toma o lugar do outro. Se um católico está a orar a S. Judas Tadeu, por exemplo, os Bons Espíritos que lhe atendem às preces não fazem questão de que o católico venha a atribuir o auxílio a S. Judas Tadeu.
O mesmo se pode dizer em relação a todas as religiões. Mesmo aqui na Terra, quem pratica o Bem desinteressadamente não faz questão de ver o seu nome publicitado e venerado. Interessa-lhe o Bem pelo Bem. O caso de Eça de Queirós, que refere, bem como outros autores que escreveram após a morte pela psicografia de médiuns como Fernando de Lacerda, são precisamente os literatos independentes que lhes reconhecem o estilo. Contudo, ainda que não sejam eles, mais uma vez prevalece a regra da forma e do conteúdo, sendo a identidade secundária.
Também há casos de mistificação grosseira, é claro. Aparecem obras supostamente ditadas pelo Papa João Paulo II, outras por "Xico" Xavier (assim mesmo, com o nome mal grafado), outras ainda por Emmanuel, que, embora reencarnado poderia ditar mensagens como Espírito, mas nunca as de má qualidade que por aí aparecem. No movimento espírita, como em tudo o que são instituições humanas, não há só gente com bom-senso. Também há quem se deixe levar em enganos. Os chamados espíritas imperfeitos, no fundo somos todos, mas há alguns que... abusam :-)
Por vezes há médiuns, que mesmo sendo convictamente espíritas, se precipitram na divulgação de mensagens que não passaram pelo crivo da análise de forma e conteúdo, e do bom-senso - "É útil? É oportuno? É digno? É escorreito?".
Se a divulgação desse tipo de mensagens "afasta gente do Espiritismo" só temos que lamentar a intolerância dessas pessoas, pois seria utópico exigir perfeição aos espíritas. Perfeito só Deus.
E mais ainda: o Espiritismo não é o movimento espírita, não são as psicografias do médium A ou B, por muito respeitáveis que sejam, não são os livros espíritas assinados por Fulano ou Sicrano, por muito ilustres que sejam. O Espiritismo é a Doutrina dos Espíritos, contida nas cinco obras supracitadas, redigidas a partir de mesagens concordantes recebidas nos quatro cantos da Terra, analisadas e comentadas por Allan Kardec.
Os Primeiros Cristãos, como é descrito nos Actos dos Apóstolos, "profetizavam", ou seja, falavam sob a influência do Espírito-Santo. Qualquer Bom Espírito é um Espírito Santo. Antes dos Primeiros Cristãos, desde as origens da Humanidade, existiu comunicação entre dois mundos: o mundo terreno e o mundo espiritual. Não foi o Espiritismo que inventou essa comunicação, como não inventou os Espíritos. O episódio do Pentecostes é um episódio de psicofonia e xenoglossia, o episódio da Transfiguração de Jesus é um episódio de materialização dos Espíritos de Elias e Moisés.
Se Deus entendeu permitir a comunicação entre dois mundos, não nos cabe a nós negá-lo ou questioná-lo. Para nós, é um facto, observável diariamente e sancionado pela razão e pela Ciência. O que nos parece infinitamente cruel é a ideia de que Deus só permitiria aos maus Espíritos comunicarem-se. Que Deus seria esse que negaria aos Bons Espíritos falarem para o lado de "cá", e daria autorização aos maus para enviarem mensagens bonitas e construtivas como a que reproduzimos acima?
Ainda por cima, para os adeptos dessa teoria, uma pessoa que creia na bondade de uma mensagem como essa, estará como que enredada numa rede demoníaca e a caminho dos infernos. É nessa tecla que batem os sites anti-espíritas. E têm liberdade para o fazer. Se a compreensão dessas pessoas estaciona nesse patamar, temos que aceitar o facto com a compreensão devida aos que pensam, por exemplo, que a Terra é plana, ou que o Diabo mora no subsolo. Nós não nos preocupamos abolutamente nada com os sites anti-espíritas.
A nossa amiga, que a dada altura refere "No pouco que li de literatura espírita", também é livre de escolher: ou conhece o Espiritismo através da Codificação; ou através de sites anti-espíritas. A decisão é sua, mas não se preocupe com a propaganda anti-espírita. Nós não nos preocupamos absolutamente nada.
Os sites anti-espíritas costumam ser vulgaríssimas transcrições de literatura apologética fundamentalista. Visitando os "sites mãe", deparamos invariavelmente com a exaltação de uma crença, e o listar de todas as outras como "heresias, obras do diabo", etc.. A própria essência desse tipo de literatura é profundamente persecutória, inquisitorial e sobretudo anti-cristã. Jesus não anatematizou nenhuma crença sincera e exarou como mandamento maior o amar a Deus, e ao próximo como a nós mesmos.
Sobre a teologia dos demónios, o equívoco de pensamento é o mesmo que referimos para as supostas comunicações de maus Espíritos que conduziriam à perdição. Há uma confrangedora limitação dos nossos irmãos que crêem nessa teoria, que começa por ser linguística e mereceria uma abordagem em termos de signo, significado e significante, aplicada ao conceito de "diabos" e "demónios". Mas antes de mais trata-se de uma questão de má-criação flagrante, pois taxar de "mentiroso" quem não pensa como nós, revela uma gritante falta de rudimentos de boa educação.
Sob a etiqueta "anjos e demónios" publicámos vasto material sobre o assunto. Admitir que Deus tivesse permitido a existência de demónios, destinados a levar o ser humano à perdição eterna, operando livre e alegremente, é chocante para uma mentalidade minimamente amadurecida.
Cordialmente,
AA


3 comentários:
31.3.11
Para se compreender a doutrina espirita, bem como as palavras de Jesus, que para mim, falam do mesmo, é preciso aceitar simultaneamente com o coração e com a razão. Nem fé cega, nem falta de fé.
Através da prece podemos pedir evidências, que, de uma forma ou de outra acabarão por nos chegar, se a nossa vontade for a nossa auto-melhoria, através do auto-conhecimento
Boa sorte amiga!
VS
6.4.11
Senhor André
Gostaria de lhe agradecer a sua resposta.
No entanto, acho que não deve desvalorizar o trabalho meritório que tem sido desenvolvido quer por este blogue quer pelo Jornal de Espiritismo na divulgação da doutrina usando uma linguagem simples e acessível ás pessoas. É que certas publicações espíritas usam e abusam de um jargão que me faz lembrar livros propagandísticos editados na antiga União Soviética.
Por outro lado, qual é a sua opinião no que toca à utilização da psicografia nos tribunais? Como sabe melhor do que eu, num pequeno número de casos no Brasil, foram usadas psicografias de Chico Xavier para inocentar determinadas pessoas em tribunal. Não o preocupa a ideia de que espíritos mistificadores possam ter sido os autores dessas mensagens?
6.4.11
Olá cara amiga,
- O trabalho aqui deste modesto blogue, do Jornal de Espiritismo, e de todos os meios de divulgação espíritas é meritório, sem dúvida.
Mas a Doutrina dos Espíritos está contida nas 5 obras básicas, que Kardec compilou e editou. O resto é divulgação, é comentário, é actualidade, é convívio, é importante, mas não é o âmago da Doutrina Espírita.
O que acontece por vezes é haver quem leia meia dúzia de linhas algures, ou ouça falar, ou veja um programa de TV, e se ache capacitada para entender o Espiritismo. Não é assim. O próprio Kardec afirmou que esta filosofia carece de anos de estudo e reflexão séria.
- Tanto adeptos como detractores do Espiritismo pecam muitas vezes por essa superficialidade. Por isso é que é de aconselhar aos dois partidos que façam o curso básico de Espiritismo, conscienciosamente.
- Não conheço publicações propagandísticas espíritas no sentido de 'proselitistas'. Chamar-lhes-ei de divulgação. E algumas são chatas, concordo. A começar pelos meus escritos.
- Sobre testemunhos espirituais em Tribunal, não me pronuncio, pois não sou jurista e falta-me conhecimento de causa para tal. Há alguns estudos, feitos por juristas espíritas, acerca do assunto, que futuramente conto aqui divulgar.
- Não me preocupam as possíveis mistificações, em Tribunal ou seja onde for, porque estudo diariamente a Codificação e tenho sempre presentes os princípios doutrinários referentes à identidade dos Espíritos, título de um dos capítulos de O Livro dos Médiuns.
Abraço amigo,
AA
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