Spiga

Uma lontra na estrada


O Dia em Imagens
01 Fevereiro 2011

Uma lontra bebé foi ontem encontrada a tentar atravessar uma estrada em Viana do Castelo. Acabou entregue ao Aqua-Museu do Rio Minho, onde lanchou duas sardinhas e vai ser “devidamente tratada”. (Arménio Belo/Lusa)


A imagem e o texto são do site do jornal Correio da Manhã. Ainda há lontras, nos castigados rios portugueses. O ser humano esqueceu-se de que os rios dão de beber às culturas e levam as águas das chuvas, que quando ocupam o leito de cheia fertilizam as terras, que fazem parte do ciclo da água - que mantém a Vida no planeta - que são nichos preciosos de bio-diversidade e tesouros paisagísticos.

Os rios passaram a ser vistos como locais ideias para atirar lixo e despejos não tratados de destilarias, suiniculturas e indústrias variadas. A vegetação das margens é arrancada com maquinaria pesada, uma operação a que chamam "limpeza", e que só traz prejuízos: para além do que o contribuinte paga pela destruição, as margens despidas não tardam a desabar para dentro do leito, originando crescimento ordenado de vegetação e... mais "limpezas"!

Antigamente, quando se percebia o valor dos rios, havia a profissão de guarda-rios. O guarda-rios vigiava para que não atirassem lixo ou poluentes para as águas, fiscalizava a pesca desportiva, cortava um ou outro ramo susceptível de fazer efeito de represa quando das chuvas. Agora, se ainda existem guarda-rios, devem ser menos que poucos. Periodicamente os rios são assaltados pelas retro-escavadoras, e a população, incapaz de entender a utilidade e o interesse dos rios, pede que os rios, além de "limpos", sejam cimentados ou encanados. Os políticos, sempre sedentos de votos, fazem a vontade do povo.

É triste que se tenha perdido o entendimento da Natureza e a sensibilidade para a sua contemplação. Hoje em dia, o único valor que parece importar às pessoas é o dinheiro. Mas mesmo para esses, poupar os rios é também poupar dinheiro. Gasta-se muito dinheiro a remediar a má gestão do Património Natural. Dinheiro que podia ser melhor empregue da saúde, na cultura, na assistência aos carenciados, em tantas causas nobres.

Entretanto, os animais, vítimas da ganância humana, vão fazendo pela vida. Como esta lontrinha...

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