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José Reis Chaves - Confusão começou com a divinização de Jesus em 325



Nós podemos divinizar-nos, mas Deus não pode humanizar-se

As teologias das religiões mais antigas receberam influências da mitologia, misturando a divindade com a humanidade. É verdade que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, di-lo-nos a Bíblia. Mas é verdade, também, embora a Bíblia não o diga, que nós criamos Deus à nossa imagem e semelhança. É o que se chama antropo-morfização de Deus. E, enquanto Deus nos criou semelhantes a Ele em espírito, às vezes, nós o criamos semelhante a nós em corpo.

Os teólogos cristãos do passado foram também vítimas da mitologia. Por ser Jesus um homem de máxima perfeição humanamente possível, não deu outra. Os teólogos começaram logo a divinizá-lo. Eles agiram de boa-fé, mas incorreram noutro erro teológico muito comum, isto é, o exagero das coisas relativas a Deus. É claro que eles acertaram em muitas de suas elucubrações teológicas, mas erraram, e grande, quando concluíram que Jesus é Deus encarnado. Essa conclusão errada é o que se poderia denominar de uma antropomorfização oficial de Deus, e que se tornou a causa principal das antropomorfizações de Deus no decorrer dos séculos da história do cristianismo. E foi daí que surgiu o dogma da Santíssima Trindade com suas três pessoas, que devemos respeitar, mas que tornou confusa e complexa a concepção do Deus único e verdadeiro do monoteísmo cristão bíblico.

Tudo começou com a divinização de Jesus no polêmico Concílio Ecumênico de Nicéa (325), e a instituição oficial do Espírito Santo e, consequentemente, da Santíssima Trindade, no Concílio Ecumênico de Constantinopla (381). Nos originais bíblicos do Velho Testamento, em hebraico, e do Novo, em grego, o Espírito Santo é o espírito ou alma do homem. Portanto, o Espírito Santo é uma espécie de substantivo coletivo, que designa o conjunto de todos os espíritos humanos. E a Bíblia nos mostra que Jesus é de fato um homem e não outro Deus, que só pode mesmo ser um, a não ser que nós cristãos queiramos renegar o monoteísmo. "E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (são João 17:3). E, na parábola da videira e dos ramos, fica também evidente que Jesus é diferente de Deus, e é diferente exatamente porque Jesus é Deus relativo e não Deus absoluto. "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor, e vós os ramos" (são João 15: 1 a 5). "...o servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou" (são João 13:16). "Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem" (1 Timóteo 2:5).

Por todos esses textos bíblicos citados, fica evidente que Jesus Cristo, Filho de Deus, é inferior a Deus, o Pai. Assim, se a segunda pessoa da Santíssima Trindade, ou seja, o Filho, fosse também Deus absoluto, não poderia ser menor do que Deus, o Pai, pois os dois seriam infinitos, não podendo um ser maior ou menor do que o outro.

Como se vê, a doutrina trinitária do cristianismo dogmático, em posição contrária à do cristianismo bíblico, complica a ideia sobre Deus, dificulta o entendimento entre o cristianismo e outras religiões monoteístas, divide os próprios cristãos e, o pior, incrementa a indiferença religiosa, a descrença em geral e o próprio ateísmo.

Pela nossa evolução de espíritos imortais e semelhantes a Deus que nós somos, e dentro da nossa possível perfeição humana, de algum modo, um dia, nós nos tornaremos divinos. Mas Deus não pode humanizar-se, pois Ele é imutável!



Publicado no Jornal OTEMPO em 07/02/2011

Obs.: Esta coluna, de José Reis Chavez, às segundas-feiras, no diário de Belo Horizonte, O TEMPO, pode ser lida também no site http://www.otempo.com.br/. Ela está liberada para publicações. José Reis Chavez é autor dos livros “A Face Oculta das Religiões”, “A Reencarnação na Bíblia e na Ciência” Ed. EBM (SP) e “A Bíblia e o Espiritismo”, Ed. Espaço Literarium, Belo Horizonte (MG) http://www.literarium.com.br/. e-mail: jreischaves@gmail.com

Os livros de José Reis Chaves podem ser adquiridos também pelo e-mail: contato@editorachicoxavier.com.br e o telefone: 0800-283-7147.

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1 comentários:

Anónimo

20.10.11

OS HEBREUS NÃO SERIAM “O POVO ESCOLHIDO DE DEUS”

Todos os religiosos atuais se acham “O ESCOLHIDO” de Deus; os portadores dos conhecimentos espirituais; se fecham em suas pseudoverdades, e acham que o seu Deus seria o único Deus verdadeiro...

Todavia seria um absurdo que o creador do universo escolhesse apenas uma infima fração da humanidade para ser “O seu povo escolhido”...
E o filosofo Bento Espinosa alegou que, os hebreus não seriam “O Povo escolhido de Deus”, mais sim, O POVO QUE ESCOLHEU ADORAR A APENAS UM ÚNICO DEUS.

Como os israelitas eram um povo nômade, e é difícil carregar várias imagens de deuses, a solução foi inventar um Deus único que estaria em todos os lugares, proibir que se fizessem imagens para ser adoradas, e fabricar lendas como a do Jacó ter lutado a noite inteira contra um anjo...

Em torno de 410 a.C. os israelitas passaram a investir na crença em um Deus único, até porque tanto o “zoroastrismo” como o faraó Amenófis IV, que mudou o nome para “Akenaton”, já haviam proposto a crença num Deus único.

O advento do monoteísmo dividiu os devotos, incrementou tanto a intolerância religiosa, como a descrença em geral; e plantou a “semente” do ateísmo...
Mais nem sempre foi assim; pois no passado cada tribo tinha o seu Deus.Lisandro Hubris

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