"Bem-aventurados os pobres de espírito, pois que deles é o reino dos céus."
MATEUS, cap. V, v. 3.
MATEUS, cap. V, v. 3.
Jesus de Nazaré passou pela Terra há cerca de dois milénios, mas continua a ser um ilustre desconhecido. As religiões tradicionais, incapazes de assimilar inteiramente o conceito de monoteísmo, fizeram de Jesus 1/3 da Divindade. Desvalorizaram também a mensagem cristã, favorecendo antes o episódio triste da crucificação, apresentado de modo a incutir no crente um absurdo sentimento de culpa - na interpretação religiosa tradicional, todo o ser humano é culpado pelo "pecado" de Adão e Eva (os supostos primeiros seres humanos), parcialmente "lavado" pelo sacrifício de Jesus.
Essa visão cruenta, de transgressões e sacrifícios, típica da herança pagã, continua a ocultar do público o Jesus profundamente sábio, bom, misericordioso, o Homem Excelente, o enviado de Deus e portador de uma mensagem capaz de renovar a Humanidade.
Jesus ainda é visto como um chefe religioso e um semi-deus cioso e parcial. A razão humana, amadurecida, ainda confunde Jesus com os seus auto proclamados representantes na Terra. E por isso a sua mensagem continua desconhecida e desconsiderada.
Os que crêem em Jesus são apelidados de "pobres de espírito" - até porque o próprio Jesus exaltou os pobres de espírito. Mas não é aceitável que Jesus tenha considerado condição necessária para aceder ao Reino dos Céus ser-se destituído de raciocínio, pateta, como o termo é hoje interpretado.
A Codificação Espírita consiste no resumo organizado das comunicações dos Espíritos, que, tal como Jesus prometeu, viriam um dia para "ensinar todas as coisas e fazer recordar" os ensinamentos do Mestre Jesus:
"Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: - O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. -Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito."
JOÃO, cap. XIV, vv. 15 a 17 e 26.
O Evangelho Segundo o Espiritismo é um repositório comentado dos ensinamentos dos Espíritos sobre o Novo Testamento, sobre a moral cristã. Atentemos por exemplo no
CAPÍTULO VII
Bem-aventurados os pobres de espírito
Bem-aventurados os pobres de espírito
que tem como sub capítulos:
- O que se deve entender por pobres de espírito
- Aquele que se eleva será rebaixado
- Mistérios ocultos aos doutos e aos prudentes
Instruções dos espíritos:
- O orgulho e a humildade
- Missão do homem inteligente na Terra
Os pobres de espírito, na linguagem da época, eram os mansos e humildes de coração (como Jesus). O Reino dos Céus não é acessível aos que se conservem arrogantes, orgulhosos, ciosos da sua sabedoria. Para quem crê em Deus, a inteligência é uma dádiva a ser usada para o bem colectivo. Não é motivo para vaidade. Vale a pena ler e reflectir na seguinte mensagem, que é do Espírito Ferdinando e encerra o referido capítulo:
Missão do homem inteligente na Terra
Os pobres de espírito, na linguagem da época, eram os mansos e humildes de coração (como Jesus). O Reino dos Céus não é acessível aos que se conservem arrogantes, orgulhosos, ciosos da sua sabedoria. Para quem crê em Deus, a inteligência é uma dádiva a ser usada para o bem colectivo. Não é motivo para vaidade. Vale a pena ler e reflectir na seguinte mensagem, que é do Espírito Ferdinando e encerra o referido capítulo:
Missão do homem inteligente na Terra
13. Não vos ensoberbais do que sabeis, porquanto esse saber tem limites muito estreitos no mundo em que habitais. Suponhamos sejais sumidades em inteligência neste planeta: nenhum direito tendes de envaidecer-vos. Se Deus, em seus desígnios, vos fez nascer num meio onde pudestes desenvolver a vossa inteligência, é que quer a utilizeis para o bem de todos; é uma missão que vos dá, pondo-vos nas mãos o instrumento com que podeis desenvolver, por vossa vez, as inteligências retardatárias e conduzi-las a ele. A natureza do instrumento não está a indicar a que utilização deve prestar-se? A enxada que o jardineiro entrega a seu ajudante não mostra a este último que lhe cumpre cavar a terra? Que diríeis, se esse ajudante, em vez de trabalhar, erguesse a enxada para ferir o seu patrão? Diríeis que é horrível e que ele merece expulso. Pois bem: não se dá o mesmo com aquele que se serve da sua inteligência para destruir a ideia de Deus e da Providência entre seus irmãos? Não levanta ele contra o seu senhor a enxada que lhe foi confiada para arrotear o terreno? Tem ele direito ao salário prometido? Não merece, ao contrário, ser expulso do jardim? Sê-lo-á, não duvideis, e atravessará existências miseráveis e cheias de humilhações, até que se curve diante dAquele a quem tudo deve.
A inteligência é rica de méritos para o futuro, mas, sob a condição de ser bem empregada. Se todos os homens que a possuem dela se servissem de conformidade com a vontade de Deus, fácil seria, para os Espíritos, a tarefa de fazer que a Humanidade avance. Infelizmente, muitos a tomam instrumento de orgulho e de perdição contra si mesmos. O homem abusa da inteligência como de todas as suas outras faculdades e, no entanto, não lhe faltam ensinamentos que o advirtam de que uma poderosa mão pode retirar o que lhe concedeu. - Ferdinando, Espírito protetor. (Bordéus, 1862.)


3 comentários:
7.2.11
Bem-aventurados os mansos e humildes de coração...
Bonito e sólido sublinhado.
Fraternamente,
Gilberto Ferreira
7.2.11
MARAVILHOSA POST PARA ESTUDO E MEDITAÇÃO,ENSINAMENTOS QUE TODOS DEVEMOS SEMPRE LEMBRAR E POR EM
PRATICA,CORDIALMENTE
MARLENE.
7.2.11
Obrigado a ambos. Este post foi um bocadinho sugerido pela questão das "elites", um post recente do Blog de Espiritismo.
M.
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