Spiga

"Culpa-mágoa e os microorganismos na gênese das doenças"



Médico e terapeuta transpessoal, com formação em Homeopatia, Dinâmica de Grupos, Terapia Regressiva a Vivências Passadas, Terapia Familiar Sistémica e Programação Neurolingüística (PNL), Alberto Almeida, diretor científico da Associação Médico-Espírita do Pará, tratou no último Medinesp, o congresso internacional da Associação Médico-Espírita do Brasil, em Junho, em São Paulo (SP), de um tema de suma importância em nossas vidas: a culpa e a mágoa, que podem, sim, causar doenças. Confira, abaixo, o que ele disse à Folha Espírita a esse respeito:



Folha Espírita : Como você define a culpa?
Alberto Almeida :
A culpa é o resultado do distanciamento do ser humano das leis de amor, ou seja, das leis divinas. Quando o indivíduo toma consciência de que se afastou desses ditames e se queda inerte ante a própria culpa, esta se torna uma culpa tóxica, nociva e sem nenhum proveito. Por outro lado, aquele transgressor que se dá conta de que não agiu correctamente e assume uma postura responsável e positiva ante a sua própria consciência, passa a vivenciar aquilo que Allan Kardec chama de arrependimento. O arrependimento não pode ser confundido com a culpa tóxica, pois esta potencializa o remorso e deixa a criatura paralisada. O arrependimento é a capacidade que temos de nos fazer conscientes de que nos afastamos da lei de amor, mas nos animamos na busca do caminho recto deixado à retaguarda mediante conveniente reparação.

FE : E mágoa, o que é?
Almeida : Mágoa é o mesmo sofrimento da culpa às avessas. Na culpa eu sofro pelo mal que fiz aos outros ou a mim mesmo em função da minha pouca capacidade de apreender as leis de amor, enquanto a mágoa é a dor que sinto quando alguém me fere ou quando me deixo ferir por alguém em razão de não conseguir articular a lei de amor dentro de mim mesmo pelas vias do perdão. Quando não consigo perdoar alguém, eu me magoo. A mágoa é o reverso da culpa. A culpa eu estabeleço quando leso alguém e tenho dor de consciência; a mágoa, quando me sinto lesado por alguém e fico com raiva desse alguém.

FE : Por que algumas pessoas sentem culpa-mágoa, mas continuam suas vidas, enquanto outras param de viver, sem ânimo para continuar? Por que as reacções são tão diferentes?
Almeida
: Habitualmente, esse conteúdo de culpa e mágoa se entrelaçam efectivamente em nossas vidas. À proporção que vamos nos dando conta de que estamos lesando alguém ou lesando a nós mesmos, de que estamos nos sentindo lesados e machucados por alguém ou por nós mesmos, temos dois caminhos a seguir: um de alimentar a culpa e a mágoa, e outro de diluí-las. Quando as alimento, fixo-me, estagno e crio um movimento de petrificação, de imobilidade e encaminho-me para a doença, que irá desaguar no corpo caso eu não redireccione essa postura. Quando eu faço a escolha por dissolver a mágoa-culpa, estou tomando uma direcção exactamente oposta, mobilizando o autoperdão, no caso da culpa, e o heteroperdão no caso da mágoa, liberando-me, portanto, daquele conflito, dando um salto de qualidade e aprendendo com aquela experiência sofrida que experimentei. Assim, são duas dinâmicas absolutamente diferentes. Uma me leva para a enfermidade, e a outra para a cura. A mágoa e a culpa que eu sustento me fazem adoecer, e a mágoa e a culpa que eu trabalho positivamente me fazem crescer.

FE : Qual a influência desses estados psicológicos no corpo físico? Por que eles favorecem a acção de microorganismos causadores de doenças?
Almeida :
A mágoa e a culpa instalam-se em nível psíquico, repercutindo no corpo perispiritual. Se não fazemos o desabafo ou se não estabelecemos a corrigenda como propõe André Luiz no livro Evolução em Dois Mundos, surgem no nosso campo perispiritual zonas de remorso, resultado das nossas atitudes e posturas que estão sendo sustentadas teimosamente sem uma resolução plausível. Essa zona de remorso cria um campo de solução de continuidade na interacção do corpo perispiritual e do corpo físico, abrindo espaço para a vulnerabilidade numa área do corpo, num tecido ou então no organismo por inteiro, gerando, assim, a manifestação de disfuncionalidades orgânicas ou de processos patológicos e físicos, bem como de distúrbios que envolvem as emoções ou de transtornos que envolvem a mente. Desse modo, esses conteúdos, se não são solucionados a tempo, vão se refinando até chegar ao corpo, que é a instância última que a natureza nos propõe para que possamos reverter o nosso caminho através da corrigenda, do autoperdão e do perdão ao outro, ambos originários na misericórdia que devemos ter. Por isso, Jesus propôs o bem-aventurados os misericordiosos, pois, quando não exercemos a misericórdia, caminhamos para a instalação das doenças no corpo físico.

FE : O senhor falou em autoperdão. Haveria algum limite para esse perdoar a si próprio?
Almeida : O autoperdão sempre que se manifesta é positivo. Algumas pessoas, todavia, usam a expressão autoperdão para camuflar o seu desculpismo, a sua acomodação e estabelecer as suas permissividades. Na verdade, esses que assim se posicionam estão usando um pseudo-autoperdão para se autorizarem a permanecer nos erros, nos equívocos. Esses ainda não despertaram, enganam-se a si próprios e pensam que estão convencendo os outros e enganando a Deus. Eles haverão de despertar para a necessidade do verdadeiro perdão que vem do interior da alma e que não se manifesta só com palavras, mas que se concretiza através dos esforços enaltecidos pelo exercício das boas acções.

FE : Quais os tipos de doenças físicas e mentais mais comuns relacionados à culpa-mágoa?
Almeida :
O espírito André Luiz nos diz que, tirando a imprevidência, a imprudência e a falta de higiene, todas as patologias derivam da relação profunda do espírito e seus campos energéticos mais profundos, que vão aos poucos se manifestando no corpo. Então, poderíamos afirmar que na base da maioria das patologias vamos encontrar a culpa e a mágoa, uma ou outra e, habitualmente, as duas entremeadas, como sendo as verdadeiras causas das doenças infecciosas, degenerativas, alérgicas, etc., localizadas ou sistémicas, de natureza física ou mental. Assim, vamos tendo esses conteúdos desequilibrantes de mágoa-culpa como sendo a verdadeira génese das patologias que alcançam os homens na Terra.

FE : Quais os recursos das psicoterapias para auxiliar a cura de pessoas contaminadas por esses estados negativos?
Almeida :
Toda abordagem psicológica ajuda para que se possam trabalhar essas sombras que carregamos dentro de nós mesmos. Qualquer providência que leve o indivíduo à auto-reflexão e à autopercepção, e que busque naturalmente projectá-lo para a saúde, o ajudará na superação dos seus limites, a vencer a mágoa e a trocar a culpa pelo perdão. Efectivamente, o Evangelho é, indiscutivelmente, o maior repositório de amor que a história da humanidade conheceu e está sempre nos inspirando a fazer esse trabalho de profundidade e sem nenhuma concorrência com qualquer psicoterapia ou abordagem psicológica. Ao contrário, sendo um instrumento catalisador, fomentador, agenciador e sinergicamente terapêutico, o Evangelho é o grande espaço onde podemos nos encontrar para promovermos essas mudanças tão necessárias que não se limitam ao trabalho de dissolver sombras, porém, e sobretudo, de ampliar luzes dentro de nós mesmos.

FE : O espírito desencarnado adoece também quando carrega culpa e mágoa?
Almeida : Sim, os espíritos que saem do corpo físico levando as dores da sua experiência corpórea permanecem com os mesmos sentimentos, pensamentos e fixações, o que faz com que essas entidades alterem muitas vezes a sua dinâmica orgânica espiritual, visto que o perispírito é um organismo vivo, embora espiritual, composto de células, segundo nos coloca o espírito André Luiz. Esses espíritos podem materializar no campo perispiritual, já fora do corpo físico, disfunções a tal ponto graves que acabam por perder a conformação humana e, se assumem posições de mono ideia, compõem as formas chamadas de ovóides nos processos tão clássicos de vampirismo.

FE : O que devemos fazer para não cair nesses estados infelizes?
Almeida :
Desenvolver o autoconhecimento para sabermos quem nós somos e, assim, perscrutar na alma onde estão os pontos de estrangulamento do nosso ser que impedem a seiva da vida de se manifestar; mergulhar para descobrir onde está o lodo no fundo da piscina, conforme diz o espírito André Luiz, e buscar limpá-la; lançar um olhar para dentro de nós mesmos para irmos além da culpa e da mágoa e descobrir que somos feitos de material divino. Somos lucigénicos, temos uma dimensão luminosa por natureza, intrínseca à nossa própria criação. Somos seres que holograficamente detemos o criador, somos parte do divino, como filhos do altíssimo na expressão de Davi: Vós sois filhos do altíssimo, vós sois deuses. Assim, quando fazemos esse mergulho introspectivo, apercebemo-nos da nossa grandiosidade e, tomando ciência da capacidade que temos de ser co-criadores no universo, aos poucos vamos fazendo as elaborações necessárias, as transformações imprescindíveis, as mutações indispensáveis nas quais as nossas gangas vão sendo desfeitas. O metal precioso começa a surgir, então, fazendo resplandecer a imagem do divino quando alguém nos observa. Os grandes homens que fizerem isso são chamados de santos, heróis e mártires porque já conseguiram empreender essa caminhada, e dentre eles a figura de Jesus representa, inegavelmente, a nossa referência primeira e última para que possamos acessar o criador trabalhando essas nossas dificuldades interiores. Logo, para que possamos efectivamente operacionalizar esse movimento intransferível é necessário fazer o que Santo Agostinho propõe a Allan Kardec, quando sugere o autoconhecimento para que possamos melhorar o nosso carácter, combater as nossas más inclinações, de sorte que diariamente nesse exercício de autoburilamento possamos aprender a amar-nos, a autoperdoar-nos, e aprender a amar e a perdoar os outros. É desta forma que, aos poucos, vamos descobrindo, como deus que somos, o deus que é o outro, e, caminhando lado a lado, vamos entrando num processo de pacificação, de iluminação e de felicitação, não só individual, mas de felicidade colectiva, trabalhando para que surja na Terra aquele reino a que Jesus se reportava. É necessário, portanto, fazer esse movimento de ruptura com a cristalização para operarmos a nossa cristificação.



“O espírito André Luiz nos diz que, tirando a imprevidência, a imprudência e a falta de higiene, todas as patologias derivam da relação profunda do espírito e seus campos energéticos mais profundos, que vão aos poucos se manifestando no corpo.”

“Quando alimentamos a culpa e a mágoa, fixamo-nos, estagnamos e criamos um movimento de petrificação, de imobilidade e encaminhamo-nos para a doença, que irá desaguar no corpo caso não redireccionemos essa postura.”


Publicada na Folha Espírita- Edição 402- Fevereiro 2008

Partilhe este artigo:

3 comentários:

Anónimo

2.2.11

Médico e terapeuta transpessoal, com formação em Homeopatia, Dinâmica de Grupos, Terapia Regressiva a Vivências Passadas, Terapia Familiar Sistémica e Programação Neurolingüística (PNL), diretor científico da Associação Médico-Espírita do Pará e bla-bla-bla-bla-bla...

Em nenhum centro ou associação espírita, site ou blog sobre espiritismo, nunca ouvi ou lê o curriculum de dona Maria ou de Zé Pedro, seu João ou dona Catarina Que tristeza! O espiritismo transformado num negócio para dos oportunistas.
Ali foi-se mais uma tentativa de reconstrução do verdadeiro cristianismo.

Agostino

André

2.2.11

Olá Agostinho,

Deixei uma resposta no post seguinte:

http://blog-espiritismo.blogspot.com/2011/02/elites-no-espiritismo.html

Abraço,

AA

Anónimo

3.2.11

Excerto de um esclarecimento que Alamar Régis enviou à Imprensa, a propósito do Espiritismo:

«A sua relação com a Ciência

Faz parte da formação espírita a seguinte recomendação: "Se algum dia a Ciência comprovar que o Espiritismo está errado em algum ponto, cumpre aos espíritas abandonarem imediatamente o ponto equivocado e seguirem a orientação da Ciência".
Mas isto não quer dizer que o que afirma determinadas criaturas, como o padre Quevedo, que se apresenta presunçosamente como cientista, deva ser entendido como Ciência, já que ele não é unanimidade e nem ao menos aceito pela maioria dos cientistas coisa nenhuma. Ele é padre, nada mais do que padre, com um tipo de postura que não aceita nem pela maioria do seio católico, quanto mais pelo científico.
Não é à pseudo-ciência ou a opiniões pessoais de um ou outro elemento, que se diz de Ciência, que o Espiritismo se submete, com esta recomendação, é a Ciência, como um todo, em descobertas inquestionáveis.
Até agora a Ciência não conseguiu apontar e muito menos comprovar erro em um ensinamento espírita, sequer.
Se alguém exige, por exemplo, querer provas por parte dos que afirmam que existe vida fora da Terra, por questão de bom senso deve ter também provas de que não existe. Será que tem?

Medicina e Espiritualidade

Alguns médicos, tradicionalmente, sempre afirmaram que os problemas de saúde das pessoas nada tem a ver com problemas espirituais, porque estes se resumem a crendices. Hoje existe um curso de "Medicina e Espiritualidade", oficial, dentro da USP (Universidade de São Paulo), a maior Universidade do País, onde são estudados estes questionamentos que alguns continuam a dizer que são crendices. Em nível de informação, sugerimos que os jornalistas se interessem em reportar sobre este assunto, sem que vá aqui a menor intenção de querer converter ninguém. Não se trata de questão religiosa, trata-se de questão científica. Para melhor informação, as aulas deste curso podem ser vistas no site: http://www.redevisao.net/. O telefone da Pineal Mind, onde são ministradas as aulas, é (11) 3209-5531 e o e-mail é faleconosco@uniespirito.com.br onde poderão ser obtidas maiores informações sobre o curso. Toda sexta-feira, às 19 horas, tem aula ao vivo, pelo site, numa webtv.»

Guilherme de Andrade

Enviar um comentário