Spiga

Rio: Chuva, Dor e Responsabilidades‏

O texto que transcrevemos (e que não alterámos para Português de Portugal), foi-nos remetido, via email, pelo amigo Jorge P., do Brasil. O que se passa agora no Brasil e na Austrália, já se passou na Madeira, no ano transacto, e em Portugal Continental em 1967, na região de Alenquer. Os governantes, qualquer que seja a sua ideologia política, tendem a menosprezar a opinião dos técnicos, e a permitir políticas erradas de ocupação e uso do solo. Nestas alturas de catástrofe, há quem se pergunte onde está Deus. A Doutrina Espírita ensina-nos que os males que nos afligem a existência terrena têm origem, as mais das vezes, na nossa conduta errada nesta mesma vida. O cidadão tem a obrigação moral de pressionar os políticos, para que cumpram correctamente a sua missão. Não o fazemos, achamos que dá muito trabalho e não vale a pena. Depois lamentamos.

Este texto não é espírita. Mas consideramos que merece divulgação, seja qual for a orientação filosófica/religiosa de quem o escreveu:





A Terra também grita. E sangra, e chora. A Terra está enferma e ameaçada. Bem como a Humanidade. O que está em crise é o modelo de sociedade e o sentido de vida que adotamos. Os tempos atuais nos urgem a buscar mudanças e novos paradigmas civilizatórios. As autoridades costumam repetir que as tragédias não têm uma única causa, – seriam resultantes de uma soma inesperada de fatores.



O descaso do poder público é o fator primordial a explicar a dimensão dos estragos causados pela chuva não apenas no Rio, mas também em São Paulo, Minas e pelo país afora. O descaso do poder público, o desinteresse e alheamento pelo bem coletivo. E toda a dor e todo o sofrimento por eles ocasionados. Salta aos olhos a incapacidade das esferas governamentais de prevenir as tragédias que se repetem, ignorando as medidas necessárias para proteger as populações das áreas de risco.



E o fato é que o assunto é tratado no dia a dia de todas as esferas de governo como se fosse mais uma banalidade a cargo da burocracia federal.

Não é.



Funcionários de pelo menos cinco ministérios – Meio Ambiente, Cidades, Transportes, Bem-Estar Social e Integração Nacional – já deveriam ter passado pelas cidades da região serrana do estado nos últimos anos e observado que a ocupação das encostas não podia acabar bem. Um colunista do jornal Folha de São Paulo chega a questionar que talvez cinco ministérios não sejam suficientes para cuidar do assunto, e propõe a criação de mais um, o Ministério da Catástrofe.



Qual o limite da incompetência da gestão pública? Quantas vidas ainda haverão de ser ceifadas pelo descaso e pela cegueira social que acomete nossos políticos e governantes? Com a tolerância,e até o estímulo irresponsável do poder público,áreas sob risco permanente de deslizamentos são ocupadas desordenadamente. Normas de edificação são ignoradas, os cuidados com a cobertura florestal e com a impermeabilização do solo são considerados dispensáveis.



Não se trata apenas de incompetência técnica nem falta de recursos. Muitas vezes, por motivos políticos, autoridades não se dispõem a pagar o preço de remover os habitantes das áreas ameaçadas. Estas mesmas autoridades, muitas vezes, facilitaram a sua ocupação,criando redutos eleitorais em terrenos predestinados à tragédia.



A omissão das autoridades só pode ser chamada de criminosa, quando suas vítimas, mais uma vez, se contam às centenas nestes dias.



Criança de nove anos de idade, vítima dos deslizamentos, é enterrada em Petrópolis/RJ.



“O ser humano nasce para uma vida longa e plena. E se ele morre antes de seu termo, queacontece com a vida não vivida?” “Para onde vão suas alegrias e dores? Os pensamentos que não teve tempo de contemplar, os atos que não cumpriu?”

Cada pessoa é única. No oceano da existência, nenhuma gota se repete. A dor sempre lacerante de quem perde um parente de modo inesperado.



“Meu nome? Não sou mais ninguém.”

Desabafo de morador de Friburgo que carrega o caixão da filha. Atrás dele, o corpo da mulher.


Famílias que num piscar de olhos deixaram de existir. O que acontece com todos os sonhos e planos abruptamente interrompidos? Quão frágil e incerta é a existência terrena...



Foto de criança, perdida em meio aos escombros.

Nova Friburgo/RJ, 13/01/2011



Algum dia talvez venhamos a compreender que aquilo que aflige uma parte acomete o todo igualmente. “

"Que importa termos muitos corpos? Nossa alma é uma só.”

Mahatma Gandhi

Neste momento de dor, dedicar orações para as vítimas desta tragédia. Apoiar com doações as ações de solidariedade em prol das 5 mil famílias que tiveram as casas devastadas pela enchente. E, principalmente, exercitar a nossa cidadania, de modo a tentar reverter a cegueira e a surdez que acometem políticos e governantes. Promover a cidadania, contribuindo com a nossa parcela para o bem comum e a dignidade social.


“Somente a participação cidadã é capaz de mudar o país.” “Que a Justiça seja nosso ideal. Que a Solidariedade seja nosso ideal.”



Formatação: um_peregrino@hotmail.com

Partilhe este artigo:

5 comentários:

Cida

18.1.11

Gente Acessem o Meu Blog e Comentem, Agradeço ;)

André

18.1.11

Esqueceu o endereço, Cida.

AA

Anónimo

19.1.11

Gostaria de perguntar uma coisa sobre o crime de que foi vítima Carlos Castro. Na perspectiva da literatura espírita, a morte violenta e brutal que Carlos Cstro sofreu pode ter repercussões negativas sobre a vida do seu espírito desencarnado, ou seja, prejudicar a transição do seu espírito para a nova e inesperada condiçao de desencarnado?

André

20.1.11

Olá,

As mortes violentas costumam ser seguidas por períodos de perturbação espiritual do desencarnado, que demora a perceber o que lhe aconteceu, e, em certos casos, fica como que prisioneiro daquele momento, que se lhe repete na mente sem cessar, durante o que ele julga ser uma eternidade.

No entanto, estas descrições dos desencarnados não são regra absoluta. Em pessoas espiritualizadas e/ou bondosas, independentemente de serem crentes ou não,a desencarnação é aceite com muito mais resignação e naturalidade.

Esperemos que tenha sido o caso deste nosso irmão. Tanto ele como o jovem que cometeu o acto lamentável, são merecedores da nossa compaixão e orações, bem como de evitarmos alimentar a Imprensa sensacionalista que continua a remexer o caso com especulações que apenas visam explorar o "filão".

Cada pessoa que sintoniza com o caso na vertente sensacionalista, sem a contenção e compaixão que ele exige, é mais um a "remexer a faca na ferida".

Abraço amigo,

AA

Anónimo

20.1.11

A mim, este caso chocante da morte violenta de CC tb me deu muito que pensar, a vários níveis e tb muito ao nível da doutrina espírita. É verdade: ambos necessitam de orações...

Enviar um comentário