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Graduações em Teologia Espírita - Uma Reflexão‏



Uma reflexão de Antero Ricardo, trabalhador do Centro Espírita Perdão e Caridade, de Lisboa:

Queridos amigos,

Ainda sobre a controversa questão das graduações em Teologia Espírita, cabe-nos considerar o seguinte:

1- Allan Kardec, no Projecto 1868 inserido em Obras Póstumas, advoga a importância da existência de cursos que favoreçam e desenvolvam os princípios da Ciência e de difundir o gosto pelos estudos sérios, ampliando uma maior compreensão da doutrina espírita e do número de médiuns.

Estes cursos regulares, são essenciais nas casas espíritas, pois o Espiritismo é verdadeiramente a Ciência do Espírito, a solicitar que nos debrucemos, de forma séria sobre ela, formando adeptos esclarecidos. No entanto, o conhecimento doutrinário convida-nos a uma vivência dos postulados que os Espíritos Superiores fizeram desaguar no coração da humanidade, para uma real prática dos ensinos de Jesus, nosso Mestre e Senhor.

2- O codificador do Espiritismo, nunca promoveu ou outorgou a existência de títulos de Espiritismo a quem quer que fosse, dentro das lides doutrinárias, apesar de, ele mesmo reunir a maior sapiência e credibilidade moral sobre a Nova Doutrina.

3- Acreditamos, pois, que os maiores galardões, perante a Espiritualidade Superior, serão sempre aqueles, que exijam o esforço da nossa reforma íntima e o trabalho sincero para vencermos a nós mesmos.

4- Concordamos com as ideias, preconizadas pela figura do saudoso professor Herculano Pires, sobre a possibilidade da existência de escolas capazes de desdobrar as matérias contidas no Espiritismo, de forma que, possam ser levadas às universidades para os estudos e investigações necessárias, pois esses princípios, que fazem parte das estruturas e alicerces doutrinários, revelados pelo Espiritismo, estão mergulhados nas próprias leis da natureza, e devem, de forma séria e com adequada metodologia, serem passíveis de estudo com a elevação merecida. Da mesma forma que acontece, por exemplo, com outra qualquer matéria dentro das ciências biológicas ou físico-químicas.

5- A questão dos diplomas académicos concedidos pelas universidades, não dizem respeito às estruturas doutrinárias propriamente ditas, nem a instituições, nem são conferidos por quaisquer federações espíritas estaduais, nacionais ou internacionais. É da exclusiva responsabilidade dessas entidades oficiais, conforme podemos entender. É nossa opinião, que o Espiritismo nada tem com isso, de forma direta, nem deve interferir nas universidades que apresentem seus programas curriculares e/ou títulos universitários na chamada área de graduação em teologia espírita, ou outras.

6- Entendemos pois, que os diplomas não são nem garantem qualquer crédito de natureza espiritual a quem quer que seja, pois o verdadeiro espírita será sempre reconhecido pela sua transformação moral e pelos esforços sinceros que adoptar para domar as suas inclinações infelizes.

7- Urge pois, fazermos as devidas diferenciações, sem temer que o Espiritismo venha a ser defraudado ou desvirtuado do seu verdadeiro sentido, conforme nos foi entregue pelas Entidades Venerandas, cabendo-nos sim perceber, o que estamos dele fazendo em nossos dias terrenos. Parafraseando Léon Denis “O Espiritismo será aquilo que dele os homens fizerem”.

Antero Ricardo

22 de Dezembro de 2010

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12 comentários:

Ivana Maria

30.12.10

Concordo plenamente com as idéias e os posicionamentos listados aqui pelo autor do Blog. Acredito que no terreno espiritual quanto maior conhecimento alcançado, maior a humildade de se sentir eternamente aprendiz. O nosso compromisso deve ser, antes, com o próximo e não com a ostentação de um diploma que declare o nosso nível de conhecimento espíritual. Esse conhecimento só terá validade se for para servir e ser compartilhado. Um grande abraço.

André

30.12.10

Olá Ivana,

O autor do texto é o Antero Ricardo, colaborador do Centro Espírita Perdão e Caridade, de Lisboa. Gostámos da clareza e suporte doutrinário deste texto. Naturalmente, respeitamos ideias contrárias, mas afinamos pelo diapasão do Antero.

Abração,

AA

Anónimo

21.1.11

oi pessoal, td bem? Acho que vcs estão equivocados quanto ao curso de Teologia Espírita. Primeiramente este é um curso que visa uma intensificação na proposta pedagógica de Kardec com viés de ciencia, filosofia e religião. O curso não formará médiuns e, sim, pessoas que entendem o espiritismo como manifestação do bem em toda a esfera política, social, cultural e econômica no intuito de discutir questões relevantes da sociedade. Lembrem-se que o próprio Kardec era homem de ciencia, pesquisador, pedagogo, educador; portanto muito preparado para ser o que foi e, preparado porque estudava. Creio fielmente que o que ele mais gostaria de ver é os espíritas unidos na prática do bem com conhecimento científico da doutrina e suas implicações antropossociais. Vcs já perceberam que toda a codificação espírita está fundamentada no raciocínio lógico e que Kardec deveria passar horas sobre livros de diferentes áreas do conhecimento para poder compor todo este trabalho magnífico que deixou para que pudessemos mergulhar em seu interior e trazer, à luz da razão, mais informações daquilo que ele queria dizer com as informações de que dispomos agora? e que para isto devemos estar em permanente construção do conhecimento? Façam um favor a Kardec: disciplina.disciplina.disciplina. Antes de criticar negativamente o curso tentem se informar mais a respeito, procurem se inteirar das disciplinas que são oferecidas no curso para formarem uma opinião mais apurada da real intenção de seus idealizadores que, com certeza, também deve ser da vontade dos próprios espirítos. Antes de atirarem pedras, lembrem que ali estão vossos irmãos tentando elevar a causa espírita à acadêmia assumindo responsabilidades muito difíceis de serem executadas. Um abraço a todos

André

22.1.11

Começamos desde logo por um equívoco: o Espiritismo não é, formalmente, uma religião. Kardec foi claro como água nesse ponto. Basta consultar a Codificação. Muitos espíritas já trataram de igrejificar o Espiritismo. Um erro. Um contra-senso.

Eis que chega outro: Esta ideia da "teologia espírita", em que servirá os propósitos cristãos? Não acha que faz lembrar a instituição dos "doutores da Igreja"? O Espiritismo não precisa de se ornamentar com títulos académicos ou religiosos. Humildade, simplicidade, são suas palavras de ordem.

Esta é a nossa opinião. E nisto temos de ser como Jesus recomendou que fôssemos: "Sim, sim; não não".

Abraço amigo,

AA

karina

23.1.11

ei André, tenha calma. se vc é realmente espírita, deveria lembrar que humildade e simplicidade são compatíveis com o conhecimento acadêmico sim, do contrário, Kardec que era um homem muito inteligente não seria o que foi considerando suas mais de trinta obras voltadas a área de educação, tais como:
Curso técnico e prático de aritmética (1823), Plano proposto para a melhoria da Educação pública (1828); Gramática francesa com base num novo plano(1831); Memorando sobre o ensino público(1831); Memorando sobre a questão: Qual é o sistema mais conceniente às necessidade da atualidade?(1831); Programa de cursos normais de química, física, astronômia, fisiologia (1849); Projeto de reforma referente a exames e educandários para jovens (1847) entre outros muitos artigos e trabalhos publicados por nosso codificador; além é claro de fazer parte de mais ou menos cerca de 20 sociedades e instituições de pesquisa na França e no exterior e de traduzir obras do alemão, do grego, latim e ingles para o frances. E, depois de tudo isso ainda por cima publicar uma obra magnífica como "O evangelho segundo o Espiritismo". É André, se o curso de TEOLOGIA ESPÍRITA não fosse necessário ser criado para tentar ENTENDER Kardec, nós continuaríamos a REPETIR Kardec. Pense, por exemplo, o que será que ele quis dizer quando falou:" O Espiritismo marchando com o progresso, jamais será ultrapassado porque, se novas descobertas demonstrassem estar em erro sobre um certo ponto, ele se modificaria sobre esse ponto; se uma nova verdade se revelar, ele a aceitará".VIVA O HOMEM QUE CONSEGUIU UNIR RELIGIÃO E CIÊNCIA! VIVA O ESPIRITSMO REDIVIVO, ONDE EU NÃO REPITO, MAS PENSO! um abraço fraterno

Francisco

23.1.11

Olá Karina,

Penso que a a miga e o/a anonimo/a anterior estão a confundir duas coisas diferentes.

Obviamente os conhecimentos académicos de Allan Kardec não foram uma má influencia na sua humildade e simplicidade... e veja bem, a sua humildade era tamanha que queria que as pessoas lessem os livros que codificou sobre espiritismo pelos conhecimentos lá contidos, e não porque foram publicados pelo professor tão conhecido na época, daí ter assinado como Allan Kardec e não com o seu nome.

Mas há mais... o que ele quis dizer com a célebre frase "O Espiritismo marchando com o progresso, jamais será ultrapassado porque, se novas descobertas demonstrassem estar em erro sobre um certo ponto, ele se modificaria sobre esse ponto; se uma nova verdade se revelar, ele a aceitará" é que se a ciência provar que algum dos pontos que o espiritismo defende está errado, o espiritismo abandona esse ponto e segue aquilo que a ciência provar.

Além do mais, porque julgam as pessoas que é necessário o espiritismo dar um grau académico para ser levado a sério?!

Muitos espíritas tem graus académicos respeitáveis nas mais variadas áreas do saber... acho óptimo, até porque estarão (pelo menos em teoria) melhor preparados para defender os pontos de vista espirita perante os seus pares, refiro-me aos seus pares académicos.

Mas daí a transformar espiritismo num curso teológico como se espiritismo fosse uma religião?!?!

Tantos e tantos espíritas que nas associações espíritas que frequentam participam activamente em cursos básicos de espiritismo, cursos avançados, educação de mediunidade, estudos das mais diversas obras espíritas, etc... saem de lá com conhecimentos vastíssimos, no entanto o grau académico que tem é o mesmo que tinham antes de começar... ou seja, sem andarem num curso de teologia espirita, tem disciplina, disciplina, disciplina!

Estudar espiritismo, força nisso, é mesmo necessário, agora transformar isso em teologia (mais uma religião?!?! Não somos, obrigado)...

Os séculos de história já nos deram o exemplo que essas ideias de transformar homens em doutores da lei de Deus deu sempre mau resultado.

André

23.1.11

Mais uma achega:

Com este tipo de cursos corre-se o risco de repetir os erros das religiões tradicionais: formar elites que pensem por nós.

O próprio conceito de "curso de teologia" não é propriamente "academizável", pois não há uma teologia; há teologias. O Espiritismo é, como todas as correntes de pensamento, uma opinião. Engalanar essa opinião com diplomas, para emparelhar com os "cursos de teologia" que por aí proliferam, e fazem "doutores" em 3 meses? Não vejo vantagens.

Em "Ligeira resposta aos detractores do Espiritismo"/Obras Póstumas, Kardec define o Espiritismo como uma opinião, e, sendo uma filosofia, é-o. Pode pois o Espiritismo fazer parte do programa de cursos de Filosofia, como o fazem outras correntes de pensamento, mas daí a ser disciplina académica, talvez seja esticar um bocado a corda.

"Porque Kardec estudava"? Mas Kardec jamais propôs academizar o Espiritismo, nem enfeitá-lo de títulos que não lhe cabem (daí ter recusado que este fosse religião, precisamente para não tomar nomes e assumir papéis que não lhe cabem).

Em entrevista aqui ao Blog de Espiritismo, Raul Teixeira alerta para a desnecessidade de se andar atrás da Academia, procurando reconhecimento. Refere ele o caso dos católicos, que não se preocupam em ver reconhecida a transmutação dos géneros que supostamente ocorrerá na consagração do pão e do vinho, na Eucaristia. Ora nós já tivemos, por exemplo, Charles Richet, Prémio Nobel, que confirmou que os Espíritos existem e dão largas provas disso. A existência dos Espíritos está demonstrada cientificamente por muita gente conceituada. Não queiramos ter a veleidade (e o atrevimento), como muitos, de "provar" também a existência de Deus. mantenhamo-nos humildes, como os Primeiros Cristãos. Não é por muio gritarmos que temos mais razão.

"Espíritas, amai-vos; espíritas instruí-vos" - É dever de todo o espírita imitar o Cristo no amor a Deus e ao próximo; e estudar, para que a sua fé seja realmente fé raciocinada.

Abraços, e para quem discorda de nós, o mesmo carinho e respeito que temos para com os que concordam.

AA

karina

24.1.11

oi André, concordo com sua preocupação quanto a formação de doutores: muitos acham que um título é suficiente; mas pense assim, porque não haveria de ter pessoas que estudam a Doutrina Espírita em nível acadêmico? Aqui no Brasil temos teólogos protestantes, judeus, mulçumanos, umbandistas, budistas e todos estudam sua doutrina dentro de um pensamento acadêmico. vc acha que Kardec não poderia estar lá também? porque o preconceito? o saber é um processo contínuo, não podemos parar no tempo enquanto diversas disciplinas se aprofundam em sua matéria. como podemos encarar os desafios do século XXI apenas com suposições? Os teólogos espíritas tem essa preocupação de levar um Espiritismo racional, crítico e operativo para a sociedade, isto não significa desvalidar o trabalho de nenhum outro espírita do mundo, porque entendemos que todos contribuem mas entendemos que também são chegados os tempos de novas revoluções na contrução do bem e para mim, o bem, passa pelo todo e não fica restrito a um mundinho fechado onde saber mais significa desrespeito. A preocupação da doutrina espírita é formar homens conscientes de sua responsabilidade frente ao processo moral da sociedade e não deve ficar restrita a interpretações superficiais dos ensinamentos espiritistas. Sinto-me tão bem por estar fazendo parte desta nova construção, de poder fazer algo diferente que responda com menos certeza as incertezas da vida porque entendo também que o Espiritismo não tem todas as respostas e é na união do conhecimento, na diversidade de idéias e na leitura racional que fazemos do mundo, sem mistificações ou dogmas,que construímos um mundo mais justo e ético sem negar os apelos da modernidade que são inevitáveis, ou vc acha interessante voltar para o século XIX onde não havia internet, cinema, liberdade religiosa, celular, o hubble, escola pública laica e etc. A Teologia Espírita é um curso de formação acadêmica reconhecido pelo MEC e tem duração de 4 anos ou 3.800 horas aula; está fundamentada em disciplinas como física quantica, antroplogia,cosmologia, filosofia geral e espírita, história do espiritismo, sociologia, metodologia científica, hermeneutica, estudo dos livros básicos da codificação e suas implicações científicas,filosóficas e religiosas, história das religiões, estética, direito e espiritismo, medicina e espiritismo e etc; vc não pode nem fazer idéia de como é legal desfrutar deste conhecimento, garanto que se vc morasse aqui também faria o curso porque ele é inovador em todas as suas propostas sem negar Kardec; é uma releitura magnífica desta doutrina para o homem do século XXI. Entendo sua preocupação por isso vc não está aqui, quem está aqui sou eu que posso fazer isso. Deixe a cada pássaro o seu voo e a cada campo as suas flores! um abraço amigo; apesar de discordar voce é meu irmão e está aqui, como eu, para evoluir e fazer um mundo mais justo.

saulo

25.1.11

Olá irmãos, Fé Raciocinada.
Eu estou em cima do muro a respeito do assunto, porque necessitamos nos instruir na Doutrina Consoladora sempre.
Entretanto, pode acontecer o fenômeno que acontece nas Igrejas Protestante,
O chamados "Profissionais teólogos" são pessoas que fizeram a comercialização e profissionalização desses cursos, e vivem disso.
Com tanto que esse curso não se torne pós graduação ou graduação para mim é muito válido.
Um grande abraço!!!

André

25.1.11

Que esta troca de ideias e as opiniões aqui veiculadas contribuam para nos aproximar, e, se possível, para nos fazer a todos pensar, de modo a evitarmos que Doutrina que amamos cometa erros que a desvirtuem.

AA

karina

28.1.11

oi saulo, é verdade quanto a estes "teólogos" protestantes que na verdade nem tem formação nenhuma em teologia, muitos nem sabem escrever o nome direito. Temos que ter cuidado quando falarmos em protestantes porque estes teólogos que vc se refere são na verdade ramificações protestantes, os ditos neopentecostais, ou verdadeiras instituições financeiras que visam somente o lucro em cima da crença e da ingenuidade do povo carente e humilde. Estas seitas nasceram nos EUA, nação radicalmente capitalista, portanto o salto para se tornarem "agentes financeiros da fé e executivos da credulidade humana" foi um pulo.É, de certa forma, também uma religião para os adeptos, mas com um profundo viés de estelionato por parte dos pastores da fé. Infelizmente, isso vai levar algum tempo para acabar, será assim até quando começar a melhorar a educação nas escolas públicas do Brasil, quando o povo criar massa crítica suficiente para perceber a exploração que está por tras de tudo isso. É neste ponto que a fé deve ser raciocinada, coerente com o que eu alcancei através do livre-arbítrio, na evolução do espírito. um abraço

Unknown

11.8.11

Os meus respeitos a todos os comentários já postados até aqui.
Não poderia deixar de manifestar-me quanto a questão em pauta:
- Convidaria a todos que observassem com muita atenção, com muita calma e principalmente com um olhar realmente Cristão, a magnífica reflexão do Senhor ANTERO RICARDO, trabalhador do Centro Espírita Perdão e Caridade, de Lisboa.
Nela, estão contidas todas as respostas e dirimidas todas as dúvidas e controvérsias quanto ao assunto, principalmente, no ítem 6.." Entendemos pois, que os diplomas não são nem garantem qualquer crédito de natureza espiritual a quem quer que seja, pois o verdadeiro espírita será sempre reconhecido pela sua transformação moral e pelos esforços sinceros que adoptar para domar as suas inclinações infelizes."
Será que qualquer graduação em Teologia Espírita, garantirão aos seus Graduados além do conhecimento, a transformação moral, uma reforma íntima à todos? Afinal, qualquer Curso requer uma aplicação prática de seus conhecimentos.

Rosemary Gobbo Duarte
Trabalhadora do Centro Espírita "Verdade, Amor e Caridade"
Campinas- SãoPaulo-
Brasil

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