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"Doutores em Espiritismo"?


Fala-se por estes dias de um curso de doutoramento em Espiritismo, que estará prestes a nascer no Brasil. Pessoalmente, não me incomoda, ainda que discorde de tal ideia. O Espiritismo não é uma disciplina académica, não é uma ciência no sentido tradicional, e não é uma religião no sentido formal. Será uma área do Conhecimento, uma filosofia de consequências morais, uma ciência de observação e uma religião - no sentido filosófico do termo.

Não conheço doutoramentos nem cursos de ateísmo, de materialismo ou de positivismo. Conheço alguns doutoramentos de carácter "honorífico" em disciplinas como "Sagrada Escritura", ou Teologias diversas (católica, protestante, etc.). Algumas religiões tradicionais providenciam doutoramentos via Internet, com durações tais como 6 meses, porventura no sentido de aumentarem o seu prestígio e de darem um verniz "oficial" às suas crenças.

Se no Espiritismo não existe sacerdócio nem hierarquias, para quê estar-se a reeditar uma prática que lembra a dos "Doutores da Igreja", do Catolicismo? Se o Espiritismo prima pela igualdade e pela simplicidade, para quê estar-se a criar uma espécie de elite espírita? E na prática, o que adiantará alguém ser "doutor em Espiritismo"? Irá formar outros "doutores"? Não irá, de certeza, auferir algum tipo de vantagens ou remunerações, pois tal é contrário à ética espírita - então, para quê esta ideia peregrina?

Que os historiadores, os físicos, os filósofos, os antropólogos, os médicos, os especialistas de vários ramos estudem Espiritismo e tragam os seus contributos a esta filosofia cristã, parece-me muitíssimo bem. "Doutores em Espiritismo", com o devido respeito, parece-me uma bizarria.

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7 comentários:

Rogers Sampaio

9.12.10

Pois é, muito bizarro!

O espiritismo poderia ser uma disciplina de Antropologia e poderia ser dada como uma filosofia, não para atrair seguidores, mas pelo simples facto dela ser uma filosofia (como se estuda outras filosofias em currículo académico).

CEDAK.PT Centro Estudos Doutrinários - Allan Kardec, de Portugal

9.12.10

Concordo perfeitamente com o teu post, amigo André. O que seria útil à humanidade eram centros de investigação espiritas.

Centros onde se estude, como Kardec fez, os fenómenos espiritas, sendo as experiências conduzidas por espíritas, mas controladas e fiscalizadas por cientistas espiritas, católicos, ateus, cépticos, ilusionistas, etc. Quanto mais amplo o consenso melhor.

Antes de estudar as implicações da mecânica quântica, devemos estudar a telepatia, por exemplo. A confirmação da telepatia daria uma novo alento ao estudo de outros fenómenos mais complexos e mais difíceis de implementar. Da telepatia não se pode inferir cientificamente a espiritualidade, mas é um primeiro passo que no séc. XXI é muito fácil de implementar.

Duas pessoas afins para o efeito, transmitindo números de 6 algarismos uma à outra, números esses gerados aleatoriamente por um computador (cada acerto, pela teoria matemática das probabilidade terá uma probabilidade de cerca 0.0001%), em salas diferentes, sem contacto físico uma com a outra, nem sonoro, nem visual, as salas blindadas do ponto de vista electromagnético, eram uma demonstração que o cérebro humano recebe estímulos externos sem ser através dos sentidos. E isso conduz a tentar descobrir e a explicar o fenómeno.

Há estudos feitos por cientistas, a esse nível, que produziram resultados, mas é preciso generalizar as conclusões à maioria da comunidade cientifica.

Já que há dinheiro para fazer universidades espíritas, porque não torná-las laboratórios onde se descobrem coisas efectivamente novas e úteis para a humanidade?

Uma universidade para repisar o que já se sabe terá utilidade, a não ser no inflar o orgulho e a motivação para fazer profissão e ganhar dinheiro com a doutrina de que os espiritos, começando por Jesus, é que têm o mérito, e que esse Mestre e Guia da humanidade já pagou com tanto sacrifício, e que nos ofereceu com tanto amor?

VS

Jorge Nectan

9.12.10

Interessante este teu comentário. Até então, via com bons olhos este curso. Mas, lendo-te aqui, sob uma ótica baseada no bom-senso, sou forçado a concordar com você.
Obrigado por abrir meus olhos e me fazer refletir sobre o uso que estou fazendo com meu bom senso.
Obrigado!!!

André

9.12.10

Concordo inteiramente com o Rogers e com o VS.


Jorge,

É apenas a minha opinião, mas creio que será também a de muita gente. O Espiritismo partilha a simplicidade dos Primeiros Cristãos. Se formos "doutores", que seja em amor ao próximo :-)


Abraço a todos,

AA

José Lucas

10.12.10

Parabéns pela clareza, concisão e precisão dos conceitos.
Kardec refere na Revista Espírita, de 1864, que se Espiritismo algum dia fosse uma religião, sê-lo-ia à custa dos padres que, tentando torná-lo em mais uma religião tirar-lhe-iam o seu carácter universalista. Pelos vistos os padres estão por aí reencarnados no movimento espírita, com saudades das suas paróquias - risos...

PauloVJ

10.12.10

Amigos.
Quando soube do primeiro curso acadêmico sobre espiritismo, também me entusiasmei. Evidentemente todo o orgulho que possa ser criado pelo fato de uma “formatura” é uma arma contra o bom senso característico da Doutrina Espírita. No entanto, se esse curso conseguir aumentar o esclarecimento baseado em estudos aprofundados de espiritismo, creio que não vai fazer nenhum mal a sociedade, muito pelo contrário, só vem a fortalecer o estudo já praticado pelas casas espíritas de todo o Brasil. Quem tiver a oportunidade de fazer esse estudo, que faça e que tire todo proveito que ele for capaz de produzir. Mas isso não é pra se vangloriar. Se no final do curso o formando tiver a mais completa consciência de humildade e caridade apresentadas por nosso Mestre Jesus, então terá sido válido. Além disso, sabemos que nada acontece sem a permissão de Deus. Então, que tudo isso sirva-nos de lição. Grande Abraço.

André

11.12.10

Olá José Lucas,

Obrigado pelas suas palavras.



Olá PauloVJ,

Também agradeço as suas palavras, e faço votos de que este curso não venha adulterar o carácter da Doutrina Espírita.


AA

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