Spiga

Crise: Pague uma, NÃO leve duas!


Todos os dias passamos pelos quiosques de jornais, ligamos a rádio, a televisão, ou simplesmente captamos de passagem as conversas de rua, e a famosa Crise é tema constante, quase único. Não irei dissertar sobre as possíveis causas da Crise, que para isso temos os especialistas e as publicações especializadas. Mais ou menos versados em Economia e em Política, todos sabemos que algures a montante da Crise, houve excesso de especulação bancária, e que os Governos se apressaram a injectar (como eles dizem), dinheiro dos nossos impostos para impedir a falência dos bancos. Decerto que a coisa é mais complexa, e inclui factores como a concorrência dos mercados que usam trabalho escravo com os que pagam decentemente aos trabalhadores, e por aí fora. Mas ficamos por aqui, por agora...

O que me interessa destacar é que eu não fui responsável pela Crise. Vou trabalhar todos os dias, pago os meus impostos, não jogo na Bolsa e não roubo nada a ninguém. E como eu, a população normal do meu País e do mundo inteiro. Parece-me pois, injusto, que, além de termos inevitavelmente de pagar a Crise, tenhamos que ser constantemente bombardeados pelos meios de comunicação social ("mídia", no Brasil), de tal forma que acabamos por somatizar o ambiente de pessimismo e adoecer.

A comprovar o que digo está o facto de as farmácias serem actualmente o único negócio a prosperar em Portugal. Fecham comércios e indústrias, aumenta o desemprego, mas o consumo de sedativos e ansiolíticos cresce na proporção directa. Não que devamos fuzilar o mensageiro, e obrigar os jornalistas a omitirem as más notícias. O que seria de esperar era que, à semelhança do que se faz em outros países, se enunciassem possíveis soluções, a par com os problemas.

Juntamente com o negócio absolutamente legal e útil das farmácias crescem outros negócios que se baseiam na fraude e no abuso de confiança. Grupos para-religiosos e vendedores de milagres por conta própria, aproveitam o medo da depressão financeira para venderem "unções" especiais que "garantirão" a prosperidade financeira; ou amuletos que também "garantem" a "sorte" nos negócios e no jogo. Em todas as Crises há oportunistas que lucram das mais diversas formas com o infortúnio alheio...

Talvez seja altura, como dizia noutro dia um analista político, de as pessoas deixarem a modorra da televisão e das pantufas e irem para os cafés discutir Política. Talvez seja altura de os cidadãos voltarem a mobilizar-se em torno das ideologias políticas, que já estavam no baú, cheias de naftalina. Talvez seja altura de a participação política deixar de ser uma cruzinha num boletim de voto (quando não a abstenção) e se traduzir em participação activa e fiscalização da actividade dos eleitos.

É de certeza altura de arregaçar as mangas e enfrentar desafios, de pensar, de redescobrir a solidariedade. Para os cristãos, é sem dúvida altura de relembrar que são felizes os que choram, pois serão consolados. E que é sem dúvida maior o problema dos que agora riem, indiferentes ante tanto sofrimento, pois para esses, infelizmente, haverá choro e ranger de dentes.

A Terra sofre presentemente as dores de parto de uma Nova Era. Onde alguns grupos religiosos vêem o Fim do Mundo, nós, espíritas, vemos o fim de um mundo de grandes desigualdades e sofrimentos, e a alvorada de um mundo mais justo e fraterno. Nada do que são tormentos materiais - fome, doença, desemprego, injustiça, opressão - pode destruir o Espírito, que é eterno. Saibamos, acima das naturais apreensões que a situação actual justamente nos provoca, manter acesa a chama da Fé em Deus e nas promessas do nosso irmão Jesus de Nazaré. Chega-nos a crise económica, que temos de pagar inevitavelmente. Não compremos uma crise de nervos também :-)

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