Estreou esta sexta-feira no Brasil, o documentário "As cartas psicografadas por Chico Xavier".
São já 7 milhões os brasileiros que este ano foram aos cinemas assistir aos filmes "Chico Xavier" e "Nosso Lar". Este documentário, pelas suas características, não virá a ser certamente um êxito de bilheteira tão retumbante como os anteriores, mas tocará muitos corações. E é isso o mais importante, não os milhões de espectadores. É importante que as pessoas que estejam preparadas para uma fé raciocinada e madura possam tomar conhecimento da Doutrina Espírita, e possam avaliar se esta lhes dá as respostas que pretendem.
Por desconhecimento dos mecanismos da mediunidade, aparecem aqui e ali algumas críticas, como sempre vindas dos sectores religiosos e ateus mais radicais. Esquecendo a floresta, quem se apega ao preconceito teima em só enxergar a árvore. Uma crítica da revista "Veja" aponta maliciosamente o facto de as mensagens começarem habitualmente por "Querida Mãezinha".
Desconhecerá o crítico que a forma da mensagem é frequentemente afectada pelo "filtro" que o médium representa. Daí dizer-se que não há comunicação 100% mediúnica. Mas para isso, mais que ler, é preciso estudar "O Livro dos Médiuns" - só que dá trabalho...
Esquecem-se os críticos, na ânsia de detectarem pontos fracos nas comunicações, que, tratando-se de cartas de filhos dirigidas às mães, não há muitas outras formas de as começar. E esquecem-se também da quantidade de pormenores constantes nas cartas (desconhecidos do médium, claro), que permitem apurar da sua autenticidade, bem como da caligrafia, que muitas vezes também coincidiu (não é obrigatório, mas acontece).
Chico Xavier não foi, imagino eu, um homem perfeito. Jamais se afirmou como tal. Foi um médium e espírita que se destacou pela sua vivência do Evangelho de Jesus. Nem o movimento espírita pretende ver nele um novo Messias. Foi um exemplo de trabalhador da seara de Jesus, abnegado, amoroso, manso e humilde de coração.
Quem não entende que alguém possa psicografar mais de 400 livros e não querer um tostão nem reivindicar a autoria; quem não entende que alguém possa suportar com bonomia e coragem uma longa vida debaixo de calúnias e ataques cegos; quem não entende que alguém possa ser como Chico Xavier, apelida-o de "maluquinho". De charlatão não o podem apelidar, pois jamais lucrou um centavo que fosse com as suas capacidades - como qualquer espírita, aliás. Por isso é apenas "maluquinho". Também Jesus foi assim considerado, pelo que Chico Xavier está muito bem acompanhado.
Admito que custe a crer, para quem desconhece de todo a mediunidade, que os que partiram possam escrever cartas através dos que ficaram. Esses são os cépticos de boa-fé. Dúvidas eu tivesse e elas há muito que estavam desfeitas. Não é preciso ser-se uma alma boa do calibre de Chico Xavier para receber mensagens de filhos que partiram. Eu já presenciei, em trabalhos mediúnicos, recepção de mensagens com pormenores que só fizeram sentido quando foram "descodificados" pelos familiares. Eu próprio já as recebi.
Os ateus radicais dirão que os médiuns mentem. E dirão que eu também minto, naturalmente. No entanto, eu sei que não minto. Os religiosos radicais dirão que foi o "diabo" que ditou tais mensagens. Que Deus então seria esse, que negava aos familiares o consolo de uma mensagem, e só ao "diabo" dava permissão para os enganar? Que "diabo" seria esse, que aconselha a prática do Bem, a fé em Deus, o exemplo de Jesus? Pessoas como Chico Xavier não vieram a este mundo para fazer engrossar as fileiras dos espíritas. Isso nada interessa. Vierem, sim, para ajudar a consolar corações e a espiritualizar uma Humanidade que entra na maturidade e se interroga.



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