
A palestra desta semana focou o livre-arbítrio.
Seremos livres?
Se o somos, como então fica o nosso livre-arbítrio?
Podemos usá-lo como bem nos apetecer?
Podemos sim, mas sabemos quase sempre das consequências que fizermos dele.
Vivemos numa sociedade com regras, mostrando ao Homem até onde vão os limites das suas acções.
A Lei de Deus também tem as suas regras, que visam o nosso aperfeiçoamento. Esta lei está gravada na nossa consciência.
Por aqui vemos que somos livres mas, nem sempre podemos usar o nosso livre-arbítrio como queremos. Ou melhor, poder até podemos, mas às vezes sabemos que não devemos. Confunde-se, então, o conceito de liberdade de acção.
Vivemos uma época de transição, o planeta está a regenerar. Velhos valores estão a ser postos em causa, e outros se levantam, mas todo este processo é doloroso, muita perturbação.
Os tempos são de crise. Tentam-se colocar em prática um conjunto de medidas para a ultrapassar mas, a crise, para além de económica e financeira, é também crise de mentalidades. O nosso interior está em busca da mudança, e os velhos hábitos que nos acompanham até hoje, estão a ser postos em causa pela Lei do Progresso. Por isso, a crise de hoje é bem mais profunda, passando por uma mudança a nível interior de cada um.
Livre arbítrio!... Livre arbítrio!...
O homem faz o que quer,
Mas sempre responderá
Por aquilo que fizer.
Cornélio Pires (espírito)
Esta mensagem foi passada num dos slides, e nela está contida a liberdade do indivíduo, bem como a lei de acção e reacção.
Como disse o apóstolo Paulo, Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.
Todos os actos que praticamos hoje se repercutirão no futuro, deixando-nos assim com a responsabilidade para praticar o bem, para que o possamos vir a colher.
O livre-arbítrio é a liberdade que o indivíduo tem de se guiar conforme a sua vontade.
O maior problema é entender esta mesma liberdade, levando em consideração que todas as criaturas são regidas por uma lei natural e imutável, a Lei de Deus. Esta lei impõe-nos determinadas condições, e por isso mesmo ás vezes chegamos a duvidar do nosso livre-arbítrio.
Mas as escolhas aí estão e, como dizemos, temos de arregaçar as mangas, e pormo-nos ao caminho. Seja qual for esse caminho, a verdade é que nunca estamos sós, pois, temos os amigos espirituais por perto, intuindo-nos para fazermos as melhores opções de vida.
O livre-arbítrio apresenta-se de modo diferente para cada indivíduo. Pode dizer-se que essa liberdade varia de pessoa para pessoa de acordo com a evolução espiritual de cada um. Ou seja, quanto maior a evolução do Espírito, maior o seu livre-arbítrio.
E em consequência disso, maior a sua responsabilidade, diante dos seus actos.
A Justiça Divina interfere?
Podemos dizer que Deus dá-nos a liberdade de escolha e, por isso mesmo, é que temos livre-arbítrio. Caso contrário seríamos máquinas, agindo fora da nossa vontade.
Deus não nos desampara. Renova, sempre, as nossas oportunidades de crescimento. Ele colocou, bem perto de nós, vários amigos, quer terrenos quer espirituais. Estes últimos têm a missão de nos orientar nas nossas provas.
A Doutrina Espírita traça-nos um roteiro de vida, com base no bem e no amor ao próximo, tal como preconizou Jesus.
Aconselha-nos a deixar para trás o orgulho, vaidade, paixões, e aponta em direcção da esperança. Assim, com o conhecimento desta doutrina, nossas decisões ganham novos contornos, pois que a preocupação de fazer o melhor torna-se inevitável. Não mais poderemos alegar desconhecimento das leis de Deus. Sabemos que amanhã seremos tanto mais felizes quanto o presente for mais harmonioso.
Esta é a beleza desta doutrina, que não acusa, não impõe, não critica mas, sim, sugere alterações de comportamento, com o objectivo da nossa melhoria. São os próprios espíritos que vêm nos alertar para o facto de hoje decidirmos pelo melhor, para que consigamos aspirar à felicidade.
Então, que fazemos do nosso livre-arbítrio?
Como o usamos?
Fazêmo-lo da melhor forma?
Convém meditarmos sobre o assunto, pois a hora que passa não mais retorna, e quem sabe um dia ainda iremos lamentar a hora perdida.
A nossa vida afigura-se como uma escalada.
À medida que subimos vamos alargando nossos horizontes. O obstáculo que outrora se nos afigurava de difícil contorno, vemos hoje que afinal nada mais era do que uma simples pedra no caminho.
No fim da apresentação do tema segui-se o habitual espaço para interacção com todos os presentes, onde foram colocadas dúvidas, sugestões, partilhas.

4 comentários:
12.10.10
Pois foi uma boa palestra sim, o livre arbitrio é sem duvida um tema interesante..... temos de pensar bem nas atitudes que tomamos, pois mais tarde vamos pagar a factura...mas o mais importante é sermos FELIZES!!!!
13.10.10
Olá António Luis
Não há dúvida que este assunto é muito importante, só tenho pena de não morar mais perto, para assistir a estas excelentes palestras, sem desfazer nas palestras de outros Centros, a que tenho assistido, também com muito gosto.
Talvez seja porque tenho bons e estimados amigos no CCE Caldas da Rainha, que me faz valorizar mais esse centro espirita.
O livre arbítrio, no âmbito do espiritismo, e na minha opinião, refere-se essencialmente à vida do espírito eterno.
A vida aqui na Terra é apenas um instante na eternidade. Dentro das possibilidades que nos são oferecidas, também temos direito de opção aqui, pelo menos se estivermos no nosso juízo perfeito. E já não é nada fácil, decidir a vida por aqui, por vezes!
A opção mais feliz, a meu ver, é a opção pela valorização do amor que trocamos com todos aqueles que nos rodeiam. Um dia, aqui na Terra, todos seremos amigos, quando Deus o quiser. A felicidade que o amor nos pode trazer, em mundos melhores, pode ser tão grande que vivemos num êxtase permanente.
Quem trocaria ver o seu filha ou filha pequeninos, a brincar, felizes, inocentes e calmos, numa amena tarde de Verão? Há felicidade maior que o amor?
Se imaginarmos um mundo em que os estranhos nos amam, e nós tb os amamos, como bons pais, bons irmãos ou bons filhos, fazemos uma pálida ideia da felicidade eterna, que, mais tarde ou mais cedo, nos espera.
Um abraço fraterno
VS
14.10.10
Olá amigo.
A evolução dá-ne pela dor, ou pelo amor. Sem dúvida, se optarmos pelo Amor viveremos mais felizes. Mas esta decisão implica deixarmos, para trás, alguns vícios, costumes, vaidades que andam connosco.
Jesus disse, aos de então (nós todos), que herdaríamos a Terra. Então, sem dúvida, a Terra caminha para a regeneração, e depois para um planeta ainda melhor. Nesta caminhada nós aprenderemos a usar melhor o nosso livre-arbítrio, pois à medida que nos formos tornando melhores, melhor uso faremos dele.
Se me permites, só uma correcção: nós seremos todos amigos quando quisermos, pois podemos sê-lo já hoje. Deus dá-nos a oportunidade de caminharmos de acordo com a nossa vontade.
Grande abraço para ti
14.10.10
Correcção à minha primeira linha: "A evolução dá-se pela dor, ou pelo amor."
Abr
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