ESTÁ AÍ ALGUÉM?...
Os Espíritos são invisíveis, em condições normais, e daí haver tanta gente que não acredite na sua existência, e até diga que "nunca ninguém de lá voltou para contar como é". Todos os dias volta de "lá" gente e conta como é. Há 2 mil anos houve até um Senhor, muito famoso, que voltou de "lá" passados três dias de lhe terem sepultado o corpo. E andou pelo mundo mais umas semanas.
Durante esta semana andei a passear pelos canais de Televisão e fiquei com a sensação de que não só os Espíritos, mas também os espíritas, são invisíveis. Realizava-se em Valência, Espanha, o 6º Congresso Espírita Mundial, e, que eu visse, as Televisões não deram por nada.
Com raras e muito honrosas excepções, o Espiritismo não aparece na Televisão. E é pena. Porque assim as pessoas que não sabem, continuam a não saber que todos os dias há quem volte de "lá" para contar como é.
E estou em crer que isso tem alguma importância. Quanto mais não seja porque prova cientificamente que o tal Senhor voltou mesmo de "lá", para tornar bem claro que existe um lado de "lá".
ESTÁ, ESTÁ...
No entanto, por qualquer estranho fenómeno de materialização, os espíritas têm o condão de se tornar subitamente visíveis. Quando sobre eles paire a mais ligeira suspeita do crime de imperfeição.
O Congresso Mundial não apareceu em nenhuma media não espírita - que eu tivesse tido conhecimento. No entanto, na página de hoje de crítica de Televisão do jornal Público, o articulista traz-nos uma polémica actualíssima, com 135 anos, que envolveu Pierre-Gaetan Leymarie, continuador do trabalho de Allan Kardec.
Leymarie era na altura o responsável pela Revista Espírita/Revue Spirite. Um fotógrafo que costumava obter fotografias dos Espíritos, entregou-lhe, para publicação, um conjunto de imagens do qual faziam parte algumas que se veio a descobrir serem fraudes.
Então os espíritas ganharam instantaneamente visibilidade! Leymarie foi condenado a 1 ano de prisão e avultada multa, pela sua desatenção.
TLIM... TLIM... TLIM...
É curioso, este escrutínio sobre os espíritas. Um equívoco, de boa-fé, ganha subitamente uma importância capital. O julgamento de Leymarie, o célebre "Processo dos Espíritas" teve contornos inquisitoriais.
O Supremo Tribunal de Justiça de França fez justiça a Leymarie em 1888, ilibando-o de quaisquer culpas no lamentável episódio. Mas ainda hoje, 135 anos volvidos, há quem bata na mesma tecla: tlim - tlim - tlim... Um estigma imerecido.

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