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"Frei Fernando Ventura sobre a situação do País"

Será que os religiosos têm obrigação de não se pronunciarem sobre a Sociedade? Será que devem "preservar-se"? Ou será que devem dar o exemplo de cidadania e participação?

Sem juízos de valor, a intervenção de um religioso católico sobre a situação política e social portuguesa:


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5 comentários:

Paulo

6.10.10

Fiquei admirado com a intervenção de Frei Fernando Ventura, desconhecia este religioso, nunca vi alguem fazer um retrato do pais tão preciso, verdadeiro, e sem papas na lingua. Assino por baixo, concordo inteiramente com a opinião deste religioso.

Apenas acrescentaria que não é apenas a politica que está podre, esta é apenas o espelho, o resultado de uma sociedade portuguesa perdida de valores, também ela doente em si mesma.

Um pais que elege um ditador como Salazar como "o maior português de sempre" num programa da RTP e com uma diferença enorme para o segunda personalidade, é um pais sem memoria, é um pais burro, estupido e atrasado, e ignorante.

Salazar queimou livros, proibiu o livre pensamento e era um inimigo da liberdade, mas ainda assim é adorado por muitos portugueses.

Enquanto que na Inglaterra e França foram eleitos Winston Churchill e Charles de Gaulle, ambos lideres que lutaram pela liberdade, aqui elegemos um ditador que "comia" a Liberdade.

Eu creio que todas as pessoas ou entidades devem dar a sua contribuição, também as religiões ou doutrinas devem expor as suas ideias sobre a actualidade e a sociedade, se não vivem sozinhas em cubículos isolados da realidade.

Não basta ler a biblia ou quaisquer outros livros doutrinários é necessário estudar e procurar aplicar esses ensinamentos no presente, nas dificuldades concretas do dia a dia.


A democracia é dar voz a todos, mesmo por vezes discordando das suas ideias.

Anónimo

6.10.10

Como sacerdote (creio que os frades também são sacerdotes), não perde o seu direito à livre expressão. Acho que este religioso fez bem em exprimir as suas ideias.

Léonidas Dionísio

Anónimo

6.10.10

Olá

A função do povo, numa democracia, é eleger os seus representantes. E o que o povo pode ter feito de errado foi a eleição dos mesmos.

Nós somos também um povo egoísta, como os outros povos, mas não temos nada a menos do que eles.

Não é por falta de cultura e de formação que o povo não soube escolher melhor os seus governantes. É porque não tem tido alternativas.

O povo pode pecar pelo egoísmo, pois quando alguém tem uma iniciativa de união em torno de uma causa justa, viram-lhe logo as costas. Aqueles que não são afectados, então...

Se os governantes defendem os interesses dos grandes grupos económicos, em detrimento dos do seu povo, para garantir os seus postos de trabalho futuros, são gente desonesta, que devia ser presa, por fraude.

Se os governantes gastaram o dinheiro dos fundos de pensões noutras áreas, são burlões, que merecem a prisão.

Havia uma candidata da oposição, de quem ninguém gostava, inclusive no próprio partido, que chamava a atenção para a questão do elevado endividamento do País.

E dizia que se devia abandonar os grandes projectos até melhores dias e iniciar um pacote de austeridade.

Que inteligência! Tomar medidas antes dos problemas começarem. Ou que falta de inteligência não perceber isso...

De que lado estavam os ditos intelectuais nessa altura, se não são ignorantes como o povo? E os jornalistas? A minha memória é curta, mas não é assim tanto...Os homens cultura não estiveram também ao lado do seu povo, salvo raras e honrosas excepções. Será que não há homens de cultura, em Portugal?

Quanto ao Salazar, que eu saiba, nunca enriqueceu, e é essa a motivação que eu costumo ouvir das pessoas para gostarem dele.

Talvez o povo prefira ter que comer e vestir, pagar a sua casa, a educação dos seus filhos, do que passar fome a falar livremente de politica, que, no fundo, é mesmo só conversa fiada...
VS

Pável

7.10.10

A função do povo, numa democracia, é eleger os seus representantes?

A função do povo numa democracia é participar da vida política e social do seu pais.

Acontecem as coisas que acontecem por responsabilidade de todos nos.

E mesmo não sendo português me incluo porque faço parte deste pais.

Há que formar-se ideologicamente com base na solidariedade, na justiça, na igualdade e na liberdade.

O homem é um sujeito de direitos e não um objecto de caridade.

André

7.10.10

Olá amigos,

Creio que a votação que Salazar obteve se deveu a uma espécie de voto de protesto. Pelo menos, os especialstas da análise política assim o disseram. Como qualquer pessoa, Salazar teve qualidades e defeitos. Ao escolherem-o como "maior português de sempre" os votantes terão querido dizer que o regime que substituiu o Estado Novo não tem estado à altura das legítimas espectativas populares.

Mas enfim, de análise política nada entendo; a minha intenção foi a de salientar o aspecto humano, o aspecto moral, da intervenção deste religioso, que demonstrou sentido crítico e cidadania, em minha opinião.

AA

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