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Aprendizes do Cristo e inquietações políticas - Emmanuel/ Chico Xavier




O HERDEIRO DO PAI


“A quem constitui herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.” – Paulo. (HEBREUS, capítulo 1, versículo 2.)


Cede aos poderes humanos respeitáveis o que lhes cabe por direito lógico da vida, mas não te esqueças de dar ao Senhor o que lhe pertence.

Esta forma conciliadora do Evangelho permanece, ainda, palpitante de interesse para o bem-estar do mundo.

Não convém concentrar em organizações mutáveis do plano carnal todas as nossas esperanças e aspirações.

O homem interior renova-se diariamente. Por isso, a ciência que lhe atende as reclamações, nos minutos que passam, não é a mesma que o servia, nas horas que se foram, e a do futuro será muito diversa daquela que o auxilia no presente. A política do pretérito deu lugar à política das lutas modernas. Ao triunfo sanguinolento dos mais fortes ao tempo da selvageria sem peias, seguiu-se a autocracia mi­litarista. A força cedeu à autoridade, a autoridade ao direito. No setor das actividades religiosas, o esforço evolutivo não tem sido menor.

Em vista de semelhantes realidades, por que te apaixonas, com tanta veemência, por criaturas falí­veis e programas transitórios?

Os homens de hoje, por mais veneráveis, são herdeiros dos homens de ontem, empenhados na luta gigantesca pela redenção de si mesmos. Pode­rão prometer maravilhosos reinados de abastança e paz, liberdade e harmonia, entretanto, não fugirão ao serviço de corrigenda dos erros que herdaram, não só daqueles que os antecederam, no campo dos compromissos colectivos, mas igualmente de suas próprias experiências passadas, em tenebrosos des­vios do sentimento.

A civilização de agora é sucessora das civili­zações que faliram.

As nações que se restauram aproveitam as na­ções que se desfizeram.

As organizações que surgem na actualidade guar­dam a herança das que desapareceram na voragem da discórdia e da tirania.

Examinando a fisionomia indisfarçável da ver­dade, como hipertrofiar o sentimento, definindo-te, em absoluto, por instituições terrestres que carecem, acima de tudo, de teu próprio auxílio espiritual?

Como pode a casa sem tecto abrigar-te da intem­périe? A planta do arranha-céu, inteligentemente traçada no pergaminho, ainda não é a construção mantenedora da legítima segurança.

Não existem, pois, razões que justifiquem os tormentos dos aprendizes do Cristo, angustiados pelas inquietudes políticas da hora que passa. Seme­lhante estado de alma é simples produto de inadver­tência perigosa, porque todos devemos saber que os homens falíveis não podem erguer obras infalíveis e que compete a nós outros, partidários do Mestre, a posição de trabalhadores sinceros, chamados a servir e cooperar na obra paciente e longa, mas defi­nitiva e eterna, daquele a quem o Pai “constituiu her­deiro de tudo, por quem fez também o mundo”.


Fonte Viva – 148 – Emmanuel / Chico Xavier

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1 comentários:

Jorge Nectan

23.10.10

Muito atual esta mensagem. Realmente estamos muito preocupados nestas eleições, e esquecemos que tudo isso passa, só as nossas obras que ficam. Nos ligarmos e nos sustentarmos em Deus é a forma de mantermos em harmonia nestes tempos complicados.

Um grande abraço!!!

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