Caro Senhor,
Li hoje a sua secção de crítica de Televisão no jornal Público, na qual dá como exemplo de fraudador fotográfico Pierre-Gaetan Leymarie, director da Revue Spirite em 1875, data dos acontecimentos.
No entanto, Leymarie jamais fraudou fosse o que fosse. De boa-fé, Leymarie permitiu a publicação de um conjunto de fotografias das quais algumas eram fraudadas.
Num cenário de acirrada perseguição religiosa, essa desatenção da Revue foi aproveitada para denegrir a Doutrina Espírita. Leymarie foi o único a ser detido e acusado. Quinze dias depois da sua condenação, foi instado a declarar-se culpado e a pedir indulto, mas recusou, preferindo passar um ano no cárcere. Segundo "La Irradiación", foi reabilitado, em 1888, pelo Tribunal Supremo de Justiça da França.
Também eu solicito da sua parte a reabilitação de Leymarie junto dos leitores do Público, para que não se caia involuntariamente naquilo que o seu artigo condena, e bem: enganar o público.
Com as mais cordiais e respeitosas saudações,
MC


2 comentários:
15.10.10
Caro Sr. Eduardo Cintra Torres,
Sou seu leitor de muitos anos e também sou espírita.
Hoje fiquei perplexo com o artigo que fez publicar no Público: PG Leymarie, posto a par com directores de revistas que promovem a aldrabice, manipulando fotografias?!...
As fotos a que se refere foram ingenuamente publicadas, juntamente com muitas outras legítimas fotografias paranormais.
Que não acredite na imortalidade da alma, está no seu inteiro direito. Que ignore as pesquisas e as provas científicas de tal facto, igualmente. Mas arrolar Leymarie como desonesto, foi infeliz da sua parte. Se tivesse escrito que, apesar de desconhecer a fraude, Leymarie assumiu as suas responsabilidades de Director, e escolheu ficar preso, recusando pedir indulto, aí sim, já teria estado bem. Porque foi essa a verdade.
C/ os melhores cumprimentos,
André Afonso
15.10.10
Prezado Sr. Eduardo Cintra Torres,
O meu jornal é o Público, e a leitura dos seus artigos é sempre um prazer.
Escrevo-lhe, pela primeira vez, para fazer um pequeno reparo:
Relativamente à manipulação de imagens, tema que hoje abordou, a fraude a que alude, publicada na Revue Spirite, foi da responsabilidade de um fotógrafo que, tendo obtido algumas chapas de origem supranormal, não resistiu à tentação de falsificar outras tantas.
Quem "ficou mal na fotografia" acabou por ser o bom do Pierre-Gaetan Leymarie, que pagou com 1 ano de cadeia ter confiado em Edouard Buquet, que não usou as suas faculdades de fotógrafo e médium com elevação. O Papa Leão IX tinha acabado de emitir a sua Pastoral contra o Espiritismo, apelando à queima de livros espíritas, e esse faux-pas da Revista Espírita foi pretexto para mais uma investida. Injusta, pela boa-fé dos editores, e ainda mais pelo carácter de rigoroso voluntariado que carateriza a Doutrina dos Espíritos, que não admite o profissionalismo.
Após a condenação de Leymarie, o fotógrafo teve um rebate de consciência e escreveu ao Ministro da Justiça. Transcrevo:
"Lastimo, pois, haver dito, na minha fraqueza, o contrário da pura verdade, renunciando eu a minha mediunidade, e peço perdão a Deus por este acto que deploro, pois que ele serviu para incriminar um homem estimável, cuja boa-fé se tornou suspeita com as minhas afirmações."
Leymarie optou por não pedir indulto. Cumpriu a pena e foi espontaneamente indultado pelo Esatdo, anos mais tarde.
Despeço-me, com estima e consideração,
Ricardo Gomes
PS - Há várias obras que desmontam, ponto por ponto, todas as acusações, apesar de o próprio Supremo Tribunal as ter retirado. Destaco a de Marina, Esposa de Pierre-Gaetan:
LEYMARIE, Madame P.-G.. Procés des Spirits: Processo dos Espíritas. Rio de Janeiro: FEB, 1999. 254p. fotos. ISBN 8573281987
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