Spiga

O Bom Ladrão



Pergunta:

Angelo
9.9.10

O que se pode entender quando o bom ladrão rogou a Cristo que se lembrasse dele, ao entrar em seu Reino do Céu, Jesus disse ao ladrão:
“Ainda hoje estarás comigo no Paraíso” (Luc., XXIII, 43).

Ora, segundo a doutrina de Kardec, o ladrão deveria se reencarnar para pagar seus crimes de roubo. E Cristo lhe garantiu o contrário: não disse a ele que ele deveria se reencarnar, para, depois, se salvar. Disse-lhe que naquele mesmo dia estaria salvo, sem se reencarnar. Isto não vai contra a reencarnação? a Biblia está errada?


Resposta:

André
9.9.10

Olá Ângelo,

Passo a responder:

1 - A Doutrina Espírita não é de Kardec, mas dos Espíritos, cumprindo a profecia de Jesus de que enviaria um Consolador, para explicar o que naquela época só alguns entendiam.

2 - O Paraíso não é um lugar físico, circunscrito, mas um estado de felicidade, de que gozam os que chegam ao Além de consciência limpa.

3- O período entre vidas ser feliz, ser um paraíso, não implica que não se reencarne. E não se reencarna para sofrer ou para "pagar carma", mas sim para evoluir. Se hoje, século XXI, o Ângelo ainda não sabia isto, com tanta informação disponível, imagine há quase 2000 anos. Não era ocasião para Jesus estar a fazer palestras sobre reencarnação ao ladrão arrependido, igualmente pregado numa cruz, e decerto mais ignorante que Nicodemos, que era um sábio da época e não entendia a reencarnação.

4 - As obras básicas do Espiritismo, disponíveis para download gratuito neste site, esclarecem este e outros aspectos. Sobretudo "O Céu e o Inferno", que explica a justiça divina à luz do Espiritismo. Para se conhecer a Doutrina dos Espíritos há que estudá-la na fonte: as 5 obras básicas, coligidas e publicadas por Allan Kardec.

Disponha sempre,

AA

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6 comentários:

Rogers Sampaio

9.9.10

Olá AA

Não pude deixar de ler este post e ficar com uma pequena má impressão, que provavelmente não será nada, mas que gostaria que ficasse aqui esclarecido, acerca da sua explicação, mas precisamente ao ponto 1 onde diz:

"1 - A Doutrina Espírita não é de Kardec, mas dos Espíritos, cumprindo a profecia de Jesus de que enviaria um Consolador, para explicar o que naquela época só alguns entendiam."

A minha veia cientifica não consegue ficar inerte perante tal afirmação. Acho que seria melhor fosse dito desta forma:

"1 - A Doutrina Espírita não é de Kardec e não pertence a ninguém, mas sim a toda humanidade. Ela foi codificada pelo Kardec e dada / leccionada por alguns espíritos (daí o nome de espiritismo) para cumprir o plano evolutivo humano, o qual Jesus já tinha conhecimento prévio ao dizer que seria enviado um consolador, que explicaria tudo o que ficou por dizer e que não seria entendido na sua época."

Ok isso tudo é forma, para meio entendedor meia palavra basta, mas os pentecostais acreditam também em "profecias", coisa que não acredito muito.

Acredito que o ser humano planeia, estuda, conclui e aje. Seja nesta vida e na outra. O mesmo acontece com os grupos humanos.

Por isso, havemos de ter cuidado com as palavras para não santificarmos/mistificarmos algo que extremamente natural.

Abraços
Rogers Sampaio

Mário

9.9.10

De facto, convém esclarecer que o termo "profetizar" e "profecia", no âmbito bíblico, diz respeito não só à previsão de acontecimentos futuros, mas a todo o tipo de comunicações recebidas do plano espiritual. Na 1ª Carta de Paulo aos Coríntios, por exemplo, encontramos encorajamento a que os homens profetizem, no templo... e também a determinação de que as mulheres não o façam, como era uso naquela época :)

Valeu, Rogers! Sempre atento...

Abração,

Mário

André

10.9.10

Subscrevo :)

Angelo

20.9.10

Obrigado pela resposta.
Poderiam me tirar outra dúvida?
Jesus no salvou, fazendo com que nossos pecados fossem redimidos e assim irmos para o céu junto a Deus. Nos livrando do inferno. Mas o espiritismo mostra incompatibilidades com a doutrina ensinada por Jesus, creem que o inferno não existe.
É o que verificamos, por exemplo, quando analisamos a doutrina espírita da pluralidade das vidas terrestres. Se de fato tivéssemos mais de uma vida, se de fato nossa alma reencarnasse em sucessivos corpos durante toda a nossa existência, como a morte de Cristo poderia ter nos libertado? A doutrina da reencarnação é radicalmente contra o cerne da mensagem cristã. Allan Kardec também dizia:“O dogma da eternidade absoluta das penas é incompatível com o progresso das almas, ao qual opõe uma barreira insuperável. Esses dois princípios destroem-se, e a condição indeclinável da existência de um é o aniquilamento do outro” (O céu e o inferno, 78).
Ora, e do que Jesus falava, por exemplo, quando dizia que aqueles que não praticarem a caridade para com os seus irmãos irão para o “castigo eterno” (Mt 25,46)? Não é o inferno um dogma proclamado incansavelmente por Jesus Cristo em seus ensinamentos? O que falar então do rico epulão que padecia “nos tormentos do inferno” (Lc 16,23)? O que dizer do “grande abismo” (Lc 16,26) que separa o inferno do seio de Abraão? Não seria essa parábola uma evidência clara da existência e da eternidade do inferno, do “fogo que não se apaga” (Mc 9,48)?

Deus nos abençoe.

André

24.9.10

Olá Ângelo, querido amigo

Respondemos à sua questão no post:

http://blog-espiritismo.blogspot.com/2010/09/parabolas-e-hiperboles.html

Desculpe a demora.

AA

André

20.10.10

Ao leitor anónimo que deixou aqui uma pergunta sobre o arrebatamento de Elias, recomendamos este texto:

http://www.portaldoespirito.com.br/portal/artigos/paulosns/o-arrebatamento-de-elias.html

Regra geral, publicamos todos os comentários, desde que sejam correctos e não visem apenas fazer propaganda (como era o caso). "Clubites", aqui, só a minha contra a do Pável, que são de futebol :)

AA

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