
O Centro de Cultura Espírita, em Caldas da Rainha, foi palco de uma palestra bem tranquila, esclarecedora, fazendo recair em todos os presentes a introspecção interior.
A palestra começou com uma pergunta, que dava conta do porquê de sermos homens de bem.
Numa altura em que, aparentemente, o mal preenche a humanidade, parece um paradoxo tentarmos fugir a essa linha destacando o bem. De repente parece que teríamos mais condições de triunfar reagindo às agressões, quer físicas, psíquicas ou verbais, ou então de seguirmos por determinados caminhos que nos levam a tentações de toda a ordem.
A pergunta colocada foi pertinente, porquê sermos homens de bem?
Para quem defende as doutrinas materialistas, para quem acredita que com a morte tudo cessa, para quem vê em Deus um castigador, enfim, para quem se recusa a percepcionar além da esfera física, será de forma improfícua que vê o esforço de ser um homem de bem.
O Espiritismo vem aclarar-nos a esperança, transmitindo-nos valores morais, que foram difundidos por Jesus de Nazaré, que nos levam a equacionarmos a nossa consciência relativamente aos actos que praticamos, e em suma, àquilo que somos como pessoas.
Quando passamos a saber que a vida continua, quando sabemos que voltaremos um dia a um novo corpo de carne, quando sabemos que as nossas acções de hoje determinarão a nossa vida de então, torna-se nossa vontade fazer o bem, pois sabemos que o bem que fizermos a nós retornará.
Independentemente de termos ou não confiança no futuro, todos trazemos na nossa consciência o ensejo de fazer o bem. Quando o fazemos, sabemos que uma sensação de harmonia se apodera de nós. Mas, não só aos outros devemos fazer o bem. É preciso, também que o façamos a nós próprios, em prol do nosso melhoramento.
O homem de bem é todo aquele que procura por em pratica a máxima de Jesus: Amar o nosso próximo.
No livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVII - SEDE PERFEITOS, encontramos um texto que exprime algumas qualidades do homem de bem.
À medida que as vamos lendo, vamos percebendo do quanto distantes estamos dessa prática, mas, sem dúvida, muitas já as praticamos, com altos e baixos.
Mas não devemos desesperar, temos de ter perseverança e seguir ao nosso ritmo, na certeza de que a pouco e pouco vamos ficando melhores.
Foram, ainda, narrados alguns casos de Espíritos mais endurecidos que, uns durante sua vida física nada fizeram de útil, enquanto outros se perderam na maledicência e nos prazeres que a vida oferece. Estes relatos apontam para Espíritos menos felizes, ainda agarrados à vida terrena, procurando preencher o vazio de que são portadores. Referem que torna-se importante fazer o bem, para que, ao se entrar no mundo espiritual, se possa ter uma posição mais harmónica, capaz de lucidez. Estes relatos constam do livo O Céu e o Inferno, livro integrante da obra básica do Espiritismo.
Assim, estes testemunhos, fazem-nos arregaçar as mangas e mudar as nossas orientações para o caminho do bem. Segundo a Lei de Causa e Efeito, sabemos que toda a acção tem uma reacção e, essa reacção será tanto melhor quanto melhor for a acção praticada.
Foram distribuídos, na sala de palestra, uns papelinhos onde se podiam ler os requisitos de "um homem de bem", extraídos de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Para não os mencionar todos, porque tornar-se-ia um texto grande, vamos mencionar apenas alguns. Poderão lê-los no respectivo livro, e, caso não o tenham, podem fazer download (gratuito) aqui na nossa página.
Já agora, aconselhamos a impressão desse texto e, se possível, o colemos no frigorífico, ou em algum sítio onde o possamos ler, pois convém de vez em quando darmos uma vista de olhos por ele.
Aqui ficam, então, alguns pontos do texto, não porque sejam os mais importantes (quanto a nós nenhum é importante em particular, são todos!), mas porque foram os que nós escolhemos.
- O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade,
na sua maior pureza;
- Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria;
- Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais;
- Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem
esperar paga alguma;
- O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de
raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus;
- Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança;
- Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal;
- Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las;
- Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e
benevolência.

2 comentários:
21.9.10
Se tudo isso fosse assim tão fácil; se as pessoas não trouxessem frequentemente marcas profundas da sua infância, onde não tiveram carinho, nem compreensão. Muitas vezes, essas marcas até já vêm de existências passadas. O ser humano é muito complexo e as coisas não são assim tão simples. Difícilmente alguém vai conseguir dar aquilo que nunca recebeu. Mas talvez Deus tenha isso em consideração. Já deve valer algum esforço que se faça nesse sentido.
23.9.10
Olá amigo.
Não é facil, mas é possível.
Somos criaturas com algumas deficiências a nível sentimental, e muitas vezes a austeridade com que se educa leva a que se esqueçam determinados valores morais.
Mas a pouco e pouco a humanidade vai evoluindo, vai ficando com valores mais equilibrados, os pais (outrora filhos) mudam a maneira de educar, e assim nos vamos tornando numa sociedade melhor, mais justa, onde o Amor permanecerá.
Abraço
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